Cardeal Raymond Burke defende que frear a migração de muçulmanos é “patriotismo”

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23 Maio 2019

A obsessão do cardeal ultraconservador Raymond Burke com a suposta ameaça de uma ‘invasão muçulmana’ seria motivo para se rir, se não fosse tão séria. A última ocorrência do purpurado estadunidense, um dos líderes da oposição ao Papa Francisco? Insistir em que “resistir à imigração massiva muçulmana” ao Ocidente é uma atitude política “responsável”, já que “o islã acredita estar destinado a governar o mundo”.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 22-05-2019. A tradução é do Cepat.

“Não é necessário ser muito inteligente para ver o que aconteceu na Europa” com a migração de pessoas da África e do Oriente Médio, apontou Burke em uma conferência “pró-vida e pró-família”, na semana passada, em Roma, segundo o que foi publicado por CNS.

O cardeal citou a suposta falta de integração destes migrantes para generalizar e rotular a maior parte do coletivo muçulmano como “oportunistas”. Embora a Igreja deva ser generosa com “indivíduos que não conseguem encontrar uma forma de viver em seu próprio país”, esse mandato evangélico não se estende a pessoas que acabariam com a tradição cristã das nações ocidentais, defendeu Burke.

Cardeal Raymond Burke (Fonte: Religión Digital)

Diante da invasão, “recuperar a verdadeira cultura”

Em relação a essa suposta conspiração islâmica para conquistar o Ocidente, “os muçulmanos têm dito que hoje em dia podem fazer o que não puderam fazer no passado com armamentos, porque os cristãos já não estão dispostos a defender sua fé, o que acreditam. Já não estão dispostos a defender a lei moral”, opinou o purpurado, que também advertiu que outro fator que torna o Ocidente frágil frente ao islã é que “os cristãos já não estão se reproduzindo” e estão, por sua vez, recorrendo a anticoncepcionais.

Também no que se refere à imigração, os católicos têm um dever de instruir os recém-chegados a respeito do “que está quebrado na cultura” a qual vêm, disse Burke.

O purpurado especificou que isso significa trabalhar com os migrantes “para recuperar a verdadeira cultura”, que consiste no respeito à vida, respeito à moral sexual e ao culto devido a Deus.

Contudo, justamente pela suposta incompatibilidade de tudo isso com o islã, explicou o cardeal, limitar “a imigração massiva muçulmana é... um exercício responsável de patriotismo”.

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