México. Somente em 2019 foram encontrados 337 corpos de desaparecidos em 222 fossas clandestinas

Manifestação em Veracruz, pelos 43 estudantes da Escola Rural da Ayotzinapa, que desapareceram depois de uma manifestação, em setembro de 2014. Foto: E-Veracruz

Por: Wagner Fernandes de Azevedo | 15 Maio 2019

O governo de Andrés Manuel López Obrador iniciou em dezembro de 2018. O primeiro presidente da história a desbancar a hegemonia do Partido Revolucionário Institucional – PRI, além do curto período exercido pelo Partido da Ação Nacional – PAN, assumiu o compromisso de superar chagas históricas da sociedade mexicana, como a corrupção, a pobreza e a violência. Na terça-feira, 14-05-2019, o governo divulgou o primeiro informe de Direitos Humanos, que com alguns dados apresenta a complexa realidade do crime: em 81 localidades, foram encontradas 222 fossas clandestinas com 337 corpos de pessoas desaparecidas.


Fossa encontrada em fevereiro de 2019, no estado de Veracruz. Foto: E-Veracruz

O informe foi feito pela Comissão Nacional de Direitos Humanos – CNDH e apresenta os trabalhos feitos desde a posse do governo, em 01-12-2018 até o dia 13-05-2019. Para López Obrador esses dados expressam “a herança de uma política equivocada e fracassada para enfrentar a violência no país”.

O subsecretário de Direitos Humanos, População e Migração, Alejandro Encinas apresentou o relatório destacando que “é a primeira vez que se produz um informe deste tipo”. Encinas reiterou que “os governos passados ocultavam esses dados” e “misturavam desaparecimentos com homicídios”.

72% das zonas em que as fossas foram encontradas estão nos estados de Colima, Tabasco, Sonora, Zacatecas, Guerrero e Jalisco, enquanto 70% das fossas estavam em Veracuz, Sonora, Sinaloa e Guerrero.


Estados onde foram encontrados fossas clandestinas. Em Veracruz, no sudeste, foram encontradas 76 fossas. Em Colima, no centro-oeste, litoral pacífico, foram encontrados 93 corpos. (Elaboração própria. Fonte: Comissão Nacional de Direitos Humanos do México – CNDH)

Em março deste ano, Encinas apresentou outro dado expressivo: são mais de 40 mil pessoas desaparecidas no México. O subsecretário aponta que muitas das desaparições foram forçadas por agentes do Estado.

López Obrador acusa que os governos anteriores abandonaram o atendimento às causas da violência, e se tratou a insegurança pelo uso da força. “Declararam guerra e isso produziu mais violência, além do que nunca se havia visto no país: se criaram fossas clandestinas para enterrar corpos de seres humanos”.

O governo anunciou que seguirá a procura de mais fossas. Para isso será criado o Progama Nacional de Exumações e Identificação Forense que, descrito por Encinas, “agregará planos regionais de buscas, acompanhamentos aos familiares e um sistema nacional que homologue processos, fortaleça capacidades institucionais e canalize apoio internacional.

Obrador afirmou que seu governo tratará das causas da violência “atendendo as necessidades do povo, que tenha trabalho, bem-estar, que não se abandone os jovens. Que não seja pelo uso da força o meio principal para garantir a paz e a tranquilidade, mas que seja o desenvolvido o básico, a paz com a justiça”.

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