Documentário mostra Steve Bannon como humano e inimigo

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12 Abril 2019

A cineasta Alison Klayman foi a “equipe de uma mulher só” para o seu novo documentário, “The Brink” [A beira do precipício], sobre o desleixado e mal vestido – mas que sempre usa duas camisas – ex-estrategista da Casa Branca e ex-diretor do Breitbart News, Steve Bannon. A maioria dos enquadramentos do seu cinema-verdade são closes e cenas com a câmera na mão, como se ela estivesse pronta para se mover a qualquer momento, o que às vezes ocorre.

O comentário é da Ir. Rose Pacatte, das Irmãs Paulinas, doutora em Comunicação Pastoral e fundadora do Pauline Center for Media Studies, em Los Angeles. O artigo foi publicado por National Catholic Reporter, 11-04-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Em uma entrevista com a Filmmaker Magazine, ela disse que o mais difícil de viajar com Bannon durante os 13 meses cobertos pelo filme foi “como os planos dele são todos de última hora. Até mesmo a sua equipe não sabia qual era o plano para o dia seguinte”.

(Imagem: Divulgação)

The Brink” tem um sujeito: Steve Bannon. Klayman não guarda segredo nas entrevistas de que ela não é objetiva; ela o vê como um inimigo e profundamente problemático.

“A questão”, diz Klayman nas notas de produção do filme, “não era humanizá-lo, mas sim desmistificá-lo. Humanizá-lo não era o enquadramento que eu empreguei para esse projeto – ele obviamente é um ser humano, tem fome, fica irritado. Você quer que o seu inimigo seja um monstro, mas, na verdade, eles são humanos, e, para mim, é isso que os torna mais assustadores.”

O filme começa no outono de 2017 e vai até as eleições de meio mandato de 2018. Embora Klayman não tenha procurado “trolar” Bannon, ela claramente quer desmascará-lo apenas deixando-o ser quem ele é. Não há longas conversas nem mergulhos profundos naquilo que faz de Bannon o homem que ele é ou naquilo que os amigos, familiares ou colegas admiram ou não gostam nele.

O que mais me impressionou foi o seu ego frágil – sempre checando para ver como ele saiu em uma entrevista ou no palco – e a superficialidade da sua existência, indo de um lugar de poderosa influência na Casa Branca para uma sombra, ainda que longa, nesse curto espaço de tempo.

Ele não parece ter nenhum amigo ou familiar carinhoso – ele era casado e se divorciou três vezes e tem três filhos de acordo com a Wikipédia –, embora um sobrinho que nunca sorri trabalhe para ele.

Bannon pode ser bem-instruído – colégio católico, Virginia Tech, Georgetown University, Harvard Business School –, mas o filme mostra que o seu vocabulário e as suas habilidades de comunicação são limitados, e quaisquer grandes ideias que ele tenha são destiladas em dois ou três conceitos que ele repete ao longo do documentário.

Ele esteve no Exército, foi vice-presidente do Goldman Sachs (dois ex-presidentes da empresa estão no filme e o aconselham) e produziu filmes em Hollywood. Mas não é difícil de entender quem ele. Ele explica que é um nacionalista econômico – parecendo não entender que a economia e a raça estão profundamente entrelaçadas. Ele não se importa com o mundo ou com os globalistas, mas apenas com o bem-estar dos Estados Unidos ou de qualquer país que esteja pagando pelos seus serviços naquele momento.

Tudo o que ele quer é ganhar a qualquer custo, porque não se trata de ideias, trata-se de ganhar. Para fazer isso, você cria duas ou três ideias, “simplistas e fáceis de entender para qualquer um” e as repete várias vezes para provocar a raiva das pessoas. Se as pessoas estão com raiva, elas votarão. Quando as pessoas o acusam de dizer certas coisas, de mudar fatos ou de revisar a história, ou de ser um nacionalista branco, por exemplo, Bannon simplesmente nega. Ele faz isso repetidamente, evidenciando o contrário, mesmo assim.

Pode-se concluir que, no presidente Donald Trump, Bannon encontrou um bom discípulo.

Marie Therese Guirgis, ex-funcionária de Bannon, conhecia-o bem e preocupava-se e se irritava com a sua retórica e engajamento com a política da extrema-direita. Ela entrou em contato com ele no início de 2017 e perguntou se ela poderia fazer um filme sobre ele, não um filme de propaganda ou uma afronta no estilo Michael Moore.

“Eu disse a ele”, citam as notas de produção do filme, “que queria acompanhá-lo por um longo período de tempo, que eu queria que um cineasta se encarnasse nele, e que o cineasta teria que ter total controle criativo. Eu disse a ele que queria produzir um filme de alta qualidade, instigante e inteligente. Mas também o lembrei de que ele conhecia bem a minha política e como eu me sentia sobre o que ele estava fazendo, e que essas coisas estariam subjacentes ao projeto.”

Como produtora-executiva, Guirgis escolheu Klayman para fazer o filme. Essa foi uma mudança real para Klayman, cujo filme anterior, “Ai Weiwei: Never Sorry”, é sobre um artista chinês que defendeu os direitos humanos mais do que negá-los.

Weiwei está fazendo filmes e outras obras de arte sobre a difícil situação dos refugiados”, disse Klayman à Filmmaker Magazine, “pedindo que as plateias olhem para a questão através das lentes da nossa humanidade compartilhada. Bannon está trabalhando para promover políticas anti-imigrantes e uma retórica odiosa. Eu o filmei incontáveis vezes defendendo a sua posição sobre políticas como a proibição de viagens aos muçulmanos, a tolerância zero na fronteira e a separação familiar, sem nenhuma preocupação com o sofrimento dos indivíduos. Eu não poderia imaginar um ponto de vista mais oposto à visão de mundo de Weiwei.”

As únicas coisas significativas que Bannon conquistou – depois de ajudar Trump a se eleger presidente dos Estados Unidos – estavam todas relacionadas ao preconceito racial sob o pretexto da segurança nacional: a proibição de viagens aos muçulmanos, o bloqueio da imigração e a separação familiar na fronteira. Ele deixou a Casa Branca após o desastre de Charlottesville e iniciou uma organização sem fins lucrativos para promover sua agenda e a dos republicanos de extrema-direita. Esse status fiscal se destina a organizações de “bem-estar social” que não precisam divulgar os doadores. Assim que o Partido Democrata ganhou a maioria dos assentos na Câmara dos Deputados nas eleições de 2018, quando Bannon apoiou o candidato perdedor Roy Moore, do Alabama, a influência de Bannon diminuiu.

O filme mostra que, agora, depois de inúmeros rituais de “namoro” mútuos com nacionalistas europeus, nos quais ele promete vitórias sem oferecer detalhes, exceto aquilo que já se observa nos Estados Unidos, ele é um apaixonado político. Com a sua ajuda, os nacionalistas esperam vencer em seus respectivos países. Ele foi bem-sucedido notavelmente com a Irmandade Italiana na Itália. O trabalho de Bannon na Europa é feito através de uma organização bem financiada chamada The Movement.

Bannon foi criado em uma família católica, mas a sua arrogância parece blasfema toda vez que ele diz que a vitória de Trump foi por causa da “providência divina” – através da agência humana, é claro. Ele diz no filme que é preciso encontrar um núcleo sólido entre o “povão” – como os evangélicos – e jogar para esse grupo, porque eles não vão mudar: “A classe trabalhadora, as mesmas cruzes e crucifixos na sala de estar”.

Bannon parece um homem solitário vivendo uma vida acelerada, exaustiva e vazia, exceto por alguma satisfação qualquer que venha da sua próxima vitória a sangue-frio. Ele joga um pouco de golfe, e nada mais. Sua vida está cheia de viagens, reuniões, eventos em prefeituras, programas de rádio, entrevistas e autopromoção desavergonhada.

Ele toma cafeína em qualquer formato, em grandes quantidades, e espera que seus assistentes sejam leitores de mentes. Se ele tem alguma dúvida de consciência ou arrependimento, ou reflete sobre as consequências das suas palavras e ações, ou faz algum discernimento, esses momentos não ficam evidentes no filme. Senti-me triste quando, em um jantar, ele se sentou sozinho na ponta de uma mesa e fez um pequeno sinal da cruz antes de comer.

"The Brink"sugere muitos sentidos – ele é alguém que empurra tudo para a beira do precipício e depois segue em frente. Ele prospera na beira do precipício. E também parece que é aí onde todos nós estamos agora.”

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