O “capital cultural” dilapidado

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28 Fevereiro 2019

“A lógica contábil e de mercado que sustenta esse liberalismo radical não é capaz de produzir o substrato antropológico sobre o qual todas as sociedades e a própria economia de mercado devem repousar. O sistema vive assim sobre uma jazida fóssil. Ele é o herdeiro ingrato – e imprudente – de um corpus de valores que outras épocas desenvolveram no passado. Mas esses valores (confiança, civismo, lealdade, etc.) estão se esgotando ainda mais rapidamente do que os combustíveis fósseis”.

A reflexão é de Jean-Claude Guillebaud, jornalista, escritor e ensaísta, em artigo publicado por La Vie, 26-02-2019. A tradução é de André Langer.

Eis o artigo.

Nestes furiosos debates sobre os “coletes amarelos”, as imprecações ocupam, infelizmente!, todo o lugar, tanto de um lado como do outro. Este é o maior risco para a democracia. Entre nós, os políticos não têm mais a confiança de ninguém. Algo “derreteu” no coração do nosso mundo comum. Tendo precedência sobre tudo o mais, o cinismo interesseiro e a desconfiança míope destroem gradualmente o essencial. Mas o que, exatamente?

Digamos que toda sociedade humana é construída sobre uma base de atividades gratuitas e de valores “inúteis”. Grande figura intelectual dos anos 80, o filósofo André Gorz recordou esta evidência quando escreveu: “São as capacidades que excedem toda funcionalidade produtiva, é a cultura que não serve para nada que torna uma sociedade capaz de cotejar questões sobre as mudanças que se operam nela, capaz de imprimir um sentido em si mesma”.

Mas o neocapitalismo deve sua existência a uma série de tipos humanos, valores e modelos sociais que ele não é capaz de produzir por si mesmo. A lógica contábil e de mercado que sustenta esse liberalismo radical não é capaz de produzir o substrato antropológico sobre o qual todas as sociedades e a própria economia de mercado devem repousar. O sistema vive assim sobre uma jazida fóssil. Ele é o herdeiro ingrato – e imprudente – de um corpus de valores que outras épocas desenvolveram no passado. Mas esses valores (confiança, civismo, lealdade, etc.) estão se esgotando ainda mais rapidamente do que os combustíveis fósseis.

Beneficiário desta renda simbólica, a sociedade de mercado procede como um filho pródigo que dilapida o capital cultural que lhe permitiu existir. Estou exagerando? Penso que não. Quando a ideologia dominante justifica a ganância, repudia o conceito de bem comum, empenha-se em dissolver os corpus intermediários, conspira para diminuir o Estado, quando mina a base sobre a qual as nossas democracias cambaleantes ainda se mantêm de pé. Dispensando o real, incluindo o da “velha” economia industrial, abole-se toda a capacidade de autolimitação, isto é, toda a virtude.

Esta abolição dos limites desemboca no mais perigoso dos reducionismos: o triunfo daquilo que o jurista Alain Supiot, professor do Collège de France, chama de “governança pelos números”. Este último consiste em contar com o conhecimento instrumental – medido, calculado, matematizado – em detrimento de outras formas de conhecimento, do qual a democracia, no sentido amplo, é o produto ao mesmo tempo miraculoso e frágil. Muitos autores enfatizaram a existência necessária, além da racionalidade calculista, do conhecimento-verdade, do conhecimento-beleza, do conhecimento-sabedoria.

Mas todas essas dimensões fundadoras pertencem a essa “cultura que não serve para nada”, ou melhor, para nada mais do que construir uma sociedade humana! Mas é possível imaginar uma economia, uma sociedade, uma convivência sem este ingrediente primário: a confiança? E a confiança é fruto do quê, senão desta cultura “inútil”, agora relegada, negligenciada, até mesmo ridicularizada pelos astutos que acreditam que o mundo acaba na ponta do seu nariz?

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