O ''Manifesto'' do cardeal Müller: a caridade é uma e tem várias formas. Artigo de Giuseppe Lorizio

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12 Fevereiro 2019

“A confusão e a divisão são a arma diabólica utilizada não por homens da Igreja, autenticamente em busca e animados pelas melhores intenções, mas por velhos e novos meios de comunicação propensos ao sensacionalismo, lobbies laicistas e grupelhos de hipercríticos ‘internos’.”

A opinião é do teólogo e padre italiano Giuseppe Lorizio, professor da Pontifícia Universidade Lateranense, em artigo publicado em Avvenire, 10-11-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Confusão e divisão na Igreja são dois termos recorrentes na mídia, que muitas vezes deturpa o que acontece na vinha do Senhor. O texto divulgado no sábado, 9 de fevereiro, assinado pelo cardeal Gerhard Müller, parece-me uma contribuição para a reflexão, aberta a posteriores aprofundamentos para a fé dos fiéis, mas foi apresentado como uma intervenção ou, melhor, como um verdadeiro “manifesto da fé”, contra o magistério do papa e, portanto, contra a unidade da Igreja. Uma operação grave e séria.

Parafraseando o bem-aventurado Antonio Rosmini, poderíamos dizer que, no texto publicado no sábado, 10, por alguns sites de vários países, busca-se conjugar a caridade intelectual/doutrinal em conflito com aquela que o próprio Rosmini denomina como “caridade pastoral”, ápice das três formas de caridade: temporal (para as necessidades imediatas), intelectual (para a sede de verdade), pastoral (para o dom incondicional de si mesmo).

Ora, se o cardeal teólogo exerce a segunda dessas formas de modo autêntico, ele não pode, de modo algum, contrapor-se à forma suprema de caridade, que o bispo de Roma expressa no hoje da história. Recordar a doutrina, contanto que não se pretenda considerar que o cristianismo é exclusivamente “doutrinal”, é um serviço para toda a Igreja. Exercer o serviço da caridade pastoral é imprescindível e necessário em um mundo em que os gestos valem mais do que as palavras, e os fatos, mais do que as teorias.

A Igreja de hoje não tem necessidade alguma de divisões e de contraposições, mas de concórdia e de unidade: aquela unidade da qual o papa é sinal. Apesar de uma minúscula, mas insistente, campanha de deliberada incompreensão, as verdades da Revelação que Müller recorda encontram uma serena expressão no magistério do atual pontífice, também em matéria “moral” e, particularmente, no que diz respeito à lógica sacramental e à relação entre os sacramentos da Eucaristia e do matrimônio.

A esse respeito, o cardeal escreve: “A partir da lógica interna do sacramento, entende-se que os divorciados recasados civilmente, cujo matrimônio sacramental diante de Deus ainda é válido, assim como todos aqueles cristãos que não estão em plena comunhão com a fé católica e também todos aqueles que não estão devidamente dispostos, não recebem a Santa Eucaristia frutuosamente, porque, desse modo, ela não os conduz para a salvação. Evidenciar isso corresponde a uma obra de misericórdia espiritual.”

Também não se deve esquecer que, em um texto particularmente significativa a esse respeito, Müller afirmara: “Se o segundo vínculo fosse válido diante de Deus, as relações matrimoniais dos dois parceiros não constituiriam nenhum pecado grave, mas sim uma transgressão contra a ordem pública eclesiástica, portanto, um pecado leve”. E tudo isso está em perfeita coincidência com o ditado da Amoris laetitia.

A confusão e a divisão são a arma diabólica utilizada não por homens da Igreja, autenticamente em busca e animados pelas melhores intenções, mas por velhos e novos meios de comunicação propensos ao sensacionalismo, lobbies laicistas e grupelhos de hipercríticos “internos”, que parecem não ter outro interesse além do descrédito sobre aquilo que o Espírito faz no atual momento que a Igreja Católica vive.

É por isso que o nosso coração e a nossa mente, de fato, não são perturbados por tais operações (Jo 14, 1), por estarem enraizados na convicção de que a comunidade eclesial não é, nem mesmo nestes anos, guiada por um homem, mas sim pelo Espírito, porque:

“A Igreja tem em si o divino e o humano. Divino é o seu eterno desígnio; divino é o principal meio em que esse desígnio é executado, isto é, a assistência do Redentor; divina, finalmente, é a promessa de que esse meio nunca falhará, que nunca faltará à santa Igreja a luz para conhecer a verdade da fé, e graça para praticar a sua santidade, e uma suprema Providência que tudo dispõe sobre a terra para ela. Mas, depois disso, para além daquele meio principal, humanos são outros meios que entram para executar o desígnio do Eterno: é por isso que a Igreja é uma sociedade composta por homens, e, enquanto estão a caminho, por homens sujeitos às imperfeições e misérias da humanidade. Portanto, essa sociedade, na parte em que é humana, obedece no seu desenvolvimento e nos seus progressos àquelas leis comuns que presidem o andamento de todas as outras sociedades humanas. No entanto, essas leis, às quais as sociedades humanas são submetidas no seu desenvolvimento, não podem ser aplicadas inteiramente à Igreja, precisamente porque esta não é uma sociedade totalmente humana, mas em parte divina” (Antonio Rosmini, Delle cinque piaghe della Santa Chiesa).

E, nela, a verdade se faz na caridade, ou seja, na unidade (cf. Ef 4, 15).

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