O ressentimento de Müller com o Papa Francisco está cada vez mais óbvio

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11 Janeiro 2018

O Cardeal Gerhard Müller continua a mostrar sinais de amargura e desobediência para com o Papa Francisco seis meses depois de não estar mais à frente da Congregação para a Doutrina da Fé – CDF.

O cardeal, que completou 70 anos último dia de 2017, pouco fez para esconder a sua insatisfação com o papa em entrevista recente, publicada na edição de Ano Novo da respeitada revista alemã Die Zeit.

A reportagem é de Christa Pongratz-Lippitt, publicada por La Croix International, 10-01-2018. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O diálogo começou com o entrevistador observando que o Papa Francisco, em seu discurso de Natal à Cúria Romana, havia castigado aquelas pessoas que “quando delicadamente são afastadas, autodeclaram-se falsamente mártires do sistema”.

O jornalista perguntou ao cardeal se ele achava que o papa fazia-lhe referência na ocasião.

“Certamente não”, foi a resposta enfática de Müller.

“Não me declarei mártir, nem fui ‘delicadamente’ afastado de nenhum – qualquer que seja – ‘sistema’. Os cristãos se tornam mártires com o auxílio do Espírito Santo e não por se declararem mártires e, através do Batismo e da Confirmação, eu pertenço à Igreja de Jesus Cristo e não a algum sistema produzido pelo homem”, declarou ele desafiadoramente.

Perguntado se era verdade que ele havia criticado a forma como Francisco o havia desligado, Müller respondeu: “Não tinha a ver comigo. Vim em defesa de três dos melhores membros da minha congregação que haviam sido demitidos sem notificação. Eu estava tentando protegê-los. Se consideramos isso algo indecoroso ou imprudente, então que assim seja. Eu sou um sacerdote, não um cortesão, basta!”.

No discurso aos membros do Vaticano, Francisco também advertiu contra as intrigas dentro da Cúria. Quando perguntado se o papa fez certo ao proceder dessa forma, Müller disse que não tinha certeza sobre se Francisco estava fazendo referência a fatos reais ou a abstrações. O cardeal disse que “em todo caso” intrigas e conspirações são “incompatíveis com a honra profissional de um sacerdote”.

O ex-prefeito da CDF disse que certamente não estava preparado para comentar sobre o que achou do discurso do papa ou se ele compartilhava da opinião dos membros da Cúria Romana que consideraram o discurso um tanto impiedoso.

“Quem sou eu para comentar sobre tudo isso? Eu, de forma alguma, quero ser lembrado como o adversário do papa na imprensa alemã. Eu estava presente e não me esqueci do pedido do papa para rezarmos por ele”, afirmou enfaticamente o religioso.

Mas o entrevistador insistiu que o cardeal já era visto como a antípoda conservadora do Papa Francisco.

Müller rejeitou a ideia.

“Não sou – por princípio – uma antípoda do papa e, com certeza, não me filio a nenhuma direção ideológica, seja ela conservadora ou progressista, de direita ou de esquerda”, respondeu.

O cardeal falou que a divisão das pessoas em dois campos segundo suas Weltanschauungen (visões de mundo), filiações religiosas ou partidos políticos era uma “afronta à razão”, visto que os seres humanos são capazes de discernimento. Acrescentou que o Papa Francisco não era nem progressista nem conservador, e que tampouco precisava de um “antagonista” conservador ou progressista.

Quando perguntado sobre o que diria aos que consideram o Papa Francisco um herege, Müller disse que a heresia era a negação teimosa de uma verdade de fé e de um ensino católico vinculante. Disse que algo assim exige uma prova rigorosa.

No entanto, em aparente defesa dos críticos do papa, falou que nenhum católico é obrigado incondicionalmente a aprovar tudo o que os seus superiores na Igreja dizem. Por outro lado, insistiu que “os críticos dos críticos” – especialmente se adoram um eclesiástico como uma estrela pop – não compreendem a natureza verdadeira da autoridade da Igreja.

Segundo Müller, ele continua a se encontrar com o agora emérito Bento XVI na medida em que a saúde do ex-papa permite, já que o cardeal supervisiona a publicação das Obas Completas de Joseph Ratzinger/Bento XVI, em dezesseis volumes.

Quando perguntado se havia sido mais fácil trabalhar como chefe da congregação doutrinal sob o comando de Bento XVI do que em relação ao período em que esteve aí sob o comando de Francisco, o cardeal secamente respondeu:

“O primeiro me nomeou prefeito e o segundo encerrou o meu mandato”.

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