Papa responde às cartas de presas argentinas: “A prisão não pode ser reduzida a um castigo”

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09 Fevereiro 2019

“Vocês estão privadas de sua liberdade, não de sua dignidade, nem de sua esperança”. São palavras reservadas pelo Papa a um grupo de presidiárias argentinas. Elas, encarceradas na Unidade 31 do Centro Federal de Detenção para Mulheres de Ezeiza, haviam lhe escrito cartas contando suas histórias, suas angústias e seus problemas. Francisco decidiu respondê-las e advertiu que a prisão não pode ser reduzida a um mero castigo, porque “a sociedade tem a obrigação de procurar a reinserção, no o descarte”.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada por Vatican Insider, 07-02-2019. A tradução é do Cepat.

A carta está datada em 3 de fevereiro último. Redigida em papel timbrado com o escudo papal, carrega o inconfundível autógrafo do Pontífice em letras pequenininhas. Vatican Insider teve acesso ao documento, dirigido justamente à Unidade 31 e com o cabeçalho “Queridas irmãs”.

Fonte: Vatican Insider

A carta de Francisco

Antes de tudo, Jorge Mario Bergoglio agradeceu “de coração” as cartas que as detidas lhe enviaram em dezembro, nas quais – seguiu – manifestam tanto esperança como dores, temores e interrogações. Acrescentou seus agradecimentos também às professoras de uma oficina de ‘fibrofácil’, uma técnica artesanal que serve às reclusas para o presente e o futuro.

“Jesus nos convida a deixar a lógica simplista de dividir entre bons e maus para ingressar em outra dinâmica, capaz de assumir a fragilidade, nossos limites e pecados, e assim poder avançar. E podemos fazer isso porque a misericórdia do Senhor abraça todos nós”, escreveu o Papa.

E continuou: “Muitas de vocês são mães e, em suas cartas, pedem por seus filhos. Sabem o que é gestar a vida. Hoje, têm o desafio de gestar o futuro e têm a capacidade para isso, mesmo quando precisam lutar contra tantos determinismos. Não se deixem coisificar, não são um número, são pessoas que gestam esperança porque querem parir esperança. Vocês estão privadas de sua liberdade, não de sua dignidade, nem de sua esperança”.

Especificou que nenhum conflito se resolve isolando, afastando ou descartando pessoas. Também constatou que, muitas vezes, perde-se de vista o que deve estar no centro das preocupações em relação aos presos: suas vidas, as de suas famílias e as daqueles que também sofreram por causa do círculo da violência.

“A prisão não pode ser reduzida a um castigo, a sociedade tem a obrigação de procurar sua reinserção, não seu descarte. A reinserção começa criando um sistema que poderíamos chamar de saúde social, ou seja, uma sociedade que procure que não se adoeçam as relações no bairro, nas escolas, nas praças, nas ruas, nos lares, em todo o âmbito da vida em comum. E, sobretudo, uma sociedade sem excluídos, nem marginalizados”, continuou.

O líder católico se despediu invocando que o Senhor abençoe as presas, que a Virgem Maria as proteja, a seus filhos e a seus familiares. “Rezo por vocês. Rogo-lhes que rezem por mim”, acrescentou.

As cartas das reclusas chegaram a Roma graças ao jurista argentino Roberto Carlés, também secretário da Associação Latino-Americana de Direito Penal e Criminologia. Ele viajou ao Vaticano em dezembro para participar em uma audiência do Pontífice com uma comitiva da Comissão Internacional contra a Pena de Morte. Francisco recebeu as mensagens prometendo lhes prestar atenção. E assim fez, desejando responder pessoalmente.

“A situação das presas (na Argentina) piorou muito nos últimos anos, em consequência do crescimento da população carcerária por causa da luta contra o narcotráfico (no país), que está sendo cortado pelo mais fino, como sempre”, explicou Carlés, em declarações a esta página web.

Com essas palavras se referiu, indiretamente, às consequências da política de segurança do governo encabeçado pelo presidente Mauricio Macri e a secretária do setor, Patricia Bullrich, que promoveram a “mão dura”, fazendo com que - como indica o advogado - os detidos e as detidas sejam o último elo da rede mafiosa que comercializa a droga.

“O Papa recebeu essas cartas em dezembro e agora oferece uma resposta, que se deve ressaltar no restante de suas intervenções sobre o tema penal”, apontou Carlés.

“Esta carta é outro chamado de Francisco a não utilizar a prisão como um lugar de descarte, na qual se coloca o que incomoda a sociedade, e trabalhar para oferecer mais oportunidades àqueles que estão em situações vulneráveis, antes que caiam na prisão, e ajudar a reincorporá-los na sociedade, uma vez que estão aí”, assinalou.

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