Abaixo-assinado de solidariedade e apoio à resistência e autonomia zapatista

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14 Janeiro 2019

Publicamos aqui o abaixo-assinado em solidariedade e apoio à resistência e autonomia dos zapatistas do México, que neste momento estão sob a ameaça de megaprojetos empresariais e turísticos impulsionados pelo novo governo. A adesão ao abaixo-assinado pode ser feita até esta terça-feira, 15 de janeiro, através de mensagem enviada para Jérôme Baschet <Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.>. A tradução é de André Langer.

Eis a nota.

Queridos amigos e amigas,

a iniciativa coletiva de uma carta de solidariedade internacional acaba de tomar forma.

Esperamos sinceramente que aceite assiná-la. E talvez também solicitar outras assinaturas dentro do seu raio de atuação.

O prazo é a próxima terça-feira, 15 de janeiro de 2019.

Se desejar assinar, favor me responder indicando entre parênteses, depois do seu nome: profissão, instituição a que está vinculado(a) (se for o caso), cidade e país.

Agradecemos antecipadamente, Jérôme.

Carta de solidariedade e apoio à resistência e autonomia zapatista

Nós, acadêmicos, intelectuais, artistas, ativistas e pessoas de boa vontade, assim como organizações, associações e coletivos de diversos países, expressamos a nossa solidariedade e apoio ao EZLN (Exército Zapatista de Libertação Nacional) em um momento crucial da sua história; repudiamos a atual campanha de desinformação, mentiras e calúnias que se dirige contra ele no México e em outros países.

Para nós, assim como para muitas pessoas do mundo inteiro, a luta zapatista é um exemplo de resistência, dignidade, coerência e criatividade política. Há 25 anos, o seu “Ya Basta!” foi um acontecimento de grande alcance e uma das primeiras grandes reações à globalização neoliberal, abrindo caminho para a crítica de um modelo cujo triunfo então parecia absoluto e definitivo. Foi também, e ainda hoje é, a expressão da luta legítima dos povos indígenas contra a dominação e o desprezo sofridos durante séculos e para o exercício do seu direito à autonomia.

O autogoverno popular que os zapatistas implementaram através de seus conselhos de bom governo constitui um exemplo de democracia real e radical que pode alimentar aspirações amplamente compartilhadas em todo o mundo e é digna de ser estudada em todas as faculdades de ciências sociais do mundo. A construção da autonomia zapatista representa a busca constante, honesta e crítica de um projeto alternativo e emancipador que é essencial para enfrentar os desafios de um mundo que parece mergulhar cada vez mais em uma profunda crise ao mesmo tempo econômica, social, política, ecológica e humana.

Nós expressamos nossa preocupação com relação à situação das comunidades zapatistas e indígenas do México por causa da multiplicação dos projetos de mineração, turismo, agroindustriais, infraestrutura e outros que afetam seus territórios e seu modo de vida, conforme denunciaram o Congresso Nacional Indígena e o Conselho Indígena de Governo. Neste exato momento, estamos particularmente preocupados com os megaprojetos promovidos pelo novo governo mexicano, como o Corredor Transístmico, o plantio de um milhão de hectares de árvores para exploração do setor agroindustrial e o mal chamado “Trem Maia”, recentemente denunciado como humilhação e provocação pelo subcomandante Moisés, porta-voz do EZLN.

Além dos devastadores efeitos ambientais deste projeto e do desenvolvimento em massa do turismo que pretende desencadear, notamos a celeridade com que os trabalhos do “Trem Maia” foram lançados no dia 16 de dezembro, sob o pretexto de um pseudo ritual à Mãe Terra, denunciado pelo porta-voz zapatista como uma ofensa intolerável. Estamos preocupados com o fato de que um novo ataque às comunidades indígenas esteja sendo preparado e que tenha sido nulo e sem efeito o caráter obrigatório da consulta real, prévia, livre e informada, prevista na Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e na Declaração da ONU sobre os povos indígenas, o que equivale a violar os compromissos internacionais ratificados pelo México.

Nós compartilhamos a rejeição expressa pelo EZLN aos megaprojetos que afetam seriamente os territórios autônomos e as formas de vida dos povos indígenas, particularmente os povos maias que vivem no sudeste do México.

Nós denunciamos antecipadamente qualquer agressão contra as comunidades zapatistas, exercida diretamente pelo Estado mexicano ou através de grupos “civis” armados ou não.

Nós responsabilizamos o governo mexicano por qualquer confronto que possa surgir no âmbito da execução destes megaprojetos, que correspondem a um modelo ultrapassado de “desenvolvimento”, insustentável e destruidor, decidido nas cúpulas do poder e em violação aberta dos direitos dos povos originários.

Nós apelamos às pessoas generosas a superarem a atual desinformação sobre a experiência zapatista e os megaprojetos que foram mencionados, e a permanecerem em alerta para o risco de agressão contra as comunidades zapatistas e os povos originários do México.

Seguem-se as assinaturas.

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