Francisco, há pessoas que adoecem e morrem por causa da água contaminada, é uma vergonha

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09 Novembro 2018

"É uma imensa vergonha para a humanidade do século XXI" que ainda hoje existam pessoas “que adoecem e frequentemente morrem por causa da água insalubre”. O Papa Francisco expressou seu pesar na mensagem enviada aos participantes na Conferência Internacional sobre "A gestão de um bem comum: o acesso à água potável para todos", que aconteceu nesta quinta-feira na Pontifícia Universidade Urbaniana.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 08-11-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

A iniciativa foi promovida pelo Dicastério para o desenvolvimento humano integral, em colaboração com as embaixadas de França, Itália, Mônaco e dos Estados Unidos junto à Santa Sé, e contou com a participação de expoentes de diferentes credos e culturas, representantes de instituições da Igreja e do mundo acadêmico, especialistas em ciências ambientais e sociais. Para eles, o Papa dirigiu o convite de "compartilhar em seus âmbitos profissionais e políticos a urgência, a vontade e a determinação necessárias" para alcançar essa meta de acesso à água potável para todos.

Porque "a água é fundamental para a vida", afirmou o Papa. E "em tantas áreas do mundo, nossos irmãos e irmãs não podem ter uma vida digna por causa da falta de acesso à água potável”', enquanto que nos mesmos países "não faltam o fornecimento de armas e munições que continuam a deteriorar a situação".

"A corrupção e os interesses de uma economia que exclui e mata muitas vezes prevalecem sobre os esforços que, de maneira solidária, deveriam garantir acesso à água", observou o Papa Bergoglio. Ele citou estatísticas da falta de água que falam de mais de 600 milhões de pessoas no mundo obrigadas a beber água suja para enfatizar como são urgentes "vontade e determinação", "e todos os esforços institucionais, organizacionais, educacionais, tecnológicos e financeiros não podem faltar”.

Recordando a encíclica Laudato si' e a mensagem do último 1º de setembro, dia da oração para a proteção da criação,o Papa assegurou que: "A Santa Sé e da Igreja estão trabalhando para promover o acesso à água potável para todos”. Um compromisso que se manifesta em múltiplas iniciativas como "a realização de infraestruturas, a formação, a sensibilização, a assistência às populações em perigo cuja provisão de água está comprometida, incluindo os migrantes, e o apelo para aquele conjunto de referências éticas e princípios que brotam do Evangelho e de uma antropologia sadia”.

"Uma antropologia adequada é, de fato, indispensável para estilos de vida responsáveis e solidários, para uma verdadeira ecologia, bem como para o reconhecimento do acesso à água potável como um direito que decorre da dignidade humana, portanto incompatível com a concepção da água como uma mercadoria qualquer”, enfatizou o Papa Francisco. "Os princípios e valores evangélicos devem conduzir ao compromisso concreto de cada um de nós para a realização do bem comum de toda a família humana".

Existe, de fato, uma "dupla dimensão espiritual e cultural de água", que "nunca deve ser negligenciada", porque "é central na formação da malha social, da convivência e da organização comunitária."

Além dos esforços concretos, o Papa Francisco concluiu a sua mensagem, convidando "a meditar sobre a simbologia da água nas principais tradições religiosas" e à "contemplação desse recurso", que, como escrevia São Francisco de Assis, é "muito útil e humilde e precioso e casto".

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