26 Outubro 2018
"Vamos chamar isso como deve ser chamado: sexismo. E a marca sexista da Igreja é mais persuasiva do que qualquer outra por estar vinculada a teologias criadas por homens que sustentam uma exegese que ignora em grande parte as mulheres que foram as primeiras a chegar ao túmulo vazio, as primeiras protagonistas da história da Ressurreição, e a confiança pouco usual (para a época) de Jesus nelas durante todo o seu ministério", diz o editorial de National Catholic Reporter, 25-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.
Eis o texto.
Há uma sensação de “inevitável” por trás do canto que foi entoado durante um protesto pacífico que ocorreu no dia 3 de outubro no Vaticano. Ele chamou atenção global enquanto os bispos e os cardeais se encaminhavam para a sessão de abertura do Sínodo dos Bispos sobre a juventude.
Organizado pela Conferência da Ordenação das Mulheres, o protesto ocorreu em virtude do fato de que as mulheres não foram permitidas a votar nas sessões do sínodo.
“Toc, toc. Quem é? Mais da metade da igreja!”
É uma charada contagiante, que fala das mulheres, evidentemente.
Visite qualquer igreja, em qualquer lugar, em qualquer domingo. Ninguém precisa de uma pesquisa científica para aceitar a causa.
E, homens, vocês de chapéu roxo ou vermelho que até agora na história da Igreja Católica usufruíram do luxo de se sentar diante de outros homens e se pronunciar como príncipes para cerca de 1,3 bilhões de católicos ao redor do mundo, vocês não ficaram sabendo da última novidade.
As mulheres não irão embora.
No caso particular sobre o papel votante no Sínodo, vocês se contradizem. Como Josh McElwee contou recentemente, o Irmão lassalista Robert Schieler, membro votante do sínodo, perguntou a um representante oficial do sínodo antes da reunião por que as mulheres religiosas presentes nos encontros não podem votar.
O representante respondeu: “Bem, porque você precisa ser ordenado para votar.”
Mas Schieler, sendo um irmão, não é ordenado. Então, refletiu Schieler, “a razão é realmente essa?”
Não é. A razão real não tem nada a ver com as diferenças ontológicas ou com qualquer tradição que faça sentido. Vamos chamar isso como deve ser chamado: sexismo. E a marca sexista da Igreja é mais persuasiva do que qualquer outra por estar vinculada a teologias criadas por homens que sustentam uma exegese que ignora em grande parte as mulheres que foram as primeiras a chegar ao túmulo vazio, as primeiras protagonistas da história da Ressurreição, e a confiança pouco usual (para a época) de Jesus nelas em todo o seu ministério. A cada ano que passa, essas teologias fazem menos sentido.
Talvez, com esse imenso escândalo que a cultura clerical exclusivamente masculina se submeteu, a igreja seja forçada a mudar.
Os bispos americanos, que tropeçaram degrau pós degrau nesse escândalo, tentarão uma nova e admirável abordagem quando se retirarem por uma semana em janeiro. Esse retiro será liderado por um líder espiritual, outro homem. Eles ousariam convidar alguma forte voz feminina para o encontro? Se for o caso, nós podemos sugerir algumas.
Em algumas semanas, os bispos preencherão um grande salão em Baltimore para realizar sua reunião anual, e a única mulher presente estará em segundo plano.
Se tirássemos as telas e a votação eletrônica, poderíamos nos pegar entrando no mesmo cenário de vários séculos atrás.
A maioria das mulheres está há muito tempo cansada das declarações papais sobre o “gênio feminino”, ou de figurar como apenas a cereja do bolo, ou como interpretações de Maria, que se limitam a uma docilidade virginal mágica e ignoram a dura realidade de uma mãe que lida com um filho pregador itinerante que acaba no lado errado da lei civil e religiosa.
Toc. Toc. Mais da metade da Igreja quer entrar. E elas têm a oferecer muita coisa que falta.
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