Francisco: “Penso no momento em que terei que me despedir...”

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16 Maio 2018

O Papa Francisco pensa no momento da sua despedida. Mas sem alarmes, não há renúncia à vista, mas simplesmente a projeção desse momento em que, “como bispo”, o Pontífice poderá dizer, seguindo os passos de São Paulo: “Eu percorri este caminho. Continuem vocês”. Partindo justamente do exemplo do apóstolo, que na leitura dos Atos de hoje se despede dos anciãos da Igreja de Éfeso para dirigir-se a Jerusalém, o Papa desenvolveu sua homilia matutina de hoje, 15 de maio, na missa na capela da Casa Santa Marta.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 15-05-2018. A tradução é de André Langer.

“O testamento de Paulo é um testemunho. É também um anúncio. É também um desafio”, observou Bergoglio, segundo indicou o Vatican News. “Quão distante está este testamento – observou o Papa – dos testamentos mundanos: ‘Isso deixo para ele; isso para aquele ou para aquele outro...’, tantos bens. Paulo não tinha nada. Somente a graça de Deus, a coragem apostólica, a revelação de Jesus Cristo e a salvação que o Senhor lhe tinha dado”.

“Quando eu leio isso, penso em mim”, revelou Francisco, “porque sou bispo e devo me despedir. Peço ao Senhor a graça de poder me despedir assim. E no exame de consciência, não sairei vencedor como Paulo... Mas o Senhor é bom, é misericordioso”.

O Papa também dirigiu um pensamento a “todos os bispos”, a quem, mais uma vez, recordou a prioridade do seu ministério: “Vigiar o rebanho”. “Vigiem o rebanho; vocês são bispos para o rebanho, para guardar o rebanho, não para escalar uma carreira eclesiástica, não”, exortou Francisco. E pediu para todos os pastores “a graça” de poderem se despedir como São Paulo, quando convocou os presbíteros anciãos da Igreja de Éfeso “com este espírito, com esta força”.

Paulo, comentou o Papa, “acima de tudo, faz uma espécie de exame de consciência. Ele diz o que fez pela comunidade e o submete ao seu julgamento”. Parece “um pouco orgulhoso”, disse Francisco, mas, na realidade, “é objetivo”. Vangloria-se apenas de duas coisas: “de seus próprios pecados e da cruz de Jesus Cristo que o salvou”.

“Obrigado pelo Espírito”, Paulo deve ir a Jerusalém. “Esta é experiência do bispo, o bispo que sabe discernir o Espírito, que sabe discernir quando é o Espírito de Deus que fala e que sabe defender-se quando fala o espírito do mundo”, insistiu Bergoglio.

O apóstolo está consciente, de alguma forma, de estar indo “ao encontro de tribulações, rumo à cruz, e isso nos faz pensar sobre a entrada de Jesus em Jerusalém, não? Ele entra para sofrer e Paulo vai ao encontro da paixão”. “O apóstolo – continuou o pontífice – oferece-se ao Senhor, sendo obediente. Esse sentir-se ‘advertido’ pelo Espírito. O bispo que segue em frente sempre, mas segundo o Espírito Santo. Este é Paulo”. “É uma passagem forte, uma passagem que chega ao coração; é também uma passagem que nos mostra o caminho de cada bispo no momento da despedida”, sublinhou Francisco.

Nesta despedida não há testemunhos mundanos: “Ele não aconselha: ‘Isso deixo para ele; isso para aquele ou para aquele outro...’”. Não. Paulo afirma que não desejou para si “nem prata nem ouro, nem as vestes de ninguém”; para ele, a única coisa que conta é encomendar a Deus os presbíteros, com a certeza de que o Senhor os protegerá e ajudará. “Seu grande amor é Jesus Cristo. Seu segundo amor, o rebanho. ‘Vigiem por vocês mesmos e por todo o rebanho’. Vigiem o rebanho; vocês são bispos para o rebanho, para guardar o rebanho, não para escalar uma carreira eclesiástica, não”, insistiu Francisco.

E conclui pedindo a graça, para “todos nós” para “podermos nos despedir assim, com este espírito, com esta força, com este amor de Jesus Cristo, com esta confiança no Espírito Santo”.

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