Wim Wenders e o Papa: "Nunca teria sonhado em rodar um filme com Francisco"

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16 Março 2018

O diretor alemão levou dois anos para realizar "O Papa Francisco, um Homem de Palavra", o documentário coproduzido pelo Vaticano, que estará nos cinemas dos EUA no próximo 18 de maio.

"Mesmo nos meus sonhos mais ousados, nunca teria imaginado de fazer um filme sobre o Papa Francisco", confessa Wim Wenders, que trabalhou dois anos frente a frente com Bergoglio para realizar Um homem de palavra, o documentário que será lançado nos cinemas dos EUA em 18 de maio. O diretor alemão conta sua experiência no site do Vatican News, que escolheu o quinto aniversário da eleição de Francisco para lançar o trailer e falar sobre o filme em que o Papa responde, em primeira pessoa, aos principais desafios globais do mundo contemporâneo.

A informação é publicada por La Repubblica, 13-03-2018. A tradução é de Ramiro Mincato.

"Quando recebi a carta-convite para vir ao Vaticano discutir a possibilidade de rodar um filme sobre o Papa com Monsenhor Dario Viganò, primeiro respirei profundamente, depois caminhei ao redor do prédio - revela o regista no Vatican News – e percebi que um projeto desse tipo comporta uma grande responsabilidade. De qualquer modo, uma tarefa totalmente diferente de qualquer filme que filmara até então, mas é claro que eu teria ido, para saber o que Don Dario tinha em mente, e descobri que me dava carta branca, com a possibilidade de decidir eu mesmo como realizar o filme, e que o Vaticano não interferiria e abriria os arquivos. Eu respondi que sim, é claro".

"Demorou um pouco para minha ideia tomar forma: da primeira entrevista até o final do filme, passaram cerca dois anos, três longas conversas e uma filmagem em Assis”, explica Wenders. E, em seguida, meses e meses na sala de montagem editando, até que o filme tomou forma. E responde plenamente às altas expectativas que me tinha colocado, ou seja, que permitiria ao Papa Francisco falar diretamente a cada espectador e a cada ouvinte, de todos os tópicos e preocupações importantes para ele, quase em um cara a cara".

O diretor diz que ficava "sempre impressionado com o fato de o Papa Francisco estar aberto a todas as questões, e de como ele sempre respondia de forma direta e espontânea, e depois de cada uma das quatro longas sessões, tirava tempo para apertar a mão de todos, sem fazer diferenças entre produtor, diretor, eletricista ou assistente". "Eu já tinha a maior estima pelo Papa Francisco antes mesmo de encontrá-lo, apenas por vê-lo na televisão, ter lido seus discursos ou suas encíclicas”, conclui Wenders. Mas encontrá-lo cara a cara, e depois vê-lo e ouvi-lo todos os dias na sala de edição, não só durante nossas conversas, mas também em seus discursos em todo o mundo, para refugiados, prisioneiros, políticos, cientistas, crianças, pessoas ricas, pobres ou gente normal, me fez perceber o quanto é corajoso, quão intrépido. Meu desejo é esse: que nunca perca sua coragem inabalável".

Wenders lembra que toda vez que o Papa deixava o set, a última coisa que ele dizia era: "Pregate per me". "E isso, sublinha o regista, não era apenas uma maneira de cumprimentar: realmente ele pensava isso. Eu o ouvi pedir a mesma coisa às pessoas de todo o mundo, e esse é o meu segundo desejo: que seja sustentado por todas essas orações feitas para ele, por todas essas pessoas (incluindo minha pequena equipe de filmagem) para as quais, ele representa um homem em cuja palavra se pode confiar. Esta característica é hoje rara e preciosa: um homem que não age por si mesmo, mas para o bem comum".

O projeto roda em torno a um longo diálogo com o Pontífice que se detém sobre diferentes temas: morte, justiça social, imigração, ecologia, desigualdade, materialismo e o papel da família. Também, graças às particulares técnicas de filmagem, feitas no Vaticano, em colaboração com a mídia do Vaticano, o Papa se dirige diretamente ao espectador, estabelecendo um relacionamento íntimo com o observador e com as pessoas que encontra. Uma atenção especial também foi dada à busca de imagens de repertórios tiradas dos arquivos do Vaticano, que mostram o Papa em alguns momentos-chave em suas muitas jornadas: quando fala nas Nações Unidas, dirige-se ao Congresso dos Estados Unidos, chora no Ground Zero e em Yad Vashem, o Centro Mundial de Memória do Holocausto em Jerusalém, fala aos detentos em prisões e aos prófugos nos campos de refugiados no Mediterrâneo.

Distribuído pela Focus Features, Papa Francisco. Um homem de palavra, realizado por Wim Wenders com Samanta Gandolfi Branca, Alessandro Lo Monaco, Andrea Gambetta e David Rosier.

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