O Cântico do Irmão Sol. Francisco de Assis "já não era mais um homem que orava, havia se tornado uma oração viva"

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06 Outubro 2017

Inverno 1224-1225. Francisco de Assis é um homem de pouco mais de quarenta anos, que viveu de acordo com os preceitos do santo Evangelho. O Senhor havia lhe dado alguns irmãos, aos quais entregou uma regra que a Igreja aprovou, embora tenha continuado a reiterar que a única verdadeira Regra é "observar o santo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo" (Regula bullata 1). Quando sua comunidade torna-se grande, em 1220 ele deixa a direção aos irmãos, mas não renuncia a ser seu guia espiritual, embora verifique que o projeto que o Senhor tinha revelado agora já não era mais seguido por seus irmãos, e ele havia se tornado objeto de contestação e também de desprezo. Frequentemente, em retiro com algum irmão, vive a "grande tentação", enquanto a saúde física deteriora-se e a doença o torna fraco e tira-lhe a visão. Em sua enfermidade, é acolhido por Clara no jardim do mosteiro, cada vez mais provado e tentado, mas confortado pela presença da mulher que se dizia "plantinha de Francisco."

O artigo é do monge italiano Enzo Bianchi, fundador da Comunidade de Bose, em artigo publicado por L'Osservatore Romano, 04-10-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Agora já muito parecido ao seu Senhor humano, depois de uma noite terrível, de trevas até mesmo interiores, na manhã levantou-se e disse aos irmãos que estavam com ele: "Pela graça e bênção tão grande que me foi dada (...) quero, em louvor Dele, para o meu consolo e para a edificação do próximo, compor um novo Louvor ao Senhor por suas criaturas "(Legenda Perusiana [ Compilatio Assisiensis] 43; Fontes franciscanas 1591).

E assim, um silêncio, com o rosto voltado para o sol que já não podia mais ver, porque seus olhos estavam vendados depois de ter sidos cauterizados, começou a dizer:

Altissimu onnipotente bon Signore, Tue so’ le laude, la gloria e l’honore et onne benedictione. Ad Te solo, Altissimo, se konfane et nullu homo ène dignu Te mentovare (o texto é tirado de Fontes franciscanas 263).

Eis como nasceu o Cântico do Irmão Sol ou Cântico das Criaturas: de um homem, um cristão doente, fraco, pobre e em tentação, já cego, impossibilitado de ver o sol e as outras criaturas.

Com esse cântico, alimentado pela oração, inspirado pelos salmos bíblicos e gerado por seu coração capaz de ver e observar com os olhos a beleza de cada criatura animada ou inanimada, Francisco diz primeiramente um "amém", um "sim" à vida e a este mundo, em seguida, louva, agradece ao seu Senhor que chama com intimidade e amor "mi’ Signore', o meu Senhor. Como nos testemunha Tomás de Celano, Francisco “já não era mais um homem que orava, havia se tornado uma oração viva” (non tam orans, quam oratio factus; o texto é de Segunda Vida 95; Fontes franciscanas 682).

Ao Altíssimo, ao bom Senhor, ao mi’ Signore - epítetos divinos dispostos em uma escala de decrescente, do céu à terra - Francisco em primeiro lugar confessa que o louvor é devido à glória, à honra e à bênção, em uma doxologia que lhe foi inspirada pelas aclamações das liturgias celestes narradas no Apocalipse (cfr. Apocalipse 4, 11; 5, 9-10.12-13, etc). Deus é aquele que é Altíssimo, porque Francisco sente-se muito baixo (o très-bas de Christian Bobin) e sente que nenhum homem, nem mesmo ele, é digno de "mentovarlo", de nomeá-lo, porque Deus permanece inefável, indizível, de acordo com todos os Escrituras do Antigo e do Novo Testamento: "Deus nunca foi visto" (Jo 1, 18): "Ninguém jamais viu a Deus" (1 Jo 4, 12). Por isso não deve ser nomeado, sendo o seu Nome impronunciável, misterioso, e sendo uma operação arriscada dar nomes a Deus. Nesse primeiro verso do Cântico existe, portanto, apenas uma confissão de louvor a Deus e de humildade-indignidade de quem se atreve a rezar.

Eis aqui a possibilidade do louvor "através" e "com" todas as criaturas: o louvor cósmico não é feito de palavras sonoras, mesmo assim é uma mensagem que um dia fala a outro dia e uma noite a revela a outra noite (cfr. Salmo 19, 2-3), de modo que o cosmos está repleto de louvor que se eleva a Deus. Não convocam, por fim, os salmos as criaturas do céu, da terra e das profundezas a louvar ao Senhor? No livro de Enoque está escrito: "O sol e a lua dão graças e louvam incessantemente. Para eles, de fato, o agradecimento é repouso "(41, 6-7). Então, o cântico de Francisco respira o ritmo de aleluia do convite ao louvor do Senhor, tornando-se voz de cada criatura.

Francisco ama todas as criaturas que vê, encontra, com que interage. Ele as vê, não só as olha, contempla-as até exultar e alegrar-se por sua existência ou presença. Francisco busca pela beleza, é um amator pulchritudinis (cfr. Regra de Agostinho 8, 1), um visionário que penetra além da matéria, não negada, não desprezada, mas percebida como reflexo, um sinal do Criador. Gregório Magno afirma em uma homilia: "O homem tem algo de todas as criaturas. Com as pedras têm em comum o fato de ser, com as árvores, a vida, com os animais, os sentidos e com os anjos, a inteligência. Se, portanto, tem algo em comum com todas as criaturas, ele é, em certo sentido, toda criatura "(Homilia 29, 2, Sources Chrétiennes 522.202). O ser humano está, portanto, habilitado não só a ordenar e a subjugar, mas principalmente a tutelar, a ser responsável, a unir a sua voz com àquela das criaturas - cum tucte le tue creature – até tornar-se a sua voz. Depois, então, o cântico prossegue:

Laudato sie, mi’ Signore, cum tucte le Tue creature, spetialmente messor lo frate sole, lo quale è iorno, et allumini noi per lui. Et ellu è bellu e radiante cum grande splendore: de Te, Altissimo, porta significatione.

Para quem, para o que deve ser "spetialmente" – ou seja, em primeiro lugar, acima de tudo, de uma maneira especial - louvado o Senhor? Para "messor", "o meu senhor," irmão sol. O sol, o sol sem o qual não haveria vida, sem o qual reinaria a escuridão da morte! Foi a primeira criatura adorada pelos homens e leve será a repreensão para aqueles que o transformaram em ídolo, porque seduzidos pela beleza, luz, pelas possibilidades de vida que traz com ele (cfr. Sabedoria. 13: 1-7).

Para Francisco, o sol é "significatione", porque no sol ele contempla a ação luminosa e vivificante de Deus. O sol nos dá todas as manhãs o dia, ilumina as nossas vidas e é belo, glorioso no seu irradiar esplendor. Quem entre nós nunca sentiu em si a necessidade de se ajoelhar na frente do Irmão Sol? Quem entre nós nunca disse para si mesmo, ao acordar pela manhã e ver o sol, que aquele dia era melhor do que um dia nublado, sombrio? Claro, só os puros de coração veem Deus nas criaturas, especialmente no sol!

Francisco também tinha praticado cantar o louvor de Deus ao amanhecer, quando o sol aparece no horizonte, estrela da manhã; ao meio-dia, quando ele reina no céu e aquece a terra e o coração; à noite, quando ele se põe e desaparece, como memória que para cada um de nós há um fim para o seu dia. A sua oração, cadenciada pelos movimentos do sol, levou-o a considerá-lo "messor", "meu senhor", e lê-lo como um grande sinal de Deus, de Cristo, o sol da justiça (cf. Mc 3, 20; Lucas 1, 78; Apocalipse 2, 28; 22, 16). Após o louvor ao sol, Francisco continua:

Laudato si’, mi’ Signore, per sora luna e le stelle: in celu l’ài formate clarite et pretiose et belle.

Depois do sol, que permite o dia, eis também os luminares da noite, a lua e as estrelas. Foram moldadas pelo Criador “clareadas", claras, com uma luz branca, são preciosas como pérolas que pontilham a noite e também são lindas de se olhar, de contemplar. Olhar para o céu estrelado, observar seu lento movimento, seguir o aparecimento e desaparecimento dos planetas, decifrar as fases da lua em seu crescer e minguar, é operação de reconhecimento da abóbada celeste que os seres humanos sempre fizeram, ouvindo extasiados a aceleração dos próprios batimentos cardíacos. A lua, tão fiel aos seus encontros, a Lua que desde os tempos antigos marca o tempo, a lua em cujo brilho noturno pode-se ouvir o silêncio e a natureza que geme e sofre. Até mesmo Clara, era luminosa como as estrelas na noite de Francisco: luminosa, discreta e fiel!

Laudato si’, mi’ Signore, per frate vento et per aere et nubilo et sereno et onne tempo, per lo quale a le Tue creature dài sustentamento.

Depois do sol, da lua e das estrelas, o louvor sobe ao Senhor para o vento e para o tempo que está nublado ou sereno, conforme o necessário. O vento é a respiração do mundo, faz cantar as criaturas inanimadas quando as acaricia ou flagela: picos e desfiladeiros das montanhas, vales, árvores, folhas... Como o Espírito, não se sabe de onde vem nem para onde vai: símbolo de liberdade, de força que você não pode segurar, de realidades invisíveis, mas experimentáveis, que não podem ser detidas (cfr. Jo 3: 5-8). Graças ao vento que traz nuvens carregadas de chuva e, depois, as varre trazendo de volta o céu sereno, Deus dá sustento a todas as criaturas, porque assim "derrama chuva sobre justos e injustos" (Mt 5, 45), como Pai misericordioso. "No vento, se você souber ouvi-lo, tem Alguém", dizia Gaston Bachelard. Francisco sabe que Deus "faz seus mensageiros os ventos" (Salmo cf. 104: 4) e que o vento é sinal da presença do Senhor, porque é invisível, mesmo assim pode ser experienciado. Não teve, de fato, vento no início da criação, quando soprava sobre as águas primordiais (cfr. Gn 1, 2)? Não teve vento na saída de Israel do Mar Vermelho (ver Êxodo 15: 8.)? Não teve brisa silenciosa no rosto de Elias no Horebe (cf. 1 Reis 19, 12)? Não teve um vento veemente na descida do Espírito no dia de Pentecostes (cf. At. 2: 1-2)? Portanto, seja louvado o Senhor por esta criatura, o vento, criatura invisível, mas cuja presença é evidente quando chega sobre as criaturas visíveis, que estremecem à sua passagem. Segue o louvor para os outros elementos: água, fogo, terra. Começa pela água:

Laudato si’, mi’ Signore, per sor’aqua, la quale è multo utile et humile et pretiosa et casta.

Para a água sobe a Deus o louvor, porque é muito útil, útil como o sol para a vida. Sem água só é possível uma terra desolada, o deserto, enquanto nos lugares chega a água flui a vida. É por isso que é destinada para todos, não pode submeter-se à lógica do meu e do teu! Além disso, se destina a todos aqueles que vivem na terra, animais, vegetais, mas também minerais que, graças à água, se transformam, e podemos dizer que eles também vivem, não biologicamente, mas mudando ao longo dos séculos.

Francisco sente a necessidade de dizer que a água não é apenas útil, mas também humilde, humilde na sua simplicidade, humildade, porque sempre vai para baixo. Também é preciosa porque fecunda a terra; e dessa preciosidade só nos apercebemos quando falta, na seca, mas justamente por isso Francisco lembra sua preciosidade. Por fim, a água é casta, porque transparente, límpida. A castidade, de fato, é a transparência em todas as relações, exclui toda fusionalidade, toda ocultação, toda turbidez.

Laudato si’, mi’ Signore, per frate focu, per lo quale ennallumini la nocte: et ello è bello et iocundo et robustoso et forte.

Raramente agora vemos o fogo e quase nunca o acendemos. No entanto, até um século atrás, todas as noites, os homens e as mulheres acendiam o fogo para iluminar a noite, mas também, para se aquecer e cozinhar seus alimentos. Cada casa tinha uma lareira, a ponto de usar sua presença para indicar o número de famílias: "Essa aldeia tem tantas lareiras, tantos fogos". Acender o fogo foi considerado uma ação sagrada, e quando o fogo ardia, a alegria enchia o coração. Para Francisco o fogo, como o sol, a lua e as estrelas, é lindo de se olhar, contemplar. Parece robusto, forte, porque queima qualquer coisa, coloca em brasa e torna dúctil o ferro, discerne e purifica o ouro.

É preciso ser capaz de ler o fogo para apreciá-lo devidamente: as cores brilhantes de sua chama que dependem da madeira seca ou ainda verde com que é alimentado, das diferentes árvores de onde é tirada a madeira; o seu crepitar que desprende faíscas, que parecem estrelas e que, em vez de descer, sobem e dançam para o alto; o calor que sabe emanar a brasa coberta pelas cinzas para manter o fogo para o dia seguinte ... O fogo é um sinal daquilo que Jesus queria trazer para a terra e ver arder (cf. Lucas 12, 49), é sinal de paixão, de amor, de ardor dos nossos corações (cf. Cântico dos Cânticos 8: 6). Como o fogo, também o amor se acende, se inflama, queima, aquece, deve ser alimentado, conservado e às vezes se apaga. E, por fim, a irmã e mãe terra:

Laudato si’, mi’ Signore, per sora nostra matre terra, la quale ne sustenta et governa, et produce diversi fructi con coloriti flori et herba.

Se o sol era chamado, "messor", "meu Senhor," a terra é a chamada irmã e mãe, porque nós, humanos, de acordo com a Bíblia somos "terrosos", extraídos da terra (adam tirado da 'adamah: cfr Gênesis 2: 7 ), que é uma criatura como nós, portanto, irmã. Mas tendo sido tirados da terra, voltamos à terra (cfr. Gn 3, 19), para os braços da mãe terra, em suas vísceras. A terra, essa terra que nós amamos, essa terra que nos acolheu e que nos sustenta dando-nos alimentos, essa terra que habitamos e sobre a qual nos movemos, essa terra à qual nos apegamos até sofrer no momento de deixá-la... Essa terra que nunca pode ser "minha" e "tua", mas é sempre e somente nossa, de todos nós, seres humanos! Essa terra que devemos amar como a nós mesmos, segundo o que eu gosto de definir como o décimo-primeiro mandamento, a síntese dos outros dez.

Essa é a mesma terra que também Deus quis habitar através de seu Filho, Jesus, que a amava: amava a Galileia, terra de seus pais; amava os campos onde se semeia o trigo, as figueiras nas quais procurava os frutos, as parreiras das quais bebia o vinho, as flores dos campos que contemplava vestidos mais gloriosamente que Salomão (cfr Mt 6, 29;. Lc 12, 27); amava aquela terra que seus pés pisaram, cobrindo-se de poeira ... Mãe terra! E Francisco canta-a como mãe que nos dá o alimento como sustento, os frutos, mas também as flores tão gratuitas, que com a sua beleza vivem perto ou entre as espigas de trigo necessárias para o pão. Sobre esta terra Francisco, agonizante, quis estender-se nu, para morrer em contato e comunhão com ela.

Este é o Cântico do Irmão Sol que Francisco compôs e quis que fosse cantado. Mas em 1225-1226 nasceu um dissídio entre o podestà e o bispo de Assis. Francisco, doente, quis intervir para trazer a paz e, adicionando um verso ao Cântico, envia um de seus frades para cantá-lo diante dos dois contendores (cfr. Legenda Perusina [Compilatio Assisiensis] 44; Fontes franciscanas 1593), mostrando como, para ele, a atenção para as criaturas não poderia ser separada da atenção aos assuntos humanos, da cidade e da história. Este é o verso que ele compôs e fez cantar:

Laudato si’, mi’ Signore, per quelli ke perdonano per lo Tuo amore, et sostengo infirmitate et tribulatione. Beati quelli che ‘l sosterrano in pace, ka da Te, Altissimo, sirano incoronati..

Francisco sabe louvar a Deus com as criaturas do céu e da terra, mas também sabe que o louvor sobe para Deus quando os seres humanos na terra entram em acordo, perdoam-se, reconciliam-se e celebram a paz. São o perdão e a misericórdia que, acima de tudo, louvam a Deus, porque é principalmente essa a vontade do Senhor: que os seres humanos se sintam irmãos e amem-se uns aos outros, como Cristo os amou (cfr. Jo 13, 34; 15, 12). A paz é o bem supremo para a humanidade e, ao mesmo tempo é o mais verdadeiro louvor, glorificação, bênção que se eleva a Deus.

Outono de 1226, na véspera da morte de Francisco. Sua vida já foi transcorrida e o que a caracterizou foi a fraternidade e a irmandade. Sim, a vida de Francisco foi fraternidade com os pobres, os doentes, os pecadores, os rejeitados pela sociedade, e também a fraternidade com todas as criaturas do céu e da terra. Nunca desprezou qualquer criatura, nunca procurou nos outros o mal e o pecado, mas tentou ler o seu sofrimento e desejo. Não foi um monge ascético que desprezava o mundo, mas também não foi tentado a aderir aos cátaros, angustiados pelas realidades desse mundo frágil e pecador e dedicados a um ascetismo sem medida. Disse "amém" à vida, julgou boas e belas as obras da criação. Havia rezado com a Bíblia, mas ao ser inspirado por ela foi ainda mais longe, encontrou um vínculo de fraternidade e irmandade entre as criaturas e o homem que a Bíblia não havia explicitado.

Sim, existe um vínculo universal entre todas as criaturas, uma irmandade que Francisco revela e canta. Se Adão deu nome às criaturas (cfr. Gn. 2: 19-20), Francisco as convoca a um Conventum (de cum-vir) porque convento e claustro era para ele o mundo, não o mosteiro fortaleza e claustrum da Idade Média! À imitação de Jesus nu na cruz na hora da morte, Francisco pede para ser colocado nu sobre a terra nua, porque na nudez viveu a comunhão com todas as criaturas, por ele amadas em sua nudez, naquela sua simplicidade que ele sabia ler como beleza. E assim, fazendo uma anamnese da própria vida, e encontrando nela a irmandade e a fraternidade que ele sempre viveu, com tudo e todos, até mesmo a morte que chega pode ser chamada de irmã:

Laudato si’ mi’ Signore per sora nostra morte corporale, da la quale nullu homo vivente pò scappare: guai a quelli che morrano ne le peccata mortali; beati quelli che trovarà ne le Tue sanctissime voluntati, ka la morte secunda no ‘l farrà male.

Mesmo a morte para Francisco é irmã. E nós aqui olhamos para ele e não comentamos porque somos incapacitados de dizer uma palavra a mais. De fato, ainda não sou capaz de chamar a morte de irmã!

Então, em silêncio, com todas as criaturas, louvamos e bendizemos o Senhor, agradecendo-o e permanecemos diante dele no serviço e na humildade, como Francisco conclui em seu Cântico:

Laudate et benedicete mi’ Signore’ et rengratiate et serviateli cum grande humilitate.

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