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29 Maio 2017

Vittorio fazia o serviço de ordem para a CGIL [Confederação Geral Italiana do Trabalho]. Dava medo só de olhar para ele, especialmente pelos seus braços grandes e fortes como troncos. Nesse sábado, como em um dia de trabalho normal, ele usava o macacão azul, o capacete amarelo de segurança com a palavra Ilva escrita na cabeça. Ele acordou cedo para garantir, com o seu amigo e colega Giovanni, o lugar na primeira fila no “Pavilhão 11”, aquele onde, há muitos anos, movimentam-se os rolos de cabos de aço, restaurado para acolher o Papa Francisco, em visita a Gênova. O pontífice quis começar o dia encontrando-se precisamente com os trabalhadores da empresa Ilva.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada por La Stampa, 28-05-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Vittorio não vive a fé: “Eu não acredito em Deus, mas cada um de nós pode acreditar naquilo que quiser”. Mas ele é daqueles que diz “nada de Deus”, provavelmente “nada de Igreja”, mas “esse pontífice me agrada, por muitos motivos”. Acima de tudo, porque “fala claro e, se ele não fala, faz o seu rosto falar”.

Nesse sábado, Francisco afirmou que quem demite e deslocaliza para fazer mais lucro não é um empresário, mas um especulador. Eis, justamente, por que Francisco agrada ao operário, porque diz “coisas sensatas e justas”, particularmente “sobre o trabalho e sobre o desemprego”.

Ao lado de Vittorio, está Giovanni, o seu oposto: pequeno, magro. Mais sorridente. Ele também com o capacete de trabalho. Giovanni é uma pessoa religiosa, vai à missa aos domingos. Ele também tem ideias claras sobre Bergoglio: “O Papa Francisco é grande, porque está perto dos últimos. Na realidade, ele quis vir aqui no meio dos operários antes de ir rezar a missa”.

Giovanni segura nas mãos, com alegria, a bandeirinha comemorativa da visita do pontífice. Vittorio nem sequer pensa nisso. E, quando Francisco chega no carro elétrico, Giovanni está pura vibração. Ele participa da onda. Vittorio permanece impassível.

Depois, o papa começa a falar. Cita Luigi Einaudi, elogia o bom empresário que “não quer demitir os seus operários”. Aplausos de Giovanni, nenhum sinal de Vittorio. O discurso de Francisco continua sobre a “chantagem social”, sobre a importância crucial do trabalho para a dignidade do homem e sobre a Constituição italiana.

Aplausos de Giovanni. Impassibilidade de Vittorio. Ou, melhor, não: Vittorio tira o seu capacete, coloca-o no chão, segura a sua cabeça entre as mãos. Comove-se. Nada de lágrimas, ele dirá no fim. Mas não é convincente. Depois, afirma: “Mas esse papa é realmente o papa do povo!”.

Nota de IHU On-Line: Para ver a íntegra do encontro do Papa Francisco com os trabalhadores e as trabalhadoras em Gênova, em italiano, clique aqui.

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