Francisco e Trump no Vaticano: a paz e a guerra

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27 Mai 2017

“É uma grande honra, em minha vida, encontrar-me com Sua Santidade o Papa Francisco. Deixo o Vaticano mais determinado do que nunca a buscar a paz para nosso mundo”. Esse foi o texto do tweet que escreveu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após seu encontro com Francisco. “Durante as cordiais conversas – informa um comunicado do Vaticano –, expressou-se a satisfação pelas boas relações bilaterais existentes entre a Santa Sé e os Estados Unidos da América, bem como pelo compromisso comum em favor da vida e da liberdade religiosa e de consciência. Manifestou-se o desejo de uma colaboração serena entre o Estado e a Igreja Católica nos Estados Unidos, comprometida no serviço à população nos campos da saúde, educação e assistência aos imigrantes”.

A reportagem é de Nello Scavo, publicada por Tierras de América, 26-05-2017. A tradução é do Cepat.

Na realidade, os 30 minutos que o encontro durou (a metade, se consideramos o tempo que as traduções requerem) não foram suficientes para encarar a fundo todos estes assuntos, mas, segundo os fatos, Francisco se propôs a ouvir o presidente, buscando pontos de contato ao invés de entrar em pontos conflitivos. Os aspectos politicamente mais importantes, com efeito, foram os 50 minutos de diálogo entre Trump e o cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin.

Desde o muro na fronteira com México (“Uma pessoa que só pensa em construir muros, seja onde for, e não constrói pontes, não é cristão”, havia dito o Papa no voo de retorno do México, respondendo uma pergunta sobre Trump) até a tentativa de expulsar todos os islâmicos dos Estados Unidos, passando pela contrarreforma do Sistema de Saúde para desmantelar o Obamacare e a proverbial antipatia de Donald Trump pela luta contra a mudança climática (“o conceito de aquecimento global foi inventado por e para os chineses, para fazer com que a indústria norte-americana deixasse de ser competitiva”, segundo suas próprias palavras). São muitos os temas a respeito dos quais a Santa Sé e Washington estão em caminhos opostos.

“As conversas também permitiram uma troca de pontos de vista sobre alguns temas relacionados à atualidade internacional e com a promoção da paz no mundo, através da negociação política e o diálogo inter-religioso, com referência especial à situação no Oriente Médio e a proteção das comunidades cristãs”.

Contudo, Francisco não deixou de destacar algumas coisas no momento da troca de presentes, entregando a Trump – como faz com todos os chefes de Estado – seus três documentos magisteriais: Evangelii Gaudium, Amoris Laetitia e a encíclica Laudato Si’, “sobre o cuidado da casa comum”. Não antes de realizar um gesto inédito e imprevisto: entregar-lhe sua última mensagem para o Dia Mundial da Paz, dedicada, este ano, ao tema da “não violência”. E a propósito da encíclica sobre a Criação, Trump afirmou: “Vou lê-la”. Sinal de que provavelmente não conhecia a fundo o pensamento do Pontífice e da Igreja sobre esse tema. “Não esquecerei o que você me disse”, acrescentou o Presidente que, por sua parte, presenteou o Papa com alguns livros de Martin Luther King, personalidade que Francisco conhece muito bem e citou por ocasião de sua visita ao Congresso dos Estados Unidos.

Pouco depois, chegou dos Estados Unidos uma declaração referente a maneira como Trump se propõe “buscar a paz para nosso mundo”. A proposta de reduzir as contribuições às Nações Unidas, tornaria “simplesmente impossível para a ONU continuar com seu trabalho essencial na promoção da paz, do desenvolvimento, dos direitos humanos e da ajuda humanitária”, destacou o porta-voz do Palácio de Cristal, Stephane Dujarric. Os fundos que os Estados Unidos oferecem para a promoção da paz internacional diminuiriam cerca de 1,5 bilhão de dólares, quase 50% a menos. Em compensação, antes de aterrissar em Roma, Trump já havia assinado contratos para a exportação de armas estadunidenses aos sauditas, por um valor de 110 bilhões de dólares. Por isso, não deve ser nenhuma coincidência que Jorge Mario Bergoglio tenha desejado lhe presentear sua mensagem, que convida à não violência.

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