Recorde de mudança climática coloca o mundo em 'território desconhecido'

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28 Março 2017

O calor recorde que fez com que 2016 fosse o ano mais quente já registrado continuou em 2017, colocando o mundo em “território realmente desconhecido”, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial.

A avaliação da OMM do clima em 2016, publicada na terça-feira, reporta temperaturas sem precedentes em todo o mundo, níveis de gelo extremamente baixos em ambos os polos e um crescente aumento do nível do mar.

A reportagem é de Damian Carrington, publicada por The Guardian, 21-03-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

A mudança climática acontece, em grande parte, por emissões provenientes de atividades humanas, mas o forte El Niño - ciclo natural do clima - provocou ainda mais calor em 2016. O El Niño está diminuindo agora, mas os extremos continuam, com registros de temperatura em queda nos EUA em fevereiro e ondas de calor nos pólos reduzindo ainda mais as coberturas de gelo.

"Mesmo sem um El Niño tão forte em 2017, estamos presenciando outras mudanças notáveis em todo o planeta, que desafiam os limites da nossa compreensão acerca do sistema climático. Estamos em território realmente desconhecido", disse David Carlson, diretor do programa de pesquisa da OMM sobre o clima mundial.

“A Terra é um planeta em convulsão devido a mudanças na atmosfera causadas pela ação humana”, disse Jeffrey Kargel, glaciologista da Universidade do Arizona, nos EUA. "Em geral, as mudanças drásticas das condições não auxiliam a civilização, que prospera na estabilidade."

O relatório da OMM foi "alarmante", declarou o professor David Reay, especialista em emissões da Universidade de Edimburgo: "a necessidade de uma ação concertada frente ao aquecimento global nunca foi tão gritante nem em níveis tão elevados".

A nova avaliação da OMM também levou alguns cientistas a criticarem Donald Trump. “Embora os dados mostrem um impacto cada vez maior da atividade humana no sistema climático, o governo Trump e os republicanos mais experientes do Congresso continuam enterrando a cabeça na areia”, disse o Professor Robert Watson, importante cientista climático da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, e ex-chefe do Painel de Mudanças Climáticas da ONU.

“Nossos filhos e netos vão olhar para trás, para quem negligenciou o clima, e perguntar como podem ter sacrificado o planeta por causa de combustíveis fósseis baratos, quando o custo da falta de ação é maior que o custo da transição para uma economia com baixo uso de carbono”, disse Watson.

Trump quer cortar as investigações sobre alterações climáticas, mas segundo o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, "o investimento contínuo em pesquisa e observações climáticas é vital para que o nosso conhecimento científico avance no mesmo ritmo acelerado das mudanças climáticas".

O ano de 2016 representou a média global mais quente dentre os registros de temperatura desde 1880. Mas a pesquisa científica indica que a última vez que o mundo esteve tão quente foi 115.000 anos atrás e que o planeta não teve níveis tão elevados de dióxido de carbono na atmosfera em 4 milhões de anos.

Em 2017 os registros de temperatura continuam caindo, nos EUA, onde fevereiro foi excepcionalmente quente, e na Austrália, onde o calor extremo e prolongado atingiu muitos estados. As consequências têm sido particularmente brutais nos pólos.

“As condições de gelo do Ártico têm permanecido em um recorde de condições extremamente baixas desde outubro, o que persistiu por seis meses consecutivos, algo nunca antes visto [nas quatro décadas de registro de dados por satélite]”, disse a professora Julienne Stroeve, da University College London, no Reino Unido. "No hemisfério sul, o gelo do mar também quebrou novos recordes mínimos das escalas sazonais máximas e mínimas, levando à menor quantidade de gelo marinho mundial já registrada."

Emily Shuckburgh, do British Antarctic Survey, disse: "O Ártico pode ser distante, mas as mudanças que ocorrem nele nos afetam diretamente. O derretimento de gelo da Groenlândia já está contribuindo para a elevação do nível do mar de maneira significativa e novas pesquisas destacam que o derretimento de gelo do mar Ártico pode alterar as condições meteorológicas em toda a Europa, Ásia e América do Norte."

O nível global do mar aumentou entre novembro de 2014 e fevereiro de 2016 e o El Niño colaborou para a elevação dos oceanos em 15 mm. Esse salto teria levado cinco anos para acontecer considerando o aumento constante visto nas últimas décadas, à medida que as calotas polares derretem e os oceanos ficam mais quentes e expandem em volume. Os dados finais do aumento do nível do mar de 2016 ainda não foram publicados.

A mudança climática prejudica as pessoas mais diretamente pelo maior risco de eventos climáticos extremos e o relatório da OMM afirma que esses riscos elevados podem ser calculados cada vez mais. Por exemplo, há uma probabilidade dezenas de vezes maior de ondas de calor do Ártico e duas vezes maior de temperaturas elevadas como as que foram vistas na Austrália em fevereiro.

"Com os níveis de dióxido de carbono na atmosfera quebrando novos recordes constantemente, a influência da atividade humana no sistema climático tornou-se cada vez mais evidente", disse Taalas.

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