Avós da Praça de Maio recuperam o 122º neto

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Por: João Flores da Cunha | 02 Maio 2017

As Avós da Praça de Maio encontraram o 122º neto retirado de sua família durante a última ditadura da Argentina (1976-1983). A organização realizou um evento em sua sede em Buenos Aires no dia 25-4 para dar detalhes sobre o achado.

O homem, que não teve sua identidade revelada, é filho de dois desaparecidos da ditadura, Enrique Bustamante e Iris García Soler. Ambos têm o paradeiro desconhecido até hoje.

Bustamante e García foram vistos pela última vez em 1977, em centros de detenção clandestina. Eles eram militantes dos Montoneros, grupo esquerdista de guerrilha urbana. García estava grávida de três meses quando foi presa.

Seu filho nasceu na Escola Superior de Mecânica da Armada – ESMA, um centro de tortura durante o governo dos militares. Atualmente, funciona no local um museu de memória e direitos humanos.

Os militares desenvolveram uma política sistemática de sequestro de bebês de pessoas que eram alvo da perseguição política da época. Estima-se que entre 400 e 500 bebês tenham sido levados pelos militares para serem criados por outra família.

Na maioria dos casos, os netos desconhecem sua origem e o fato de que não nasceram em sua família de criação. As Avós da Praça de Maio buscam recuperar a identidade dessas pessoas, através de relatos de sobreviventes e documentos. Atualmente, a comprovação do parentesco é feita por meio da análise de material genético.

Estela de Carlotto, líder das Avós da Praça de Maio, destacou que “122 é um número, mas ele tem nome, identidade e vai restabelecê-la dignamente no curto prazo. Isto é uma vitória, a libertação de uma pessoa”.

O 122º neto tem 39 anos e é pai de dois filhos. Na cerimônia de anúncio da descoberta, Carlotto afirmou que “o momento em que irá se tornar pública a informação sobre sua identidade vai ser determinado por ele”.

O achado “é uma resposta àqueles que negam a história, que pretendem que esqueçamos, mas jamais vamos fazer isso, pois os netos estão nos esperando”, declarou Carlotto à televisão pública argentina.

Este é o primeiro neto encontrado depois das polêmicas declarações de um integrante do governo de Mauricio Macri sobre os crimes cometidos pela ditadura. Juan José Gómez Centurión, diretor-geral de Aduanas da Argentina, negou que os crimes tenham feito parte de um “plano sistemático” e sugeriu que os 30.000 desaparecidos haviam sido, na realidade, 8.000.

As declarações foram feitas em janeiro a uma emissora de televisão argentina. Organizações de direitos humanos pediram a sua renúncia do cargo, o que não ocorreu.

A última descoberta de um neto roubado pela ditadura havia ocorrido em outubro de 2016. “Para mim, essa está sendo uma experiência feliz e cheia de gratidão”, disse à emissora Telám o neto 121, Maximiliano Ruiz, poucos dias após o anúncio. Ele descobriu ter um irmão e uma tia, irmã de sua mãe, sobre os quais nada sabia.

“Tenho uma relação muito boa com minha família (de criação), e agora encontro uma família que passou 40 anos me procurando”, afirmou à Telám. Ele relatou que seus dois filhos, de 5 e 6 anos, ficaram confusos com a descoberta – mas, no mesmo dia, um deles fez um desenho da família já com seus dois novos membros, o irmão e a tia de Maximiliano.

As Avós da Praça de Maio tentam encontrar os filhos de desaparecidos desde a década de 1970, quando essa luta estava restrita aos familiares das vítimas, e a extensão dos crimes dos militares era desconhecida da maioria da sociedade. A partir da redemocratização, o Estado argentino começou a participar da busca pelos bebês sequestrados. Em 1992, foi instituída a Conadi, uma comissão formada pelas Avós e pelo Estado para encontrar as crianças desaparecidas.

“Graças à perseverança de nossa busca e ao trabalho da Comissão Nacional pelo Direito à Identidade – Conadi, hoje o neto 122 pode conhecer a verdade sobre a sua origem”, assinalou a organização das Avós da Praça de Maio no comunicado sobre a descoberta de mais um neto tirado de sua família pela ditadura.

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