Chile. Ex-presidente Lagos desiste de candidatura a eleição deste ano

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Por: João Flores da Cunha | 12 Abril 2017

O ex-presidente do Chile Ricardo Lagos anunciou no dia 10-4 a sua desistência de concorrer às eleições presidenciais deste ano no país. A decisão ocorreu após a votação do Partido Socialista, realizada no dia 9-4, que optou por apoiar o senador Alejandro Guillier no pleito, que será realizado em novembro.

Lagos é ligado historicamente ao Partido Socialista, e a recusa do grupo político a apoiá-lo sepultou sua candidatura. As pesquisas eleitorais mostraram pouco apoio popular a Lagos, que atingia menos de 5% das intenções de voto. “Os chilenos me conhecem: não sou um caudilho. Sei escutar a voz do povo e me submeter a seu veredito”, disse ele.

Guillier, por outro lado, aparece como um candidato competitivo, e é a melhor chance de a coalizão de centro-esquerda chilena, a Nova Maioria, manter-se no poder. Nesse quadro, o comitê central do Partido Socialista optou pela candidatura do senador, com 67 votos, contra 36 de Lagos.

“Decidi renunciar à aspiração de alcançar novamente a presidência da república”, anunciou Lagos. “Devo admitir que, no meu próprio espaço político, a centro-esquerda, não se produziu uma convergência em torno deste projeto”, afirmou. Ele havia anunciado sua intenção de concorrer em setembro de 2016, e desde então vinha realizando atos de pré-campanha por todo o país, mas não conseguiu apoio suficiente para consolidar seu nome.

O ex-presidente chileno atribuiu isso ao fato de que “nem todos compartilhamos a mesma urgência ante a ameaça de uma dispersão estratégica das forças progressistas”. A presidenta Michelle Bachelet lamentou a decisão de Lagos.

Lagos também se referiu a “uma onda de restauração mercantilista e conservadora que pode durar muitos anos”. Hoje, o favorito a vencer a eleição é o ex-presidente Sebastián Piñera (2010-2014), da coalizão de centro-direita Chile Vamos.

Com a renúncia de Lagos, Guillier tem o caminho livre para se tornar o candidato da Nova Maioria às eleições deste ano. Em declarações à imprensa, ele afirmou que “vamos fazer um grande esforço para nos integrarmos de forma harmônica, fazer uma boa campanha nas primárias, para que, com muita unidade e renovação de ideias, possamos apresentar aos cidadãos uma proposta do progressismo chileno”.

As primárias da Nova Maioria, marcadas para julho, podem não acontecer. Isso não é, porém, um sinal de unidade; pelo contrário, pode indicar o início de uma desarticulação da coalizão de centro-esquerda chilena.

Com a desistência de Lagos, o Partido Democrata-Cristão, de tendência centrista, que integra a Nova Maioria, tende a desistir de participar das primárias dessa coalizão e se apresentar às eleições com uma candidata própria, a senadora Carolina Goic. Isso também se deve ao fato de que a Nova Maioria girou à esquerda nos últimos anos.

O movimento se deu após a eleição de Sebastián Piñera e os protestos de estudantes que ocorreram em seu governo. Houve um realinhamento à esquerda da Nova Maioria, com a inclusão do Partido Comunista do Chile e da Esquerda Cidadã, entre outros partidos. Foi essa mudança que gerou a mudança de nome da coalizão – até 2013, chamava-se Concertación.

Em 2013, Bachelet se elegeu com uma agenda reformista. Por outro lado, Lagos, que governou o país entre 2000 e 2006, é acusado por parte da esquerda de ter seguido o modelo neoliberal no Chile.

Lagos é um militante histórico do Partido Socialista, embora tenha o deixado em 1987 para fundar o Partido pela Democracia – PPD. Os dois grupos formam parte da Nova Maioria.

Guillier manifestou seu reconhecimento ao presidente Lagos, valorizando a contribuição deste à “história do progressismo chileno e ao futuro expresso em sua visão programática”. Senador formalmente independente, mas próximo do Partido Radical, ele se posiciona no campo progressista. Guillier se tornou conhecido no país como jornalista, profissão que exerceu por mais de três décadas e abandonou em 2013 para ingressar na política.

O senador agradeceu o apoio dos socialistas a seu projeto eleitoral. “Valorizo que um partido histórico no Chile, com toda a representação, trajetória e organização que tem, apoie a minha candidatura”, afirmou.

Foi pelo Partido Socialista que Salvador Allende se elegeu presidente em 1970, o que fez dele o primeiro governante de orientação marxista a chegar ao poder pela via eleitoral. Allende morreu em 11-9-1973, dia do golpe de Estado que encerrou seu governo e instaurou a ditadura do general Augusto Pinochet, que se manteve até 1990. Lagos foi uma das figuras-chave da luta pela redemocratização do país.

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