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10 Março 2017


Building the Human City: William F. Lynch's Ignatian Spirituality for Public Life

De John F. Kane. Publicado pela Pickwick Publications, 292 páginas

O Padre William Lynch tornou-se um dos estudiosos jesuítas estadunidenses mais injustamente negligenciados do século XX, mas John Kane passou boa parte de sua vida preparando-se para mudar isso. O resultado é um livro notável que deve ter o efeito eminentemente desejável de chamar destaque renovado à obra de Lynch.

O comentário é de Paul Lakeland, diretor do Centro de Estudos Católicos da Universidade de Fairfield e autor do livro The Wounded Angel: Fiction and the Religious Imagination, a ser publicado pela Liturgical Press na primavera de 2017, em artigo publicado por National Catholic Reporter, 08-03-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Lynch, editor de longa data do principal jornal da Universidade de Fordham, Thought, é conhecido por ter publicado vários livros bastante curtos, especialmente Christ and Apollo: The Dimensions of the Literary Imagination, Images of Hope: Imagination as Healer of the Hopeless e Christ and Prometheus: A New Image of the Secular. Através da filosofia, da psicologia, da teologia e dos estudos clássicos, Lynch foi amplamente reconhecido em sua época, mas nunca amplamente lido. Seus livros não são fáceis e poucos estudiosos têm o mesmo alcance de Lynch. Claro que, por isso mesmo, poucos leitores terminam qualquer um dos livros sem ter aprendido algo novo.

Desde sua morte, em 1987, Lynch esteve praticamente em eclipse. O que é tão imediatamente impressionante sobre a apresentação de Kane em Building The Human City (em português, Construindo a Cidade Humana) é o quão extraordinariamente as ideias de Lynch fazem sentido na vida pública atual.

Por exemplo, o capítulo introdutório de Kane destaca a preocupação de Lynch em superar polarizações, combater a "sensibilidade totalizante" que ele achava que afetava a Igreja e o mundo em sua época. Esta determinação em abordar o problema da demonização do adversário atravessa toda a obra de Lynch e, como apontado por Kane, "foi recentemente destacada por um jesuíta que agora é mais famoso": o próprio Papa Francisco. Ao reler o discurso de Francisco para o Congresso dos EUA com algum conhecimento das ideias de Lynch, é de se questionar se o papa atual não é um dos poucos que leram a obra de Lynch.

Uma das obras menos conhecidas de Lynch, a coleção de ensaios The Integrating Mind, de 1962, explora em profundidade os perigos de totalizar e, sem usar a palavra em muitas ocasiões, se é que em alguma, a importância de utilizar uma abordagem analógica. Isso se estende para além de mera discordância quanto a divisões mais fundamentais, mas ilusórias entre arte e vida, ou transcendência e imanência ou, sob certo aspecto, ao que Lynch considera a mais grave das divisões: entre as elites intelectuais e culturais da sociedade e a grande massa de pessoas comuns.

Toda essa dicotomização desconsidera a importância vital da conexão com a vida real, das virtudes e até mesmo das esperanças e medos primordialmente incorporados. Deus é encontrado mesmo no secularismo, como esclarece Lynch em Christ and Prometheus, e Kane explora extraordinariamente bem as raízes encarnacionistas da espiritualidade inaciana e da sensibilidade do pensamento de Lynch. "Encontrar Deus em todas as coisas" é, naturalmente, encontrar Deus no mundo.

Outro grande tema de Lynch é o papel da imaginação, mas a que ele valoriza aqui é novamente uma imaginação situada e encarnada, e não puramente romântica. A imaginação que está em jogo nas artes, especialmente nas artes dramáticas, é vital para restaurar a "confiança no poder fundamental do finito".

A divisão entre as elites e as "pessoas comuns", a qual Lynch lamenta, não é tanto uma crítica das massas como do fracasso das artes de se conectarem à vida real. As artes precisam conspirar com a fé e a teologia, como resume Kane, em "um novo movimento em direção ao definitivo".

Tudo isso, no final, é um argumento para a onipresença da graça divina. Deus e a graça não estão ausentes do secular ou têm de penetrá-lo, mas estão lá para serem encontrados. Encontrar Deus em todas as coisas implica para Lynch que ao explorar e encontrar o significado de todas as coisas, seu significado intrínseco e realmente secular, encontramos Deus e graça. A graça de Deus é revelada na beleza do secular, em toda a sua integridade.

A apresentação sintética de Kane da obra de Lynch evidencia o grande pensador que ele foi e continua sendo. Claro, o sucesso de Kane neste livro de certa forma atrapalha o seu objetivo ao escrevê-lo. É tão claro e convincente que me pergunto quantos de seus leitores vão fazer o que Kane espera que façam: retornar ao próprio Lynch para explorar as ideias mais detalhadamente.

Na verdade, embora haja uma riquíssima discussão da literatura clássica que não pode ser resumida na abordagem de Kane, acredito fortemente que foi preciso esperar Kane chegar e explicar a intenção geral do corpus de textos de Lynch. Mesmo quem leu Lynch mais profundamente se beneficiará muito da explicação de Kane sobre por que ele permanece tão importante.

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