As mulheres e a complicada reforma da Igreja, segundo Jeannine Gramick

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09 Março 2017

Os católicos acreditam que as pessoas são iguais em dignidade e que ninguém deve ser discriminado ou prejudicado. Estes são princípios com que todos na Igreja concordam. Mas como esses princípios são vividos concretamente é uma questão mais complicada, como têm deixado claro os movimentos pela igualdade para mulheres e comunidades LGBT na Igreja.

A Irmã Jeannine Gramick, do New Ways Ministry, explorou este desafio em um ensaio recente do Global Sisters Report para o National Catholic Reporter. Ela contou suas experiências em uma reunião internacional sobre a reforma da Igreja, no último outono, em Chicago. Irmã Jeannine conectou os dois movimentos e disse que os aprendizados advindos dos esforços de assegurar a igualdade das mulheres podem fornecer informações aos esforços da igualdade LGBT.

A reportagem é de Robert Shine, publicada por Bondings 2.0, 08-03-2017. A tradução é Luísa Flores Somavilla.

A reunião em Chicago incluiu grupos de sacerdotes e organizações leigas de cerca de doze países. Ela explicou que foi difícil para os representantes chegarem a um consenso sobre um culto litúrgico consistente com os valores expressos e confortável para todos os participantes e que a questão da liderança litúrgica das mulheres tornou-se um ponto polêmico. Gramick comentou:

"Será que [o debate sobre a liturgia] teve quaisquer implicações ao meu ministério para lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans? O grupo tinha facilmente aprovado uma resolução de 'se opôr à violência em todas as suas formas - física, emocional, espiritual e temporal - às pessoas LGBT' e 'encorajar os líderes da Igreja e membros individuais a se comprometerem com o mesmo'. Houve algumas questões mínimas sobre esta resolução, mas não a angústia da discussão sobre a participação feminina na liturgia.

"A igualdade das mulheres foi uma questão mais espinhosa do que a igualdade das pessoas LGBT? Não, na verdade, não. A resolução LGBT foi expressa em termos gerais de igualdade, sem ações específicas. O grupo também demandou - e tinha concordado em estabelecer - progressos na igualdade plena das mulheres na Igreja; mas a proposta sobre as mulheres, assim como a LGBT, foi ampla e não incluiu exemplos específicos de igualdade."

Gramick reconheceu que "pessoas de boa vontade podem concordar sobre princípios gerais, mas é nas aplicações específicas que a coisa fica séria" e, por isso, os desafios no encontro dos reformadores da Igreja. Ela continuou, dizendo:

"Na próxima conferência internacional de padres e organizações da reforma, em 2018, quando discutirmos ações concretas para a afirmação da dignidade e dos direitos das pessoas LGBT, preciso estar preparada para uma resistência semelhante, hesitações e preocupações, quando aparecerem esses direitos humanos e liberdades civis...

"Eu preciso ser paciente, porque o movimento nessas questões requer tempo. Assim como alguns que haviam se oposto à proposição em Limerick mudaram de ideia sobre o papel litúrgico das mulheres um ano e meio depois, outros movimentos acontecerão no futuro. Penso nas palavras de Eclesiastes 3:11: "Deus fez tudo apropriado ao seu tempo."

Sem falar que a transformação da doutrina e das práticas eclesiais sobre gênero e sexualidade é um trabalho quase imediatamente problematizado. Um evento no Vaticano hoje pelo Dia Internacional da Mulher ilustra esta dificuldade. No encontro do Voices of Faith, uma reunião anual de mulheres católicas de todo o mundo, participantes compartilharão suas histórias sobre o tema geral de uma maior dignidade às mulheres e aos direitos humanos. Mas a questão da ordenação de mulheres não será discutida e, nos anos anteriores, palestrantes rejeitaram explicitamente a igualdade de ordenação. E nenhuma mulher abertamente lésbica, queer ou trans falará ao público, apesar da necessidade urgente de que estas vozes sejam ouvidas em nossa Igreja.

A igualdade femininas e das pessoas LGBT na Igreja é, até certo ponto, uma causa unificada. O editor da Bondings 2.0, Francis DeBernardo, explorou este ponto em um post em janeiro passado. Os participantes de cada movimento podem aprender uns com os outros e apoiar uns aos outros também. Gramick concluiu sua fala sobre essas lições com as seguintes palavras:

"Tenho certeza de que, enquanto Igreja, concordamos com o quadro geral. Cada um de nós pode ter ideias específicas sobre seus detalhes: as cores a serem usadas, a forma dos objetos ou o tamanho da tela, mas, no conjunto da obra, enxergamos na mesma direção. Como membros da Igreja, estamos unidos em nossa fé e crença em Cristo e em nosso desejo de seguir o maior mandamento: amar a Deus e ao nosso próximo como a nós mesmos".

Vamos, então, refletir neste Dia Internacional da Mulher sobre como nós, católicos defensores das pessoas LGBT, podemos estar informados e contribuir para o movimento da igualdade das mulheres na Iigreja.

O que você acha? Será que a avaliação de Irmã Jeannine está correta? Que lições você aprendeu de outros movimentos de justiça social que colaboram com a igualdade LGBT? Como as comunidades LGBT e outras aliadas podem contribuir para a igualdade das mulheres na Igreja? Deixe sua opinião e sugestões na seção "Comentários", abaixo.

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