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08 Março 2017

Líderes feministas do Paraguai, Colômbia e Brasil expressaram os motivos pelos quais incentivam a paralisação em seus países. A violência machista em seu extremo, os femicídios e a desigualdade são os eixos de suas reivindicações.

A reportagem é de Mariana Carbajal, publicada por Página/12, 07-03-2017. A tradução é do Cepat.

“Esta paralisação é contra o patriarcado e o capitalismo que nos explora. A força e a resistência das mulheres se veem e estão em marcha”, disse ao jornal Página/12 Alicia Amarilla Leiva. E acrescenta: “É um processo de acumulação de consciência. Tomara que possamos forjar essa sociedade nova que nós, mulheres, desejamos tanto”. Tem 35 anos, é camponesa, mãe solteira de um filho de 10 anos e há 12 lidera a Coordenação Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais e Indígenas (CONAMURI), do Paraguai, uma das mais de setenta organizações e instituições que amanhã se somarão à Paralisação Internacional de Mulheres nesse país. A histórica greve se fará sentir em toda a América Latina, em cidades mais populosas e menores, como parte desse grande movimento que unirá as mulheres de mais de 50 países, que farão tremer a terra contra as violências machistas, os femicídios e a desigualdade que as afetam nas diferentes esferas em que transcorrem suas vidas cotidianas. Estão convocadas mais de 300 marchas no mundo.

A paralisação se expressará com diferentes ações na América Latina, além da Argentina, no Uruguai, Brasil, Bolívia, Peru, Chile, Equador, Colômbia, Venezuela, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Nicarágua, Honduras, México, Panamá, República Dominicana e Porto Rico. Em cada território, em cada geografia, também há demandas pontuais. No Uruguai, o Plenário Intersindical de Trabalhadores-Convenção Nacional de Trabalhadores (PIT-CNT), a central sindical única, aderiu a medida de força e convocou uma paralisação geral de 16 a 22 horas. “Está prevista uma marcha às 18, na qual participarão organizações sociais contra a violência de gênero”, confirmou, ontem à noite, a este jornal, Milagro Pau, secretária de Gênero, Igualdade e Diversidade do PIT-CNT.

“Irei parar porque na Colômbia entramos em um processo de paz, mas ainda continuam as violações dos direitos das mulheres e, por isso, em Medellín, o lema para este dia 8 de março é: “Parem a guerra contra as mulheres, construamos paz’”, contou Sonia Vázquez Mejía, comunicadora social de Medellín, referência do movimento de mulheres desse país, como vice-presidente da União de Cidadãs da Colômbia, a organização feminista mais antiga da Colômbia, que conquistou o voto feminino há sessenta anos. Atualmente, Vázquez Mejía representa as mulheres nos conselhos Municipal e Departamental de Participação Cidadã, a partir de onde trabalha “pela inclusão e a igualdade das mulheres nos contextos político, social e econômico”, explicou a referência feminista. “Uno-me à paralisação das mulheres porque é uma das maneiras de manifestar e apoiar a reivindicação dos direitos das mulheres “, destacou, desde Medellín. Foi vereadora dessa cidade e chefa de gabinete da Secretaria das Mulheres do município. “Estou indignada porque as políticas públicas que formulamos e defendemos, a partir dali, hoje, são diminuídas por cortes orçamentários. Irei parar porque a violência sociopolítica no país continua sendo uma responsabilidade do estado e do sistema, porque fui vítima de violência sexual, porque o sistema de saúde na Colômbia é deficiente, e para que as mulheres jovens saibam que os direitos das mulheres não nos foram dados, mas que tivemos que conquistá-los e que a luta por eles deve continuar”, disse Vázquez Mejía.

No Paraguai, haverá diferentes ações no 8M. Aderem à paralisação de universitárias a organizações indígenas que estão nos 11 departamentos (províncias), com denúncias e ações diretas. “Nosso lema é: “Se nosso trabalho não vale, produzam sem nós”, contou a este jornal a dirigente camponesa da CONAMURI. “Para nós – destacou –, é importante o avanço da consciência feminista na América Latina e no mundo”. As camponesas e indígenas pararão contra a violência institucional, os femicídios, a invasão da agricultura intensiva e a monocultura em seus territórios, contra o envenenamento que os agrotóxicos produzem, e para visibilizar as situações de pobreza e das diferentes formas de violência machista que as mulheres sofrem no campo. Amarilla Leiva vive no departamento Caaguazú.

No Brasil, serão realizadas ações em mais de 60 cidades, das quais 22 são capitais de estados, contou a este jornal Mariana Bastos, jornalista do Rio de Janeiro e promotora da paralisação internacional de mulheres nesse país. Os sindicatos não convocam a paralisação. Apesar da diversidade e extensão do território brasileiro, e de suas realidades, as mulheres se somarão à convocação com duas demandas unificadas: contra a violência machista e os femicídios, e contra uma reforma da previdência estimulada pelo Governo Federal para aumentar a idade de aposentadoria das mulheres e equipará-la com a dos homens. “Com este projeto, estão nos dizendo que nosso trabalho no lar, não remunerado, não conta, não vale nada”, apontou Bastos. E contou que um dos objetivos também é difundir entre as mulheres que são tão importantes para as atividades reprodutivas, domésticas, como para as produtivas.

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