Os 500 anos da Reforma, uma oportunidade histórica. Artigo de Hans Küng

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02 Março 2017

“As declarações de intenções e as propostas da penitência e reconciliação por parte da Igreja de Roma não faltaram. Nós, cristãos comprometidos com o ecumenismo, agora esperamos os fatos.”

A opinião é do teólogo suíço-alemão Hans Küng, em artigo publicado no jornal La Repubblica, 01-03-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nota de IHU On-Line: O artigo foi publicado, no dia de ontem, 01-03-2017, simultaneamente em alemão, italiano e inglês.

Küng, desde a sua tese de doutorado de 1957, trabalhou para pôr fim na divisão da cristandade. Graças ao impulso das suas teses, evangélicos e católicos chegaram a um acordo, e hoje se aproxima a reabilitação de Martinho Lutero. Junto com Joseph Ratzinger (Bento XVI), Küng é o último teólogo do Concílio ainda em atividade.

Eis o texto.

É grande a satisfação com a visita a Roma, em audiência com o Papa Francisco, da delegação da Igreja Evangélica na Alemanha (EKD), liderada pelo bispo regional Heinrich Bedford-Strohm, acompanhado pelo presidente da Conferência Episcopal Alemã, cardeal Marx, por ocasião do 500º aniversário da Reforma. Falando de “uma diversidade já reconciliada”, o papa disse apreciar os dons espirituais e teológicos que recebemos da Reforma e querer “comprometer-se com todas as forças para superar os obstáculos existentes”.

Ainda em setembro do ano passado, o bispo Bedford-Strohm e o cardeal Marx apresentaram um documento conjunto, definido como palavra comum, intitulado Curar a memória. Testemunhar Jesus Cristo. Depois de 500 anos de separação e discordâncias, as duas grandes Igrejas alemãs pretendem celebrar juntas o aniversário como “Festa de Cristo”. No dia 11 de março de 2017, a Conferência Episcopal Alemã e o Conselho da Igreja Evangélica na Alemanha vão realizar em Hildesheim um rito ecumênico de penitência e reconciliação, como mais um ponto focal do processo de memória e cura.

As declarações de intenções e as propostas da penitência e reconciliação por parte da Igreja de Roma não faltaram. Nós, cristãos comprometidos com o ecumenismo, agora esperamos os fatos. Infelizmente, o documento conjunto omite o imobilismo das Igrejas institucionais sobre questões decisivas e ignora a prática ecumênica vivida há já muito tempo no seio de muitas comunidades e grupos católicos e evangélicos, para os quais o reconhecimento recíproco dos ministérios e a comunhão eucarística não constituem mais um problema. As cúpulas religiosas estão em forte atraso em comparação com essas realidades. Se não se esforçarem seriamente para superar “os obstáculos ainda existentes”, responderão, elas sozinhas, a Deus e aos homens.

Para o aniversário de 2017, os líderes deveriam implementar com coerência as conclusões das comissões ecumênicas de diálogo. À Igreja Católica, impõem-se:

1. A reabilitação de Martinho Lutero;

2. A anulação de todas as excomunhões que remontam à época da Reforma;

3. O reconhecimento dos ministérios protestantes e anglicanos;

4. A recíproca acolhida eucarística.

Inúmeros cristãos esperam que essas reivindicações da parte evangélica sejam apresentadas à Igreja Católica com igual franqueza e clareza, obviamente não desprovidas da necessária autocrítica. Limitar-se a celebrar os 500 anos da Reforma sem realmente pôr fim à divisão da Igreja equivale a carregar uma nova culpa.

Que a teologia e a base eclesiástica, as comunidades e o compromisso de tantas mulheres e homens sejam um estímulo para que as cúpulas eclesiásticas, muitas vezes temerosas e titubeantes, em Roma e em outros lugares, despertem e não percam essa oportunidade histórica. Caso contrário, cada vez mais pessoas se afastarão da Igreja, cada vez mais comunidades e grupos se tornarão autônomos!

No nosso mundo globalizado e laicizado, o cristianismo só terá credibilidade se se posicionar como comunidade de verdadeira diversidade reconciliada.

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