Católicos continuam pressionando Trump quanto a alterações climáticas

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24 Fevereiro 2017

Mais de 100 líderes católicos, entre bispos e reitores, manifestaram-se, na semana passada, por meio de diversas cartas, para que o governo de Trump mantenha três políticas de mudanças climáticas alcançadas no governo do ex-presidente Barack Obama.

A reportagem é de Brian Roewe, publicada por National Catholic Reporter, 22-02-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Uma carta da Conferência Episcopal dos Estados Unidos abordou o acordo climático de Paris e o Fundo Verde para o Clima. Outra, da Catholic Climate Covenant, buscou proteger o Plano de Energia Limpa, da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA - Environmental Protection Agency).

O Presidente Donald Trump, que não acredita na mudança climática e classifica-a como uma "farsa", deve pedir, ainda esta semana, que as regras da EPA sobre emissões de usinas a carvão e a gás sejam reescritas e enfraquecidas. Permanece em suspenso a questão de como os EUA vão participar dos dois esforços internacionais para combater as mudanças climáticas em seu governo.

A carta dos bispos de 17 de fevereiro, escrita pelos bispos Oscar Cantu, de Las Cruces, do Novo México, e Frank Dewane, de Venice, na Flórida, juntamente com o presidente do Catholic Relief Services e o diretor Sean Callahan, foi endereçada ao secretário de Estado Rex Tillerson. Dewane é presidente do Comitê Episcopal de Justiça e Desenvolvimento Humano e Cantu preside a Comissão Internacional de Justiça e Paz.

Eles pediram que o ex-presidente da Exxon Mobil a permanência dos EUA no Acordo de Paris e o apoio nacional ao Fundo Verde para o Clima. O fundo, que tem uma meta de US$ 100 bilhões por ano em financiamentos até 2020 em prol da adaptação dos países em desenvolvimento e sua redução dos impactos climáticos, foi defendido por ativistas ambientais católicos no primeiro mês do governo Trump.

A carta dizia que o Fundo Verde para o Clima promove a resiliência e auxilia nações que estão se recuperando de impactos como eventos climáticos extremos. "Esta capacidade de resiliência melhora vidas e promove estabilidade e segurança", escreveram eles.

"A política concentra-se em ajudar os seres criados por Deus e todos os seres humanos, principalmente os mais pobres, a se adaptarem aos efeitos das mudanças climáticas, independentemente das causas", afirma a carta. "De acordo com a doutrina social católica, a adaptação está entre nossas ações mais importantes", enumerando furacões, enchentes, secas e escassez de alimento e de água como desastres climáticos que atingem em maior proporção aos pobres e mais vulneráveis.

Sobre o Acordo de Paris, firmado em dezembro de 2015 comprometendo 195 nações a limitar o aumento da temperatura global entre 1,5 e 2 graus Celsius, os bispos e o presidente da Catholic Relief Services consideraram o acordo "um passo fundamental" para apoiar não somente os esforços de adaptação e redução de mudanças climáticas em outros países, mas também a redução das emissões de carbono dos EUA.

De modo geral, a carta pedia que Tillerson liderasse o país para além de um debate estreito, politizado e ideológico sobre as mudanças climáticas, citando a encíclica "Laudato Si', sobre Cuidados para a nossa casa comum", do Papa Francisco, em que ele afirma que, por mais que causas naturais e outros fatores tenham contribuído, o grande consenso científico diz que as mudanças climáticas resultam principalmente da atividade humana, especificamente da queima de combustíveis fósseis.

"Esta compreensão aprofundada das mudanças climáticas, na qual o senhor parece acreditar, oportuniza que as pessoas sensatas reconheçam, sem controvérsias, que o clima está mudando e destaca a importância da adaptação perante a isto", acrescentaram.

Durante sua audiência de confirmação, Tillerson disse que era importante para os EUA "permanecer na discussão de formas de lidar com as ameaças da mudança climática, que exigem uma resposta global." Sob sua liderança, a Exxon Mobil reconheceu os riscos do aquecimento global e também apoiou o Acordo de Paris.

"A mudança climática é mais um motivo para os cristãos refletirem sobre nossas ações prioritárias", afirmaram os bispos na carta, fazendo referência a Mateus 35: "Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me".

"Temos uma casa comum, e devemos protegê-la", afirmaram.

Outra carta, enviada no dia 16 de fevereiro, reforçou o apoio católico ao Plano de Energia Limpa.

Assinado pelos presidentes de 24 faculdades e universidades católicas, juntamente com cerca de 70 líderes de mais de 50 ordens religiosas, a carta convocou "autoridades estaduais e federais para resolver a crise climática emergente e liderar a transição para as energias renováveis através de ações legislativas e executivas a fim de alcançar e superar as metas de redução de emissão de carbono estabelecidas no Plano de Energia Limpa".

Dessa forma, tiveram eco os discursos dos três últimos papas, que consideraram a mudança climática "um problema moral urgente que fere a criação, ameaça a vida e a dignidade humana e prejudica em maior escala os mais pobres e vulneráveis, que menos contribuem para ela". Eles também reiteraram a afirmação do Papa Francisco no Laudato Si' de que o uso de combustíveis fósseis "precisa ser progressivamente substituído " e que "é necessário desenvolver políticas urgentemente para que nos próximos anos a emissão de dióxido de carbono e outros gases altamente poluentes possa ser drasticamente reduzida, por exemplo, substituindo combustíveis fósseis e adotando fontes de energia renovável".

Diversos relatórios indicaram que, nos próximos dias, Trump deve emitir um decreto impedindo a EPA de reescrever as regras do Plano de Energia Limpa de 2015 e outro alterando a regulamentação da água dos Estados Unidos, que abrange mais de 60 por cento dos mananciais de água do país. O Plano de Energia Limpa promete reduzir a poluição por emissão de carbono de usinas em 32 por cento até 2030, tendo como base os níveis de 2005. O plano permanece em suspenso e está sendo analisado pelo Tribunal do Distrito de Columbia depois que 27 procuradores gerais - incluindo o novo líder da EPA, Scott Pruitt - contestaram a sua legalidade. Algumas análises de consumo de carvão em usinas e de geração de energia concluíram que o país está em ritmo acelerado na redução das emissões de carbono e consumo de carvão, mesmo que as regras não estejam sendo totalmente aplicadas.

Para além do seu impacto nas temperaturas cada vez mais quentes, a carta enfatizou os efeitos positivos do Plano de Energia Limpa na saúde: estima-se uma redução de 3.600 mortes prematuras, 90.000 crises asmáticas em crianças, 300.000 dias úteis perdidos e até US$ 54 bilhões em benefícios para a saúde pública e para o clima.

A carta também salientou que um padrão nacional de redução de emissões no setor de energia "ajudaria a promover a igualdade humana e a justiça ambiental", pois crianças afro-americanas têm 4 vezes mais chances de serem hospitalizadas e 7 vezes mais chances de falecerem em decorrência de asma em comparação às crianças brancas, de acordo com o Fundo de Defesa da Criança. A carta cita um relatório do National Resources Defense Council que afirma que cerca de 4 em cada 10 latinos e dois terços dos afro-americanos vivem a 30 milhas de uma usina de energia movida a carvão.

Entre os signatários da carta estavam a Irmã Joan Marie Steadman, diretora executiva da Conferência de Liderança de Mulheres Religiosas; o Frade Franciscano Brian Terry, presidente da Conferência dos Superiores Maiores dos Institutos Masculinos; o padre jesuíta Timothy Kesicki, presidente da Conferência Jesuíta do Canadá e dos Estados Unidos; a Irmã Patricia McDermott, presidente das Irmãs da Misericórdia das Américas; a Irmã Patricia Chappell, da Notre Dame de Namur, diretora executiva da Pax Christi dos EUA e Michael Galligan-Stierle, presidente da Associação das Faculdades e Universidades Católicas.

A carta era a tentativa mais recente da Catholic Climate Covenant de acionar o governo Trump, após um abaixo-assinado que pedia que ele desse continuidade às ações federais em prol da mudança climática. A carta não foi endereçada dirige apenas ao presidente, mas também aos líderes democratas e republicanos do Congresso, todos os 50 governadores dos EUA e ao novo líder da EPA, Pruitt.

No dia 21 de fevereiro, Pruitt dirigiu-se à agência pela primeira vez, resumindo sua opinião sobre seu papel: "acredito que nós, enquanto agência, e nós, enquanto nação, podemos ser defensores da energia e da criação de empregos e, ao mesmo tempo, do meio ambiente". Ele acrescentou que "reguladores existem para dar segurança àqueles a quem regulam", mas não mencionou a mudança climática em seu discurso.

E-mails vazados no dia 22 de fevereiro demonstraram ainda mais os laços de Pruitt com empresas de petróleo e gás e pessoas contrárias à regulamentação ambiental. Quando era procurador-geral de Oklahoma, Pruitt processou a EPA mais de doze vezes.

Antes de sua confirmação, em 17 de fevereiro, os funcionários da EPA entraram em contato com os seus senadores pedindo que eles votassem contra ele, segundo o The New York Times. Cerca de 800 ex-funcionários da EPA assinaram uma carta dizendo que Pruitt não é capacitado o suficiente para liderá-la e levantando questões sobre sua resistência perante as descobertas científicas e sua falta de comprometimento com o interesse público em detrimento dos interesses corporativos. Em uma campanha da Catholic Climate Covenant, católicos enviaram aos senadores cerca de 2.000 mensagens criticando Pruitt antes de sua audiência de confirmação.

A Rede de Ação Franciscana declarou, após a confirmação de Pruitt, que "se opõe firmemente" à sua liderança, pois ele ameaçaria "diretamente o bem-estar do planeta, do povo estadunidense e de nossos irmãos e irmãs ao redor do mundo que sofrem impacto direto das políticas climáticas do nosso país".

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