Um advogado estadunidense afirma que João Paulo II acobertou, durante anos, denúncias de abusos contra menores

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10 Fevereiro 2017

João Paulo II acobertou, durante anos, as denúncias de abusos contra menores na Igreja? Esta é a denúncia de um advogado estadunidense à Real Comissão que estuda os 4.500 casos de pedofilia contra menores que sacudiram o clero australiano, entre 1950 e 2010.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 07-02-2017. A tradução é do Cepat.

João Paulo II sabia que havia sacerdotes que abusavam de crianças, e a Igreja católica tentou acobertar as denúncias”, afirmou Thomas Doyle, autor de alguns desses relatórios nos Estados Unidos, durante os anos 1980.

“O relatório foi enviado por correspondência emergencial ao cardeal arcebispo da Filadélfia, John Krol, que o levou ao Vaticano, no dia seguinte, quando viajou para lá”, explicou o advogado, durante seu depoimento à comissão, em Sydney. Na mesma, afirmou que dom Krol entregou o relatório ao Papa, que leu o documento e anunciou a nomeação do bispo passados três dias, o que acabou na nomeação de AJ Quinn.

“(Quinn) resultou ser parte do problema, não da solução, porque se dedicou a buscar o modo como poderiam continuar o acobertamento”, disse Doyle, segundo a rede ABC.

Esta declaração ocorreu um dia após se conhecer um vasto relatório da Igreja católica australiana revelando que, entre 1980 e 2015, 4.500 pessoas denunciaram casos de abusos sexuais contra menores perpetrados por membros da instituição religiosa.

Segundo o relatório apresentado pela advogada conselheira da Comissão, Gail Furness, entre 1950 e 2010, foram identificados 1.880 agressores, entre eles, 572 sacerdotes, 597 irmãos religiosos, 543 leigos e 96 irmãs religiosas.

Após conhecer estes dados, o primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, em um discurso no Parlamento, qualificou os abusos como uma “vergonha nacional”. “Tais formas de abusos, em qualquer contexto, nunca devem ocorrer. Não é somente uma lição da história, nem uma trágica história do passado. É uma recordação a todos, hoje, em qualquer parte do país, que devemos proteger os vulneráveis que estão a nosso cuidado, as crianças em qualquer contexto”, ressaltou Turnbull.

Nestas audiências, as últimas nas quais estão sendo investigados os casos de abusos na Igreja católica e que durarão até o dia 27 de fevereiro, irão depor os sete arcebispos da Austrália, depois que, nesta segunda-feira, também foi incluído a convocação do arcebispo da Tasmânia.

A comissão foi estabelecida em 2012 para investigar a resposta das autoridades aos casos de abusos sexuais contra menores cometidos nas instituições públicas, sociais, esportivas e religiosas.

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