Papa Francisco contra o "capitalismo idolátrico"

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07 Fevereiro 2017

No dia do encontro do papa com o mundo da economia social comprometida com a erradicação da pobreza, apareceram às dezenas em toda Roma, pendurados nos muros da cidade, cartazes de contestação a Francisco e à sua obra. A foto mostra a imagem do pontífice com uma expressão particularmente carrancuda e franzida. Abaixo, o texto com veios romanescos: “A France’ [algo como “Ô Chico”, em português], comissariaste Congregações, removeste sacerdotes, decapitaste a Ordem de Malta e os Franciscanos da Imaculada, ignoraste cardeais... mas onde está a tua misericórdia?”.

A reportagem é de Carlo Marroni, publicada no jornal Il Sole 24 Ore, 05-02-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O cartaz é anônimo, não traz siglas nem símbolos e, por fim, aparece como uma piada grosseira à la Marchese del Grillo, mas certamente não passou despercebida, porque é bastante indicativa de um clima de crescente hostilidade contra o pontífice.

Francisco foi informado pelos seus colaboradores sobre os cartazes abusivos e, conforme a agência Ansa, reagiu à notícia com “serenidade e distanciamento”. As autoridades policiais estão investigando as gravações das câmeras que enquadram as ruas envolvidas. Estariam sendo investigados ambientes conservadores não especificados, que até hoje se moveram em outros campos de ação.

Mas o caso não obscureceu o grande encontro com 1.200 pessoas ativas no mundo da Economia de Comunhão mundial, que pertence ao Movimento dos Focolares.

“Quando o capitalismo faz da busca do lucro o seu único propósito, corre o risco de se tornar uma estrutura idolátrica, uma forma de culto. A ‘deusa fortuna’ é cada vez mais a nova divindade de uma certa finança e de todo aquele sistema do jogo que está destruindo milhões de famílias do mundo”, disse Francisco.

“O dinheiro é importante, sobretudo quando ele não existe e dele dependem os alimentos, a escola, o futuro dos filhos. Mas se torna ídolo quando se torna o fim.” A avareza, pecado capital, “é pecado de idolatria, porque o acúmulo de dinheiro por si só torna-se o fim.”

Depois, um chamado a fazer o próprio dever para com a comunidade civil: “Hoje, inventamos modos para cuidar, alimentar, instruir os pobres, e algumas das sementes da Bíblia floresceram em instituições mais eficazes do que as antigas. A razão dos impostos também está nessa solidariedade, que é negada pela evasão e pela fraude fiscais, que, antes de serem atos ilegais, são atos que negam a lei basilar da vida: o socorro recíproco”.

Nesse domingo, o papa também nomeou Angelo Becciu, sostituto da Secretaria de Estado, como seu delegado especial junto à Ordem de Malta. Trata-se de uma nomeação que era esperada, mas que, por importância do nome escolhido pelo papa, confirma a atenção particular que existe em relação à crise que atingiu a cúpula da ordem “religiosa e laical”: Becciu é o “número três” da hierarquia.

Ele vai acompanhar o procedimento de eleição do novo Grão-Mestre (que renunciou depois da crise de dezembro e janeiro, a pedido do papa) e também as modificações das constituições da ordem. E será o único porta-voz de Francisco: trata-se de uma desautorização do “cardeal patrono” Leo Burke, considerado um dos protagonistas da crise na cúpula da ordem.

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