Preparando-se para o governo Trump, líderes católicos expressam preocupação sobre a revogação de regulamentações

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16 Janeiro 2017

Temendo a revogação de regulamentações econômicas, ambientais e de saúde no governo do presidente Donald J. Trump que segundo eles podem prejudicar as comunidades vulneráveis, vários importantes líderes católicos se reuniram na capital dos EUA, na terça-feira, para encorajar os fiéis a defender os direitos dos trabalhadores, dos pobres e dos imigrantes.

"A Igreja deve trabalhar com os sindicatos, os trabalhadores, os idosos e os pobres nos próximos meses, para combater o crescente imperialismo dos mecanismos de mercado dentro da vida pública norte-americana", disse o Bispo Robert McElroy, da Diocese de San Diego, a uma multidão reunida na Universidade Católica da America.

A reportagem é de Michael O'Loughlin, publicada por América, 12-01-2017. A Tradução e de Luísa Flores Somavilla.

Em resposta, a irmã Carol Keehan, presidente da Associação de Saúde Católica e defensora-chave desde os primórdios do Affordable Care Act, considerou a assistência à saúde "um direito humano básico" e pediu que os líderes católicos "se unissem em uma só voz" afirmando que é " intolerável" que dezenas de milhões de norte-americanos que têm plano de saúde pelo Obamacare corram o risco de perder sua cobertura.

"A cada ano, mais e mais do dinheiro destinado à saúde é gasto com outras despesas", disse ela, lamentando leis que são "criadas em grande parte para agradar ou acalmar megaindústrias, como empresas farmacêuticas ou companhias de seguros".

Irmã Keehan declarou que a Igreja deve "rejeitar firmemente as soluções de mercado que rejeitam ou negligenciam o fato de que a assistência à saúde não é um bem de mercado."

Os microfones estavam a postos em uma conferência chamada "Autonomia equivocada: a dignidade do trabalho" (em inglês, Erroneous Autonomy: The Dignity of Work), patrocinada pelo Institute for Policy Research and Catholic Studies da Universidade Católica da América e pela AFL-CIO. O objetivo da conferência foi destacar as formas como várias forças sociais, quando desconectadas do ensinamento moral, podem prejudicar a sociedade.

O Cardeal de Boston, Seán O'Malley, por exemplo, falou sobre os efeitos negativos da globalização sobre os indivíduos quando não é baseada limites éticos. Embora os acordos econômicos globais possam produzir riqueza e tirar as pessoas da pobreza, ele disse que fixar a estagnação dos salários continua a ser "um imperativo humano e moral".

O cardeal, que é assessor do Papa Francisco, notou, ainda, que o apoio Católica ao salário justo "nunca é determinado apenas por fatores de oferta e demanda", mas pelas verdades mais profundas da dignidade humana. "O dogma católico sobre optar pelo lado dos pobres", continuou ele, "nos coloca em posição de apoio às iniciativas para aumentar o salário mínimo".

Mais de 125 pessoas participaram do evento, o terceiro de uma série que explora como a Igreja pode lutar contra o pensamento libertário nas esferas civis e políticas, destacando a dimensão moral da economia.

O Bispo McElroy, por exemplo, observou que os próprios mercados são moralmente neutros ainda que o "imperialismo dos mecanismos de mercado, neste momento histórico da nossa nação, seja um exemplo convincente da autonomia equivocada". O mercado, disse ele, é uma força do bem "quando serve ao bem comum na sociedade, por sua criação de riqueza, o desenvolvimento da liberdade e o serviço à justiça distributiva".

Mas também tem o potencial, continuou ele, de ser "especialmente destrutivo quando substitui a escolha por políticas públicas que diminuem o apoio aos idosos, aos pobres e aos marginalizados ou quando mina os direitos dos trabalhadores".

Embora muitos dos oradores tenham feito sugestões basedas em ideias defendidas pela campanha de Trump, a crítica foi bipartidária. Thomas Frank, autor e historiador cultural, culpou o presidente Barack Obama por não conseguir controlar Wall Street após a crise financeira de 2008, levando a uma quebra entre os eleitores da classe trabalhadora e líderes políticos do Partido Democrata.

No governo Obama, disse ele, "nenhum grande banco teve seus pagamentos suspensos. Nenhuma injeção de dinheiro foi revertida. Nenhum banqueiros de elite foi processado. Obama e seus democratas recusaram-se a mudar de rumo quando todos os sinais apontavam para isso", disse ele.

O bispo McElroy disse que a administração Obama exagerou em algumas questões sociais, incluindo "a mão pesada" no tratamento da questão extremamente complexa dos direitos de transgêneros. Além disso, ele disse, o governo "infringiu a legítima autonomia das comunidades religiosas, tradições culturais e padrões familiares".

Os resultados, segundo ele, foram "sentimentos de alienação de muitos cidadãos em relação a líderes da elite em nossa nação hoje".

Enquanto o evento destacou fortemente a responsabilidade do governo de proteger as comunidades vulneráveis através do aumento da regulamentação, alguns oradores observaram os sacrifícios pessoais que os americanos precisam fazer para que a mudança aconteça.

David Cloutier, um professor de teologia da Universidade Católica da América, disse que o imposto sobre o carbono é um elemento necessário para ajudar a combater a mudança climática. Mas, segundo ele, "a gestão de recursos consciente e moral" é um componente necessário.

"Nós não podemos ter um imposto sobre o carbono se as expectativas das pessoas sobre seu estilo de vida não mudarem", disse ele. "Temos de querer voar menos, dirigir veículos menores, ter casas de tamanho mais razoável. Mas precisamos de combustíveis fósseis mais caros para parar o gasto inconsequente e quase gratuito".

Houve também vários pedidos de proteção a imigrantes, inclusive de Richard Trumka, presidente da AFL-CIO, que elogiou o apelo da Igreja para a reforma da imigração.
Mr. Trumka disse que a AFL-CIO tem criticado deportações em massa durante o governo de Obama e que continuaria expressando preocupação quando o Trump tomasse posse no dia 20 de janeiro.

"Donald Trump fez campanha pela deportação em massa, a construção de muros, a imposição de provas decisivas a religiosos", disse ele. "Não se enganem, essas propostas são uma violação dos nossos princípios fundamentais e da nossa humanidade básica".

Ele disse que agora não é o momento de "falsas promessas de autonomia, de individualismo".

Essa noção, afirma ele, "não reconhece que estamos todos no mesmo barco e que venceremos ou afundaremos todos juntos".

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