Por que os cristãos são desproporcionalmente poderosos no Congresso

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06 Janeiro 2017

Os EUA estão se tornando cada vez mais diversificados em termos de fé, mas sua legislatura não. Uma das principais razões? As taxas de voto de estadunidenses não-religiosos.

A reportagem é de Emma Green, publicada por The Atlantic, 03-01- 2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.


(Gráfico: The Atlantic)

O 115º Congresso está em sessão novamente, e pelo menos uma coisa parece a mesma de sempre: 91 por cento de seus membros se identificam como cristãos.

Esta proporção basicamente permaneceu constante nas últimas cinco décadas, desde que iniciaram os registros deste tipo de dados, de acordo com um novo estudo da Pew Research Center. O que mudou é a população dos EUA: Apenas 71 por cento dos adultos estadunidenses se identificam como cristãos.

Algumas minorias religiosas, incluindo os muçulmanos, hindus e budistas, estão representados de maneira quase insignificante no Congresso em relação às populações que representam nos Estados Unidos, enquanto outras, como judeus e mórmons, têm representação um pouco maior que o esperado. Mas esses grupos não são a fonte do descompasso demográfico entre o Congresso e o resto do país. Os estadunidenses que estão drasticamente sub-representados no Congresso são os que não se identificam com nenhuma religião: apenas um membro do Congresso, Kyrsten Sinema, do Arizona, diz não ter afiliação religiosa, enquanto 10 outros se recusaram a indicar a sua afiliação em pesquisas e entrevistas da CQ Roll Call.

Há pelo menos duas boas explicações para este fenômeno. A primeira é que os estadunidenses que não têm religião não votam. Ou então, pode-se dizer que os jovens não votam: de acordo com o Instituto de Pesquisa de Religião Pública, jovens entre 18 e 29 anos têm três vezes mais chances de não ter afiliação religiosa se comparados a pessoas com mais de 65 anos. Ainda que a faixa de pessoas sem religião tenha aumentado significativamente na população norte-americana, indo de 14 para 22 por cento entre 2004 e 2014, a proporção de eleitores sem afiliação religiosa só aumentou de 9 para 12 por cento. Este gráfico oferece uma ilustração vigorosa da falta de participação política desses eleitores.

Estudiosos e jornalistas já denunciavam a apatia cívica dos jovens há bastante tempo. Mas, pelo menos em termos de demografia religiosa, faz sentido que não tenha havido uma revolução política sob a bandeira da irreligião: "sem religião" é uma categoria popularizada por pesquisadores. Constitui-se em uma ferramenta demográfica útil, mas não é uma forma muito útil de entender como esses estadunidenses pensam sobre política.

"Sem religião" significa que esses estadunidenses não se sentem pertencentes a qualquer tradição ou denominação religiosa. Mas isso inclui um grande e diversificado grupo. Os que declaradamente se identificam como ateus e agnósticos são uma minoria, representando cerca de 3 e 4 por cento da população estadunidense, respectivamente. Outros neste grupo, que inclui cerca de 23 por cento dos estadunidenses, podem estar mudando de religião ou não sentir que tenham um lar espiritual em algum templo formal. São pessoas que acreditam em Deus e pessoas que podem estar casadas com alguém de outra religião. E também há muitas pessoas que não acreditam que religião seja algo particularmente importante ou relevante em suas vidas.

Isto, acima de tudo, é a razão pela qual sugerir que as pessoas sem afiliação religiosa não estão devidamente representadas no Congresso é suspeito: eles nem sequer são um grupo demográfico coerente. Faz sentido que as pessoas que não se preocupam tanto com religião não se organizariam para ser melhor representadas no Congresso. Assim como é possível que pelo menos alguns dos que reivindicaram ter uma fé específica na pesquisa do CQ Roll Call sejam religiosos apenas da boca para fora. Afinal, qualquer pesquisador que se preze sabe que é difícil eleger ateus para cargos políticos.

Se realmente há uma crise de representação, aí vêm boas notícias. Estadunidenses sem afiliação religiosa incomodados com a falta de voz no Congresso podem usar um truque simples para começar a mudança: votar.

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