Amazônia necessita de novo modelo de desenvolvimento econômico, avaliam pesquisadores

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22 Dezembro 2016

A Amazônia necessita de um novo modelo de desenvolvimento econômico, fundamentado na combinação de tecnologias digitais e biológicas avançadas com os ativos biológicos do bioma.

A avaliação foi feita por participantes do “Simpósio Internacional de Bioeconomia”, realizado nos dias 9 e 10 de dezembro, em São Paulo.

A reportagem é de Elton Alisson, publicada por Agência FAPESP, 20-12-2016.   

Promovido pelo Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) com apoio da FAPESP, o evento teve como objetivo debater experiências internacionais bem-sucedidas em bioeconomia – que reúne segmentos econômicos que utilizam recursos biológicos de forma sustentável – e estabelecer parcerias com outros países a fim de dinamizar o setor no Brasil.

O simpósio integrou um dos encontros preparatórios para a realização do “Summit Bioeconomy 2017”, previsto para ocorrer no ano que vem, em São Paulo, com o objetivo de consolidar estratégias de bioeconomia para a formulação de políticas públicas no Brasil voltadas para estimular o setor no país.

“Em vez de olhar só para os recursos naturais e para os serviços ecossistêmicos oferecidos pela Amazônia, é preciso focar nos ativos biológicos do bioma que representam uma grande oportunidade para o desenvolvimento de tecnologias avançadas integrantes da chamada Quarta Revolução Industrial”, disse Juan Carlos Castilla-Rubio, presidente do conselho da Space Times Ventures – uma empresa de tecnologia brasileira especializada em incubar e escalonar mudanças em sistemas de produção de indústrias baseadas no uso intensivo de recursos.

O empreendedor peruano é um dos autores de um artigo publicado em agosto na revista Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS), liderado por Carlos Afonso Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e membro da coordenação executiva do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

No artigo, os pesquisadores propõem um plano para mudar os paradigmas de desenvolvimento sustentável, transformando o bioma em um polo de inovação tecnológica em grande escala.

O novo paradigma consistiria em empregar tecnologias digitais e biológicas avançadas da chamada Quarta Revolução Industrial – como inteligência artificial, robótica, internet das coisas, genômica, edição genética, nanotecnologias, impressão 3D –, associando-as ao conhecimento tradicional da região, a fim de criar produtos e serviços inovadores de alto valor agregado.

“Na nossa visão, a combinação de tecnologias digitais e avançadas da Quarta Revolução Industrial com os ativos biológicos e biomiméticos [que imitam a natureza para criar produtos] poderia dar origem a uma economia talvez de vários trilhões de dólares na Amazônia, e não de dezenas de milhões de dólares que temos hoje na região, focada em recursos naturais”, estimou Castilla-Rubio.

Borboletas morpha

De acordo com ele, um dos exemplos de ativos biológicos, como plantas e animais, existentes na Amazônia e nos quais as indústrias já têm se inspirado para desenvolver novos produtos usando tecnologias digitais, como impressão 3D e computação quântica, é o das borboletas morpha.

Consideradas algumas das borboletas mais belas do mundo, as asas desse gênero de abelhas apresentam uma coloração azul metálica, produzida não pela pigmentação, mas pela interação da luz com estruturas nanométricas (da bilionésima parte do metro) de diferentes índices de refração, que reforçam a reflexão de determinados comprimentos de onda.

Dessa forma, as características da coloração das borboletas morpha pode mudar de acordo com o ângulo de incidência da luz e de observação – fenômeno chamado de coloração iridescente.

“As estruturas nanométricas e o movimento de asas das borboletas morpha têm sido objeto de diversas pesquisas voltadas a desenvolver tecidos, revestimentos e painéis solares de altíssimo desempenho”, afirmou Castilla-Rubio.

Outro exemplo, segundo ele, é de uma espuma produzida pela rã-tungara (Physalaemus pustulosus) para servir de abrigo para seu ovos ou girinos em pequenos lagos ou poças d’água na Amazônia.

Composta por enzimas, que protegem os ovos e os girinos contra patógenos presentes na água e da luz solar, a estrutura do material tem inspirado o desenvolvimento de materiais fotossintéticos capazes de converter energia solar em biocombustíveis e para capturar dióxido de carbono da atmosfera, apontou Castilla-Rubio.

“Acreditamos que combinando as tecnologias digitais e avançadas com os recursos biológicos da Amazônia poderemos gerar novos produtos, soluções e plataformas tecnológicas não só para os mercados já existentes, como também criar outros totalmente novos”, avaliou.

“Temos discutido esse novo modelo de desenvolvimento econômico da Amazônia nos últimos seis meses no âmbito não só do Conic da Fiesp, como também no Fórum Econômico Mundial, do qual sou membro do conselho consultivo, e recebido amplo apoio”, afirmou.

Proteção da biodiversidade

Os autores do estudo ponderam, contudo, que os ativos biológicos encontrados na Amazônia só poderão contribuir para impulsionar a nova revolução industrial se a biodiversidade da floresta for protegida.

De acordo com dados apresentados por Nobre, o modelo de desenvolvimento implementado na Amazônia nos últimos 50 anos, calcado na substituição de áreas de floresta para produção agrícola, causou grandes transformações ambientais no bioma amazônico.

“A fronteira agrícola avançou muito rapidamente sobre a floresta, baseada em uma agricultura primitiva, além de insustentável e de baixa produtividade, caracterizada pelo uso do fogo, que é o principal agente de modificação do espaço amazônico e também de uma forma bastante rápida de extrair madeira, em grande parte ilegal”, afirmou Nobre.

A temperatura na Amazônia aumentou 1,1º C nas últimas décadas, apontou o pesquisador.

Se a temperatura do bioma aumentar 4º C ou se o desmatamento passar de 40%, o bioma pode atingir um ponto de ruptura, resultando em um processo de savanização irreversível.

“Estamos observando que a estação seca em parte da Amazônia – que dura entre três e quatro meses, no máximo – está ficando mais longa. Se isso se tornar uma tendência há o risco de a Amazônia savanizar”, avaliou Nobre.

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