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10 Dezembro 2016

Pesquisa encomendada à USCS (Universidade Municipal de São Caetano) pela Diocese de Santo André para diagnosticar a transformação do Grande ABC e sua população desde os anos 1960 até agora, apontou que a Igreja Católica vem gradativamente perdendo fiéis. Cinquenta e seis anos atrás, dos 499.398 moradores da região, 90,7% eram católicos. Em 2010, das 2,5 milhões de pessoas, 56,5% se declararam seguidoras do catolicismo e, neste ano, elas representam 46,8% em universo de 2,7 milhões de habitantes.

A reportagem é de Vanessa de Oliveira, publicada por Diário do Grande ABC, 08-12-2016.

Segundo o levantamento, 8,2% migraram do catolicismo para as igrejas evangélicas de missão (tradicionais como metodistas e presbiterianas); 27,1%, para as pentecostais (mais recentes, como a Igreja Universal do Reino de Deus e Assembleia de Deus); 3.9% se converteram ao espiritismo; 4,6%, à outras doutrinas (como umbanda, candomblé e budismo) e 9,4% optaram por não seguir mais nenhuma religião.

O estudo foi estruturado nos formatos qualitativo e quantitativo. No primeiro, foram ouvidas, por três horas, 67 pessoas divididas em sete grupos, (37 mulheres e 30 homens, já que a população feminina é maior – 51,2% contra 48,2%. No segundo, 3.180 pessoas, das sete cidades, responderam ao questionário.

“Na medida em que se abrem possibilidades para diferentes opções religiosas, é natural que o grupo religioso dominante perca uma parcela de seus adeptos. Além disso, se constata uma desinstitucionalização das religiões em todo o mundo, o que afeta aqueles grupos mais estruturados e tradicionais. Com isto, grupos religiosos menos estruturados, que se adaptam de forma flexível às demandas religiosas tendem a angariar maior número de adeptos”, pontua o professor de Ciências da Religião da Universidade Metodista Lauri Emílio Wirth.

A professora de Ciências da Religião da Universidade Mackenzie Lidice Meyer Pinto Ribeiro observa que as religiões tradicionais estão sofrendo declínio, enquanto o pentecostalismo vem crescendo. “Atualmente, há questionamentos sobre pontos que a igreja tradicional se mantém fechada ao diálogo e a sociedade está mudando”, aponta. “Precisa também do envolvimento comunitário da igreja, de ela se mostrar ativa com o bairro”, acrescenta.

Em 1960, apenas 0,5% da população regional não acompanhava nenhuma vertente religiosa. O salto atual para quase 10% de pessoas sem religião surpreendeu o bispo da Diocese de Santo André, dom Pedro Carlos Cipollini. “Estamos em uma sociedade chamada por muitos filósofos como a era do vazio. O consumismo desenfreado, quando mais se tem, mais se quer ter e isso dá um vazio, uma frustração. Tem a violência, a corrupção na política, as pessoas ficam desencantadas, não acreditam no ser humano, em Deus, além da desilusão com a religião”, fala.

A migração pela busca de satisfação total foi o motivo mais mencionado pelos entrevistados para deixar o Catolicismo. “A Igreja Católica tem que ser mais missionária, sair ao encontro do outro; e acolhedora, onde a pessoa sempre vai encontrar alguém para lhe dar uma palavra e atenção. Vamos estudar como fazer isso”, salienta dom Pedro.

A pesquisa será base do Sínodo Diocesano, planejamento que será feito no prazo de um ano por religiosos e leigos, visando nortear a missão evangelizadora do bispo.

Variados motivos levam à migração de católicos para outras religiões

Frustração, identificação com a ideologia de outra crença. Esses são alguns dos motivos que fizeram alguns moradores da região a buscarem por outra religião.

“Fui católica por 20 anos. Certo dia, um padre disse que não poderíamos bater palma na igreja, porque ele não queria. Comecei a ler a bíblia e estava escrito que temos que louvar a Deus com palmas e instrumentos de sopro e cordas. Com isso, percebi que tinha certas coisas na Igreja Católica que estavam diferente da bíblia”, conta a assistente administrativo Eliete Aparecida da Silva, 32 anos, de Mauá, agora evangélica.

De família católica, a produtora cultural Mariana Perin, 34, de São Caetano, migrou para o candomblé. “Na igreja não vemos padres querendo se aproximar de seus fiéis. Existe uma quarta parede muito dura, mesmo que invisível, que nos afasta da busca pela fé. Porque, no fundo, somos todos crentes no mesmo Deus, por mais que minha religião acredite em mais de um, é a busca pela paz, verdade e amor”, fala. Nos familiares ela encontrou apoio para a migração. “Eles acham até bonita a religião, mas não querem de jeito nenhum fazer parte.”

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