Jesuíta próximo do Papa diz que ataques a Amoris Laetitia são “parte do processo”

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06 Dezembro 2016

Em entrevista exclusiva, o confidente papal jesuíta e diretor da revista La Civiltà Cattolica, o Pe. Antonio Spadaro, SJ, discorda do tom e das táticas adotadas nas críticas feitas na imprensa relativas ao papa e responde diretamente aos quatro cardeais que publicamente criticaram Amoris Laetitia.

A entrevista, feita por email, é de Austen Ivereigh, publicada por Crux, 04-12-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Nota de Austen Ivereigh: O Pe. Antonio Spadaro, SJ, editor da La Civiltà Cattolica e um dos jesuítas mais próximos do Papa Francisco, recentemente entrou em contato comigo para perguntar se ele poderia clarear alguns mal-entendidos em torno de um tuíte dele próprio que ofendeu alguns em certos ambientes. O tuíte era em resposta ama enxurrada de críticas mal-humoradas que ele recebera por defender a exortação sobre a família Amoris Laetitia, do Papa Francisco.

Sugeri que, além de esclarecer o tuíte, ele poderia usar a oportunidade para responder, mais amplamente, a assim-chamada “dubia”, carta tornada pública há poucas semanas pelos quatro cardeais que a escreveram. Ele gentilmente concordou, deixando claro que não estaria falando em nome de alguém, mas somente por si próprio.

Eis a entrevista.

O senhor recentemente pediu, e obteve, um pedido de desculpas e correção de um colunista de jornal depois que ele alegou que o senhor havia insultado os quatro cardeais que escreveram ao papa pedindo esclarecimentos sobre Amoris Laetitia. Outros repetiram a alegação, que tomou asas nas mídias sociais. Quer em primeiro lugar esclarecer isso?

Essa coisa toda é ridícula. E profundamente ofensivo que se possa acreditar que alguma vez eu iria me referir a um cardeal como um “verme”. Posso não concordar, ou fazer uma brincadeira de leve, mas ofender é bem diferente.

O que aconteceu é exatamente o oposto do que veicularam. Eu tuitei que Amoris Laetitia era um ato de magistério. Alguém citou o meu tuíte e comparou o Papa Francisco e eu aos personagens Grima Língua de Cobra e Saruman, de Tolkien. Em uma riposta leve e irônica, simplesmente postei uma captura de tela do filme O Senhor dos Anéis sem comentário algum, em que Saruman diz: “[Eu não passei por fogo e morte] para trocar palavras distorcidas com um verme estúpido”. A referência era para mim, e não a alguém mais.

Então qual foi a origem da incompreensão?

Não faço ideia. Alguém decidiu que eu estaria insultando os quatro cardeais que escreveram a dubia e essa ideia decolou e se tornou viral na internet. Como alguém decidiu que eu estaria me referindo aos cardeais é um mistério. Faço essa pergunta aos que tuitaram.

Quando percebi o que estava acontecendo, exclui tuíte, que foi usado de maneira imprópria por pessoas que se apresentam como as defensoras da ortodoxia católica. Em seguida, o fato de ter apagado o material foi usado como prova de que agora me arrependia de ter insultado os cardeais. Infelizmente, a manipulação continua.

Como se sente com isso?

Eu não gostei do fato de que alguns grupos recorrem a tais táticas simplesmente para serem ouvidos. Ross Douthat, colunista do New York Times, repetiu o equívoco, mas quando apontei o mal-entendido, pediu desculpas e corrigiu o artigo antes escrito, o que foi bastante honesto de sua parte. Infelizmente, o mesmo não vale para a revista First Things, que não se saiu muito bem nesse caso. Todo jornal ou revista é responsável pelos seus próprios padrões de qualidade.

Tem também a questão de uma conta no Twitter que alguns de seus críticos alegam que o senhor está “se escondendo” por trás.

O que eles querem dizer por “se esconder”?! A conta era simplesmente uma que eu pouco uso de três que opero, incluindo a conta da revista [Civiltà]. Eu frequentemente retuito de uma conta para a outra.

Se realmente quisesse lançar pedras a partir de uma conta anônima, eu jamais, obviamente, iria retuitá-la. E por que eu deveria sentir a necessidade de me esconder? Eu estava simplesmente citando a visão de uma amiga americana que comentava não sobre o comportamento dos cardeais, mas a maneira como a expressão “os quatro cardeais” estava sendo usada em blogs – um jeito tal que que a lembrava algumas bandas de rock da década de 1960.

O engraçado foi que quando publiquei aquele tuíte, Raymond Arroyo, da EWTN, tuitou a foto de um cardeal [Timothy Dolan, de Nova York] dançando cancan com as Rockettes. O seu tuíte foi comemorado pelos meus detratores, a partir do que eu deduzo que este ataque contra mim é organizado e deliberado.

O que acha que está por trás desse ataque?

Acho que algumas pessoas estão explorando a carta dos cardeais para aumentar a tensão e criar divisão dentro da Igreja. Esses grupos se sentem marginalizados, portanto estão gritando contra e atacando qualquer um que seja percebido como estando perto do papa. Não estou aqui me referindo ao caso do tuíte, mas de maneira geral.
É doloroso saber que isso ocorre dentro da Igreja, entre católicos. Em alguns casos, basta ser positivo sobre o magistério petrino para ser atacado. É uma oposição profundamente desagradável, incapaz de articular um pensamento sem, ao mesmo tempo, transformá-lo em um ataque.

Mas por que os ataques são tão desagradáveis? O que está acontecendo?

Penso que há três coisas ocorrendo aqui. A primeira é que as ações de Francisco têm sido altamente eficazes; elas acertaram em cheio.

E isso significa, em segundo lugar, que “os espíritos estão se manifestando”, como diria Bergoglio. O ódio e a maldade dirigidos contra ele são sempre sinais do espírito mau que nada tem a ver com o Evangelho.

Isso é fácil de discernir. E, aliás, essa perturbação dos espíritos é uma reação ao bom espírito: se não houvesse reação, seria pior.

O terceiro ponto é que aqueles que se mostram hostis a Francisco estão em grupos encerrados em si, que não conseguem lidar com um debate aberto e sereno e que simplesmente se repetem, como em uma câmara de eco. Alguns desses sítios eletrônicos e contas no Twitter são simplesmente cópias de outros.

Qual a resposta apropriada?

Paciência. Precisamos pacientemente suportar os insultos e ataques, e confiar no processo em curso. Os ataques são parte inescapável do processo.

Alguns podem ouvi-lo aqui e dizer que todas as críticas a Francis são motivadas pelo espírito mau.

São João Paulo II frequentemente sofria ataques dos que o acusavam de uma abertura herética. Num desses sítios, vi que ele teria 100 coisas heréticas. Portanto, não há nada de novo sob o sol.

Mas, claro, nem todas as críticas a Francisco são assim. Algumas são críticas que ele é o primeiro a aceitar; noutros casos, existem críticas destinadas não a provocar, mas a abrir um diálogo autêntico.

Como o papa reage aos ataques? Há relatos de que ele está enfurecido com a carta [dos cardeais].

Ah, por favor! Esses comentários me fazem rir. Para irritar Bergoglio, tem de ser algo muito diferente. As verdadeiras preocupações dele são pastorais. O que o perturba são a pobreza, a injustiça, o martírio dos cristãos, a violência, e assim por diante, não este tipo de crítica.

Posso lhe garantir, pois tenho conhecimento direto disso, que Francisco não fica irritado com esse tipo de coisa. Penso que ele enxerga a raiva em alguns setores como prova de que algumas pessoas se sentem desafiadas pela hermenêutica da misericórdia, pelo Evangelho sine glossa [“sem glosa”, isto é, apresentado diretamente].

O cardeal George Pell disse recentemente em Londres que a carta dos quatro cardeais era “significativa”. Concorda?

Depende do que se quer dizer por “significativo”. Com certeza ela encorajou certos ambientes onde há resistência ao ensino de Amoris Laetitia.

Por que o papa não respondeu aos cardeais?

O papa não dá respostas binárias a questões abstratas. Mas isso não significa que ele não as tenha respondido. A sua resposta é aprovar e incentivar práticas pastorais positivas. Um exemplo claro e óbvio é a resposta que deu aos bispos da região de Buenos Aires, quando os encorajou e confirmou que a leitura de Amoris Laetitia feita por eles estava correta.

Em outras palavras, o papa responde por meio do incentivo, e na realidade ele adora responder a perguntas sinceras postas a ele pelos pastores. Os que realmente entendem a doutrina católica são os pastores, porque a doutrina não existe para a finalidade do debate, mas sim para a salus animarum [“a salvação das almas”]; ela serve para a salvação, e não para a discussão intelectual.

Certos jornais e revistas católicos da Inglaterra e dos Estados Unidos que apoiam a carta dissidente dos cardeais alegam que a Amoris Laetitia é, essencialmente, “ambígua” no tocante à questão da Comunhão aos divorciados e recasados, e que o papa não colocou estas questões adequadamente.

Francisco gosta de dialogar quando se está em um ambiente leal e sincero, motivado pelo bem da Igreja. As perguntas dos quatro cardeais já haviam, na verdade, sido postas durante o Sínodo, onde o diálogo foi amplo, profundo e, acima de tudo, franco.

A aprovação de todos os pontos do relatório final do Sínodo, por uma maioria qualificada, é testemunho do alto grau de convergência que se alcançou. Amoris Laetitia é o fruto maduro do Sínodo.

E, no Sínodo, todas as respostas necessárias foram dadas, e mais de uma vez. Depois disso, muitos pastores – entre os quais havia muitos bispos e cardeais – deram continuidade e aprofundaram o debate. Amoris Laetitia está bem clara.

Acho que uma consciência questionadora pode facilmente encontrar todas as respostas que está procurando, se buscar com sinceridade.

Os quatro cardeais alegam estar motivados pela preocupação pastoral pelo bem das almas, a fim de resolver as “dúvidas que são a causa de desorientação e confusão”. O senhor concorda?

Todos os cardeais podem fazer perguntas ao Santo Padre sempre que quiserem e, se eles têm dúvidas, podem falar com o pontífice e abrir seus corações. Um diálogo bem-fundamentado e discreto, sem exposição midiática e sem buscar fazer onda, é sempre útil. Sempre.

É bem diferente de quando um diálogo é usado de modo calculado, ou quando as pessoas põem perguntas no intuito de colocar o outro em dificuldade, provocando divisões.

Nesse caso, no entanto, nada que diga respeito à vida das pessoas deverá se resolver atacando as pessoas com abstrações, e sim lidando com os problemas – como os quatro cardeais afirmaram – através da “reflexão e da discussão, de modo sereno e respeitoso”.

Os cardeais querem saber se Amoris Laetitia tornam possíveis a absolvição e a Sagrada Comunhão a pessoas que ainda estão em um matrimônio válido, mas que se encontram tendo relações sexuais com um outro cônjuge. Eles dizem que este ponto não ficou claro.

Acho que a resposta aqui já foi dada, e de modo claro. Quando as circunstâncias concretas de um casal divorciado e recasado viabilizam um caminho de fé, pode-se pedir a eles que assumam o desafio de viver em continência. Amoris Laetitia não ignora a dificuldade desta opção, e deixa aberta a possibilidade de admissão ao Sacramento da Reconciliação quando essa opção está em falta.

Em outras circunstâncias mais complexas, e quando não foi possível obter a declaração de nulidade [matrimonial], essa opção pode não ser viável. Mas ainda assim é possível percorrer o caminho do discernimento sob a orientação de um pastor, que resulta num reconhecimento de que, em um caso particular, existem limitações que atenuam a responsabilidade e a culpa.

Em tais casos, Amoris Laetitia abre a possibilidade de acesso à Reconciliação e à Eucaristia, que, por sua vez, induz a pessoa a continuar a amadurecer e crescer, fortificada pela graça.

A outra área de preocupação deles é a compatibilidade da Amoris Laetitia com o ensinamento de São João Paulo II sobre a verdade objetiva e a consciência em Veritatis Splendor. Eles querem saber se, depois de Amoris Laetitia, o ensino católico continua a excluir uma “interpretação criativa do papel da consciência”.

Amoris Laetitia está sustentada por uma objetividade clara do bem e da verdade. Uma prova disso está no desenvolvimento da compreensão e do compromisso de realizar aquilo que é para o bem do homem in via [“durante o caminho”]. Nós nos encontramos aqui, no polo oposto de uma moralidade situacional, em que a norma é percebida como um pouco extrínseca ao ato que se realiza.

Na moralidade situacional, o sujeito está liberto da norma objetiva, que é concebida de modo abstrato, em favor de um pragmatismo ligado às circunstâncias. O Catecismo da Igreja Católica está certo ao dizer que “a verdade sobre o bem moral, declarada na lei da razão, é reconhecida prática e concretamente pelo juízo prudente da consciência” (parág.1780).

A justiça moral de um ato concreto particular inclui, inseparavelmente, a busca pela norma objetiva, que devo aplicar à complexidade do meu caso, bem como a virtude da prudência, que nos impele a discernir o bem verdadeiro em cada circunstância.

É na junção de quem sou e do contexto em que me encontro que o juízo prudente busca, julga, escolhe aquele que parece justo e correto em um caso concreto. “Quando escuta a consciência moral, o homem prudente pode ouvir a Deus, que fala”, como diz também o Catecismo (parág. 1777).

São João Paulo II já abriu a porta para um entendimento da posição dos divorciados e recasados por meio do discernimento de situações distintas que não são objetivamente idênticas, graças ao foro interno.

Francisco deu um passo importante ao obrigar-nos a esclarecer o que permanecia implícito em Familiaris Consortio, a saber, a conexão entre uma situação objetiva de pecado e a vida de graça encarada com Deus e Sua Igreja e, como consequência lógica, da imputabilidade concreta do pecado.

Como nos recordou o Cardeal Christoph Schönborn, o Cardeal Ratzinger [futuro Papa Bento XVI] já explicava na década de 1990: não podemos mais automaticamente falar de uma situação de pecado mortal no caso de uma nova união. Não pode existir uma norma geral que seja capaz de cobrir todos os casos particulares. Da mesma forma como a norma geral permanece clara, também permanece clara que uma tal norma não pode cobrir casos de um modo objetivo.

O que significa, suponho, que é possível ser objetivamente culpável sem subjetivamente sê-lo. Correto?

Em certos casos, quando estamos numa situação objetiva de pecado sem sê-lo subjetivamente, ou pelo menos só em parte, é possível crescer na vida de graça e caridade, recebendo para esse propósito a ajuda da Igreja, através dos sacramentos, incluindo a Eucaristia, que “não é um prêmio para os perfeitos, mas um remédio generoso e um alimento para os fracos” (Evangelii Gaudium, 47).

Ir da regra geral para os casos particulares não pode ser feito somente por meio de considerações de situações formais. É, pois, possível que, em certos casos, uma pessoa que esteja em situação objetiva de pecado possa receber a ajuda dos sacramentos, sim.

Quando o papa fala de “situações objetivamente pecaminosas”, não está se referindo a casos de tipos diferentes como em Familiaris Consortio (parág. 84), e sim fala em sentido mais amplo para incluir aqueles que “não [encarnam] objetivamente a nossa [compreensão] do matrimônio” e cuja “consciência […] deve ser melhor incorporada na práxis da Igreja”(AL, parág. 303).

No começo de Amoris Laetitia (parág. 3), Francisco observa que “cada país ou região, é possível buscar soluções mais inculturadas, atentas às tradições e aos desafios locais”. O senhor acredita que isso também permite espaço para diferentes interpretações de Amoris Laetitia? A visão que um bispo tem deste documento é melhor que a de outro?

Não. Uma coisa é implementar Amoris Laetitia segundo a circunstância local, outra coisa é interpretá-la de modo diferente. Cada bispo pode encontrar o seu próprio jeito de formular a sua estratégia pastoral para a família e, de fato, uma estratégia para os divorciados e recasados. O bispo é, ao mesmo tempo, doutor e juiz e sabe como implementar esta exortação apostólica, dando uma expressão concreta à interpretação correta dela.

A carta do papa aos bispos de Buenos Aires não deixa dúvida que se deve implementar Amoris Laetitia de acordo com as necessidades locais e que ela deve ser interpretada corretamente.

Os cardeais por trás da “dubia” estão todos aposentados ou, no caso de Burke, não lideram uma diocese. É surpreendente que muitos dos críticos de Amoris Laetitia são intelectuais leigos ao invés de pastores. O senhor percebe que existe uma divisão básica nas reações à Amoris Laetitia entre, digamos, os pastores e legalistas?

As melhores reações à Amoris Laetitia têm vindo de padres com uma longa experiência pastoral. Eles entenderam imediatamente por que Amoris Laetitia fala a partir da experiência em vez de falar a partir da teoria abstrata. Amoris Laetitia fala de uma resposta pastoral que esteja atenta à vida concreta. E o Evangelho sempre toma forma dentro da vida concreta. Então aqueles que estiveram expostos ao ministério pastoral a compreendem de modo imediato.

O papa não deixa espaço para a dúvida sobre o magistério da Igreja, e no caso de haver alguma dúvida, ele diz que “de modo algum, deve a Igreja renunciar a propor o ideal pleno do matrimônio, o projeto de Deus em toda a sua grandeza” (parág. 307).

Mas, antes, empregando uma linguagem dura, ele afirma: “É mesquinho deter-se a considerar apenas se o agir duma pessoa corresponde ou não a uma lei ou norma geral, porque isto não basta para discernir e assegurar uma plena fidelidade a Deus na existência concreta dum ser humano” (parág. 304).

O ministério pastoral sempre demanda o discernimento das situações. A doutrina da Igreja é a do Bom Pastor. O ministério pastoral não é uma aplicação de segundo nível, ou mesmo pragmática, da doutrina. Doutrina sem o elemento pastoral é um “sino ruidoso”. Precisamos continuamente retornar ao kerygma, àquilo que é essencial e que dá significado ao corpo inteiro da doutrina, em particular ao nosso ensino moral.

A seu ver, como Amoris Laetitia está cento aceita pelas conferências episcopais no mundo? A maioria está com ela, ou devemos esperar e ver?

É cedo ainda e é difícil generalizar. Mas do que vejo e percebi em meu redor, e a partir de uma série de convites que chegam para eu apresentar a exortação às dioceses (convites que na maioria dos casos infelizmente não poso aceitar), posso dizer com plena certeza que há um grande compromisso em seguir o ministério petrino, em seguir Francisco.

A sensação que tenho é que a grande maioria dos cardeais e bispos estão com ele, e muito poucos estão fazendo resistência a Amoris Laetitia.

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