Cristóvão Ferreira, o jesuíta português que inspirou Martin Scorsese

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01 Dezembro 2016

O jesuíta português Cristóvão Ferreira (1580-1650) está no centro no novo filme ‘Silêncio’, do realizador Martin Scorsese, relatando os dramas da perseguição religiosa contra os cristãos no Japão do século XVII.

“É grande a expectativa em torno deste filme que se baseia na adaptação do livro do japonês Shusaku Edo e que conta a história de Cristóvão Ferreira, um jesuíta português que teve uma missão importante no Japão, bem como de outros jesuítas que foram à sua procura quando chegou à Europa a notícia sobre a sua eventual apostasia”, explica uma nota dos jesuítas portugueses enviada à Agência ECCLESIA.

A reportagem é publicada por Agência Ecclesia, 30-11-2016.

Scorsese encontra-se hoje com o Papa, em audiência privada, depois de ter mostrado o filme em Roma, na terça-feira, a um grupo de jesuítas, entre os quais alguns portugueses.

A Província Portuguesa da Companhia de Jesus, em parceria com os promotores do filme, vai promover uma série de iniciativas culturais sobre a presença e o papel dos jesuítas no Japão.

Cristóvão Ferreira, jesuíta português protagonizado no filme ‘Silêncio’ pelo ator Liam Neeson, ficou conhecido no Japão por Sawano Chuan; entrou na Companhia de Jesus aos 17 anos de idade e, três anos depois, em 1600, foi enviado para trabalhar nas missões do Oriente.

Estudou Teologia em Macau e foi ordenado padre em 1608, tendo partido para o Japão em maio de 1609.

Hubert Cieslik, jesuíta e especialista na história das Missões no Japão, assinou em 1974 o texto "The case of Christovão Ferreira" [O caso de Cristóvão Ferreira], que apresenta o português como uma das “figuras mais controversas” do trabalho da Companhia de Jesus no país asiático.

Num contexto de perseguição religiosa, o padre Ferreira esteve em Nagasáqui e depois em Quioto, onde vivia escondido, saindo apenas de noite para visitar os cristãos.
De regresso a Nagasáqui, em 1617, foi secretário do provincial, Mattheus de Couros, cargo que o levou a viajar frequentemente pelo Japão, tendo mais tarde assumido a administração da província nipónica, por ser ali o jesuíta mais antigo.

Cristóvão Ferreira seria preso a 18 de outubro de 1633, juntamente com outros religiosos, missionários estrangeiros e japoneses, aos quais foi aplicada a “tortura da fossa”, método exclusivamente destinado aos cristãos para que negassem a sua fé.

“Consistia em pendurar os prisioneiros de cabeça para baixo dentro de uma fossa que era depois coberta com tábuas. Os cristãos ficavam, assim, sem luz e sem água, fortemente amarrados, até abjurarem ou morrerem”, explicam os jesuítas portugueses.

Cristóvão Ferreira terá cedido “ao fim de algumas horas” e a notícia da sua apostasia “chocou” a Europa.

Apesar de não se conhecerem as circunstâncias da sua morte, sabe-se que o português passou o resto da sua vida no Japão, servindo de intérprete para as autoridades locais.

Algumas fontes relatam que Cristóvão Ferreira se terá arrependido de renegar a sua fé e que viria a morrer, na referida fossa, em novembro de 1650.

O filme de Scorsese apresenta ainda a personagem de Sebastião Rodrigues, criada pelo livro Silêncio de Shusaku Endo e baseada na figura do jesuíta italiano Giuseppe Chiara, que chegou ao Japão para procurar o padre Ferreira, integrado num grupo de dez missionários.

Todos estes missionários terão renegado a fé sob tortura, tendo-se retratado mais tarde.

Os portugueses foram definitivamente expulsos do Japão em 1639 e o Cristianismo nipónico entrou numa vivência de clandestinidade que se prolongou até à reabertura do império ao Ocidente, na segunda metade do século XIX.

Os ocidentais encontraram então os ‘kakure kirishitan’, cristãos escondidos, em grupos dispersos e isolados que se congregavam sobretudo em áreas remotas, conservando a fé ao longo de várias gerações sem clero nem pessoal religioso.

Este é um fenómeno muito caro ao Papa Francisco, que na sua juventude sonhava ser missionário no Japão, algo que foi impossível devido aos seus problemas de saúde.

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