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25 Novembro 2016

“Eu tinha gostado dele desde a primeira noite da sua eleição. Agora, chegou mais uma confirmação veio. O Papa Francisco é um de nós...” Chamá-lo de entusiasmado é pouco. Filippo Di Giacomo, 64 anos, padre há 41 anos, jornalista e canonista, comenta com paixão as últimas novidades introduzidas pela carta apostólica Misericordia et misera.

A reportagem é de Fabrizio Caccia, publicada no jornal Corriere della Sera, 23-11-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

E há um motivo: “A verdade é que, mesmo antes desse histórico documento, nós, simples padres, absolvíamos as pessoas do pecado de aborto. Eu mesmo fiz isso não sei quantas vezes. Mas o fazíamos em silêncio, guardávamos isso para nós. Para não incorrer nas farpas daquelas que eu chamo de ‘Igreja de Papel’, feita só de normas e de proibições. Mas agora chegou Francisco, com o seu novo gesto revolucionário e disse a todos: se antes era uma práxis pastoral difusa, mas secreta, eis que hoje ela se torna a práxis do papa...”.

Di Giacomo revela: “Nós, meros padres, antes nos confiávamos ao cânone 144, parágrafo 1, do Código de Direito Canônico, que disciplina a suplência da Igreja. Em palavras pobres, se uma mulher que tinha abortado vinha se confessar e me pedia a absolvição, eu a absolvia. Imagina que eu iria lhe dizer: ‘Espere, volte em dez dias, pois, enquanto isso, eu vou pedir a permissão do bispo, porque eu não tenho a legitimidade necessária’. Entende-se, assim, a suplência da Igreja. Porque, no fim, o perdão lhe é dado por Jesus Cristo...”.

Ele, que foi aluno do cardeal Tarcisio Bertone na Pontifícia Universidade Lateranense e colega de aula do atual secretário de Estado, o cardeal Pietro Parolin, aplaude convencido a “reforma a partir de baixo do papa” e rotula, ao contrário, como “tagarelices de quem não faz nada” as críticas dirigidas a Bergoglio pelos expoentes mais conservadores da Cúria: “Mas por que esses cardeais não começam a circular pelas ruas sem insígnias? Por que não renunciam às pompas e aos privilégios?”.

O Pe. Filippo lembra a pena, as lágrimas, os suspiros de tantas jovens que foram se confessar com ele: “Eu considero o aborto um pecado horrendo ou, melhor, um crime”, ressalta. “Mas eu gostaria que, para além da política e das ideologias, esta nova carta apostólica representasse uma oportunidade para colocar novamente no centro do debate a pessoa, o ser vivo.”

O padre conta que também absolveu um médico, uma vez: “Era uma médica de Roma, não objetora. Ela me disse que, de fato, não estava orgulhosa com aquilo que fazia, mas que o fazia porque, caso contrário, não conseguia encontrar trabalho. E, assim, acabamos falando das objeções fingidas, isto é, dos muitos médicos que se fazem de católicos nos hospitais públicos, mas, depois, praticam os abortos nas clínicas privadas. Eu me lembro, também, que brigamos, eu e ela. E eu tive que interromper a confissão por um momento. Mas, no fim, voltamos a rezar juntos, continuando a falar lá fora, na praça da igreja”.

A partir de hoje, portanto, também os sacerdotes – não só os bispos – podem remover a excomunhão de quem demonstra estar arrependido por ter querido ou favorecido um aborto: “Felizmente, os tempos das excomunhões selvagens, datas à direita e à esquerda, estão longe”, conclui Giacomo. “O Santo Ofício, em 1949, excomungava você até se você estivesse inscrito no Partido Comunista Italiano ou na CGIL [Confederação Geral Italiana do Trabalho]. Depois, à Congregação para a Doutrina da Fé, nos anos 1980, chegou Joseph Ratzinger e pôs um fim a essa ferocidade pastoral assustadora. Seria preciso fazer um monumento para ele.”

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