"Os católicos se sentiram desprezados por Obama." Entrevista com Danielle Bean

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12 Novembro 2016

Danielle Bean, editora-chefe da revista católica Catholic Digest (editada pela Bayard) analisa a votação pró-Trump por parte dos eleitores católicos.

A reportagem é de Gauthier Vaillant, publicada no sítio da revista La Croix, 11-11-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Os eleitores católicos votaram majoritariamente (52%) em Donald Trump. Isso lhe surpreendeu?

Não, não é uma surpresa, não mais do que poderia ser para outra categoria. A desconfiança em relação ao establishment, que foi um dos principais motores da eleição de Donald Trump, não é especificamente uma questão de fé... Mas é verdade que, para muitos católicos, a escolha entre Hillary Clinton e Donald Trump pareceu ser, por muito tempo, difícil de fazer. Eu observei uma mudança nesse nível perto do fim da campanha. Alguns se conscientizaram da necessidade de votar, do fato de que não fazê-lo seria uma oportunidade perdida, mesmo que se tratasse de escolher o menor dos males. Alguns até votaram em um candidato independente... Mas muitos católicos, até o fim, não esconderam que, no dia da eleição, ficariam em casa.

O posicionamento "pró-vida" manifestado por Trump teve um papel na escolha dos católicos?

A questão das posições "pró-vida" ou "pró-escolha" dos candidato é sempre um debate central para os eleitores católicos. Acho que, desta vez, também havia o problema de saber se Donald Trump era realmente "pró-vida". De fato, ele proclama isso desde o início da campanha, mas, no passado, ele se disse por muito tempo favorável ao aborto. Como muitos, eu não confio em Trump nessa questão. Ao contrário, acho que o companheiro a vice-presidente, Mike Pence, é realmente sincero. Pessoalmente, preferiria muito mais que Mike Pence fosse o candidato a presidente.

É verdade que Donald Trump, embora não seja cristão, soube se cercar de cristãos, o que tranquilizou certos eleitores. Outro tema que certamente influenciou foi o da liberdade religiosa. É preciso que só Trump se manifestou claramente sobre esse tema [ele se comprometeu a defender a liberdade religiosa em uma carta à conferência anual dos responsáveis católicos, no início de outubro]. E, depois, muitos cristãos e católicos se sentiram desprezados ou até mesmo perseguidos por Obama. Pense-se nas Irmãzinhas dos Pobres forçadas a pagar pela contracepção das suas empregadas...

Entre os e-mails das pessoas da comitiva de Hillary Clinton revelados pelo Wikileaks no início de outubro, alguns mostravam um certo desprezo pelos católicos. Membros da sua equipe se expressavam até sobre a necessidade de estabelecer uma "primavera católica" dentro da Igreja, para levar adiante as suas ideias progressistas. Que consequências tiveram essas revelações?

Foram revelações importantes para os católicos estadunidenses. Abriram-lhes os olhos para aquilo que a frente progressista era capaz de organizar a fim de interferir na religião. É claro, não eram e-mails escritos por Hillary Clinton, mas pelo diretor da sua campanha. Mas isso mostrou de forma chocante uma forma de desprezo, que muitos compartilham na sua comitiva, em relação aos crentes. Eu acho que muitos católicos já tinham essa sensação. Mas o fato de vê-la tão claramente expressa, com as suas próprias palavras, agravou essa impressão. Mesmo que, no fim, eu acho que houve tantos "escândalos" e "revelações" durante essa campanha, de ambas as partes, que as pessoas acabaram ficando um pouco insensíveis.

No dia seguinte após essa eleição, a sociedade estadunidense parece muito dividida. Os católicos estadunidenses também estão?

É difícil dizer. Há pessoas decepcionadas, isso é certo, particularmente na mídia católica, que são muito polarizados. A campanha eleitoral foi terrível. O principal compromisso para quem foi eleito e para o conjunto da sociedade, agora, é o de trabalhar para recuperar a unidade, para redescobrir os nossos valores comuns. A partir desse ponto de vista, acho que o primeiro discurso de Donald Trump após a eleição deu motivo de esperança. As divisões ainda estão presentes, ainda estamos imersos no clima das eleições. E devo dizer que estou um pouco decepcionada com as manifestações, porque eu acredito que devem ser respeitadas as escolhas democráticas dos estadunidenses. Mas eu tenho confiança no povo estadunidense e nos católicos estadunidenses. Já vivemos um clima semelhante depois de outras eleições.

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