Lund, a comunhão e a bispa: questões ecumênicas e católicas. Artigo de Andrea Grillo

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03 Novembro 2016

"Ao lado de uma questão ecumênica, resta uma questão católica, com a qual o Papa Francisco está lidando há quase quatro anos. Não é possível abordar a primeira sem abordar a segunda. E o papa é o primeiro que está ciente de tudo isso. Sem uma teologia da Eucaristia e do ministério à altura do desafio, não se fará muita estrada."

A opinião é do teólogo italiano Andrea Grillo, leigo casado, professor do Pontifício Ateneu S. Anselmo, em Roma, do Instituto Teológico Marchigiano, em Ancona, e do Instituto de Liturgia Pastoral da Abadia de Santa Giustina, em Pádua.

O artigo foi publicado no seu blog Come Se Non, 02-11-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Como é evidente, o gesto histórico que o Papa Francisco fez no dia 31 vai muito além das palavras com que todos podemos comentá-lo. A fraternidade e a irmandade que ele soube expressar e fazer experimentar estão muito além dos conceitos e das representações que podemos utilizar para descrevê-las e avaliá-las.

Dois exemplos podem nos ajudar a entender o que significa essa "distância".

Em primeiro lugar, na Declaração Conjunta, espera-se um renovado empenho ecumênico também em nível teológico no plano da Eucaristia. As diferenças entre luteranos e católicos não podem mais ser entendidos simplesmente com base nos "cânones tridentinos de condenação". A práxis litúrgica do catolicismo, na sua história recente, conheceu uma grande renovação que contribui para aproximar as partes. A redescoberta da "comunhão" como lugar central da celebração eucarística permite reler a nossa tradição em uma nova sintonia com a protestante. Mas isso exige um "trabalho profundo" de compreensão e de explicação da "presença de Cristo", que saia das contraposições históricas entre "transubstanciação" e "consubstanciação". Poder dizer, hoje, uma comunhão possível entre católicos e luteranos na Santa Ceia requer um trabalho acurado sobre as categorias teológicas e sobre as suas premissas e consequências práticas, espirituais e orantes.

Podemos dizer o mesmo sobre o discurso sobre o ministério ordenado. Nesse campo, à experiência diferenciada e articulada da tradição protestante, corresponde uma "experiência bloqueada" no campo católico. Nós não conseguimos sair de um "bloqueio" que diz respeito a toda outra "figura" de ministro que seja diferente do "homem célibe".

Por um lado, uma elaboração diferente da necessidade da "vida celibatária" e a releitura de uma possibilidade do "ministério uxorado [casado]" – não só em nível diaconal – poderá ter o seu espaço de objetivo desenvolvimento.

Por outro lado, uma real integração da mulher no ministério eclesial deve superar bloqueios muito mais radicais e prejudiciais, que se alimentam de uma série de "indistinções" sobre as quais seria justo – ao menos ecumenicamente – deter o olhar. Tento elencá-los aqui, para favorecer um diálogo mais sereno sobre o tema:

a) ministério eclesial é mais do que a "mulher-padre": o debate que recentemente foi aberto, por impulso do Papa Francisco, sobre a oportunidade de "ordenação diaconal" para as mulheres constitui um tema delicado e decisivo. Contanto que se compreenda que o diácono é "ministro ordenado" e que, nesse sentido, a mulher entraria, assim, no âmbito da ordem sagrada.

b) a autoridade da Igreja envolvida na decisão: que a ordenação diaconal das mulheres, quando fosse considerada possível e oportuna, não afetaria minimamente aquilo que foi estabelecido pela Ordinatio sacerdotalis, a carta apostólica de João Paulo II que não reconhece à Igreja a autoridade para estender às mulheres a ordenação "sacerdotal" (ou seja, ao presbiterado e ao episcopado);

c) a não irreformabilidade da Ordinatio sacerdotalis: que, em uma perspectiva mais longa, a autoridade eclesial poderia reconhecer, amanhã, que tem a autoridade para estender a ordenação sacerdotal também para a mulher. De fato, o texto 1994 é "definitive tenendum", mas não de modo absoluto. Só enquanto a Igreja considerar que não tem aquela autoridade que, em 1994, decidiu excluir. Faltando requisitos de "infalibilidade", o documento é apenas relativamente irreformável.

A viagem para Lund, entre ida e volta, mostrou que, ao lado de uma questão ecumênica, resta uma questão católica, com a qual o Papa Francisco está lidando há quase quatro anos. Não é possível abordar a primeira sem abordar a segunda. E o papa é o primeiro que está ciente de tudo isso. Sem uma teologia da Eucaristia e do ministério à altura do desafio, não se fará muita estrada.

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