Arturo Sosa: seguidor de Arrupe, amigo do Papa e defensor dos pobres

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15 Outubro 2016

“Em uma palavra, Adolfo Nicolás é sucedido por uma figura segundo o coração do Papa Francisco, que revela a importância da América Latina na Igreja atual, a teologia a favor dos pobres, dos migrantes, dos últimos e da vigência do Vaticano II e do padre Pedro Arrupe, essa grande testemunha do século XX que foi, além disso, como está sendo comprovado, embora incompreendido na sua época, profeta do século XXI”, escreve Pedro Miguel Lamet, jesuíta e escritor, em artigo publicado por Religión Digital, 14-10-2016. A tradução é de André Langer.

Eis o artigo.

Em Roma, decididamente, sopram ventos latino-americanos. A Companhia de Jesus acaba de eleger Arturo Marcelino Sosa Abascal para o cargo de superior geral, um venezuelano de 68 anos, aberto e comprometido, forjado ao mesmo tempo na luta fronteiriça a favor dos pobres, em importantes cargos de governo jesuíticos e com uma profunda formação intelectual, sobretudo, em temas políticos e sociológicos.

A que responde esta eleição? Ontem mesmo [13 de outubro, dia anterior à eleição], durante um amigável almoço, à pergunta de Jesús Bastante, redator-chefe de Religión Digital, sobre quem poderia ser o futuro superior geral, respondi sem pestanejar: Arturo Sosa. Por quê? Muito simples: a Companhia, além de buscar um homem de Deus com preparação e experiência, não podia deixar de levar em conta que a dois passos da sua cúria geral governa um papa latino-americano e jesuíta.

Além disso, esta eleição representa um novo apoio à linha de Pedro Arrupe e à missão por ele inaugurada de unir fé e justiça, um binômio que se inscreve no diálogo com o mundo da Igreja do Vaticano II para enfrentar os desafios de um futuro complicado.

Luis Ugalde, SJ, outro cientista político muito influente na Venezuela, ex-provincial e ex-reitor da universidade, grande amigo de Sosa – ele o conhece desde quando este era adolescente e congregado mariano –, que se encontra nestes dias em Madri, me confessava hoje mesmo: “Acompanhei-o passo a passo e posso dizer que é excepcional. Quando era rapaz o encarreguei de vender um livro, “O social e eu” de Carlos Giner e ele acabou vendendo muitos outros. Dirigi sua vocação e quando entrou na Companhia, depois de estudar em Roma teologia e doutorar-se em Ciências Políticas, nomeei-o diretor do Centro Gumilla. Antes, o tempo de “mestre” (professor antes de se ordenar sacerdote), não o passou em colégio, mas na criação de um Movimento de Cooperativas de Poupança e Crédito para Camponeses”.

No Centro Gumilla, dos jesuítas, dedicado à pesquisa e ação social contra a exclusão, dirigiu a revista Sic, órgão de pensamento muito prestigiado na Venezuela. Mais tarde, Ugalde apoiou seu provincialado, chegando a ser o primeiro provincial nativo da Companhia em seu país.

A amizade com Bergoglio remonta aos tempos da Congregação Geral XXXIII, onde ambos mostraram afinidades, e consolidou-se com seu último cargo de Delegado do Geral, uma espécie de superior das casas interprovinciais de Roma.

O que pensa social e politicamente o novo geral? Confrontou seus conhecimentos de professor na fronteira dos mais postergados e pobres. Jesús Rodríguez Villarroel, Txuo para os amigos, é um jovem jesuíta venezuelano que está terminando na Espanha seus estudos em Cooperação Internacional trabalhando ao mesmo tempo em Entreculturas: “Passei oito anos com ele na RAIF, um trabalho conjunto entre venezuelanos e colombianos na fronteira, uma região difícil, qualificada de Terra de Missão. Ele era o reitor da nossa Universidade de Táchira e superior da nossa comunidade. Animava-nos com uma abertura incrível e muita fé nas pessoas. Ele acredita nas pessoas, inclusive quando falham; escuta muito, é próximo. Assim como o Papa, não tem medo de abraçar e beijar. Acredita também nos leigos, nas redes e é muito brincalhão. Sempre foi uma referência para os jesuítas venezuelanos. Ele goza de boa saúde, embora, às vezes, se queixe do ciático. Será um grande geral e ficará tempo no cargo”.

Em relação às suas ideias políticas, há provas em vídeos, sobretudo um de uma conferência pronunciada em Medellín (Colômbia). Aí se pronuncia como antichavista, embora alguns o acusem de ter feito estas críticas fora do país e de ter guardado silêncio dentro. Luis Ugalde, grande conhecedor da situação e também muito crítico da mesma, afirma: “A princípio, a situação era tão ruim que nós tínhamos certa esperança na chegada de Chaves, mas sem tomar partido. Recordo que Arturo e eu fomos vê-lo e apresentar-lhe um diagnóstico do que nós pensávamos sobre as carências da Venezuela. Aquela entrevista não deu em nada. Vimos, na sequência, o óbvio: que estávamos nas mãos de um militar”.

Na atual Venezuela de Maduro, embora não tenha nem de longe essa intenção, pode-se ver a eleição [de Sosa] como um golpe contra o regime e a favor da oposição. Sobretudo porque chove no molhado, já que a ereção ao cardinalato de Baltazar Porras, muito crítico com o governo, foi recebida como um balde de água fria nas altas esferas. No entanto, Rodríguez Villarroel pensa que “pode ser uma ponte, um chamado para os venezuelanos e grande assessor nesta questão para o Papa”.

De aparência informal, Ugalde recorda que quando o padre Kolvenbach fez uma visita à Venezuela e ele o encarregou das relações com a imprensa, seus companheiros de comunidade tiveram que comprar-lhe rapidamente um traje apropriado. Desde muito jovem, um bigode adorna um rosto rosado e cordial. O tirará, aquele que a partir de agora, segundo o jargão popular, é o “papa negro”? Txuo e outros amigos garantem que não, porque faz parte da sua personalidade, por outro lado não falto de caráter.

Por último, algumas curiosidades sobre suas raízes. Seu avô materno era espanhol, de Santander, para ser mais preciso, e alfaiate de profissão. Viveu 104 anos e era muito cordial e tão aficionado aos touros que procurava não perder as corridas de San Isidro em Madri, até o extremo que chegou a se sentar no gradeado com mais de cem anos. Seu pai, Arturo Sosa, chegou a ser ministro do governo venezuelano, e sua mãe, de 90 anos, ainda vive.

Em uma palavra, Adolfo Nicolás é sucedido por uma figura segundo o coração do Papa Francisco, que revela a importância da América Latina na Igreja atual, a teologia a favor dos pobres, dos migrantes, dos últimos e da vigência do Vaticano II e do padre Pedro Arrupe, essa grande testemunha do século XX que foi, além disso, como está sendo comprovado, embora incompreendido na sua época, profeta do século XXI.

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