Incêndio em campo de refugiados é o “símbolo das falhas na Europa”

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22 Setembro 2016

Chamas a devorar tendas, pré-fabricados e contentores, mulheres a fugir com bebês nos braços, milhares de pessoas a escapar do recinto, limitado por arame farpado. O incêndio que na segunda-feira à noite destruiu o campo de refugiados de Moria, na ilha grega de Lesbos, não fez feridos mas deixou um cenário de guerra. E uma mensagem: é preciso melhorar as condições em que vivem os refugiados que esperam asilo na Europa.

A reportagem é de Francisca Gorjão Henriques, publicada por Público, 20-09-2016.

Na terça-feira, não era ainda totalmente claro como tudo começou: se por causa de confrontos entre refugiados de diferentes nacionalidades (como noticiou a agência grega ANA), se devido aos rumores de que as autoridades se preparavam para enviar centenas de pessoas de volta à Turquia. Pelo menos nove pessoas foram detidas por suspeita de envolvimento nos distúrbios.

Sabe-se que o incêndio não foi acidental, que consumiu quase 60% do campo de Moria, e que “entre 3000 e 4000 migrantes fugiram”, segundo a polícia (outras fontes apontam para cinco mil). O vento forte facilitou a propagação do fogo posto. Cerca de 150 menores não acompanhados foram levados para outras instalações na ilha, e as famílias mais vulneráveis reinstaladas num outro campo, em Kara Tepe. Segundo a AFP, na manhã seguinte centenas de pessoas começaram a regressar a Moria, onde nas zonas poupadas às chamas se procedeu, como de costume, à distribuição de alimentos.

De qualquer forma, “não surpreende” que a situação se tenha degradado em Moria, cuja capacidade para 3500 pessoas foi ultrapassada para praticamente o dobro, e onde “falta segurança”, comentou à AFP Roland Schonbauer, representante na Grécia do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR). Schonbauer lembrou que é preciso garantir “o mais rapidamente possível” a transferência para o continente de populações que estão atualmente bloqueadas nas ilhas.

Há meses que o campo está a funcionar acima das suas capacidades, afirmou também Panos Navrozidis, diretor grego do International Rescue Commitee. O acesso à água é limitado e as condições em Moria estão longe de cumprir os padrões humanitários, afirmou à Reuters.

Já vários grupos de direitos humanos tinham alertado para as condições em que vivem os migrantes e refugiados à espera de asilo na Grécia, tanto no Moria como nos cerca de 50 centros de detenção espalhados pelo país. A Al Jazeera adianta que a situação é particularmente grave em Lesbos e outras ilhas do mar Egeu próximas da Turquia, onde a maioria dos requerentes ficam retidos durante semanas e meses, depois de viagens arriscadas para fugir à guerra ou à fome nos seus países (a maioria são provenientes da Síria, Iraque e Afeganistão).

O acordo que a União Europeia assinou com a Turquia na tentativa de limitar as entradas no continente, e que prevê que aqueles que chegaram depois de 20 de Março sejam reenviados para o território turco, está estagnado – pouco mais de 500 foram reenviados até agora, e nenhum destes tinha feito um pedido de asilo, segundo Atenas. Mas as chegadas continuam, a um ritmo de uma centena por dia, realça a AFP.

Um dos efeitos disto é que os centros de detenção estão já sobrelotados, com condições cada vez mais precárias. De acordo com o Governo grego, há 60.352 refugiados e migrantes registados no país (13.536 nas ilhas do Egeu), a maioria encurralados pelo encerramento da rota dos Balcãs que antes os conduziria para vários países europeus. As tensões crescem não só entre os residentes dos campos, como entre estes e a população das ilhas. “O incêndio de Moria é o símbolo das falhas da resposta europeia à crise dos refugiados”, comenta à agência francesa Panos Navrozidis.

Em declarações à rádio grega, o ministro da Proteção Civil, Nikos Toskas, chamou a atenção para a necessidade de ajuda exterior. “Os europeus têm de nos enviar ajuda a sério, e não cinco cobertores a que chamam ‘solidariedade internacional’”.

Durante a cimeira da Assembleia Geral da ONU que está a decorrer em Nova Iorque – e onde se discute a situação dos milhões de refugiados espalhados pelo mundo –, o primeiro-ministro grego alertou que se não resolver esta crise, a Europa vai assistir ao aumento da xenofobia. “Se não conseguirmos apoiar isto, as repercussões serão sentidas não só na Grécia mas em todo o lado”, afirmou Alexis Tsipras. “Vamos estar a dar espaço a forças nacionalistas e xenófobas que mostram a cara pela primeira vez desde a II Guerra Mundial”.

O ano mais mortal

Desde o início de 2016, mais de 300 mil migrantes e refugiados atravessaram o Mediterrâneo para chegar à Europa – o ano com maior número de mortes em naufrágios se o ritmo atual se mantiver, indicou esta terça-feira o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados. O número é inferior ao do mesmo período em 2015 (520 mil), mas o balanço de mortes está já nos 3211, ligeiramente inferior ao total do ano passado. “Com esta taxa, 2016 será o ano mais mortal no Mediterrâneo”, afirmou o porta-voz do ACNUR, William Spindler. A maioria atravessou o mar na tentativa de chegar à Grécia ou a Itália. Cerca de 48% dos que chegaram ao território grego são sírios, 25% vêm do Afeganistão, 15% do Iraque, 4% do Paquistão e 3% do Irão. Os que chegam a Itália vêm sobretudo da Nigéria (20%) e da Eritreia (12%).

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