Lesbos, depois do Papa: desembarques e despejos

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25 Abril 2016

A operação desencadeou-se na madrugada de ontem. Em campo, dezenas de policiais gregos, e um par de tratores. No espaço de poucas horas, da cidade das tendas de Tsamakia, não muito longe do porto de Mitilene, não havia sobrado mais nada.

A reportagem é de Gilberto Mastromatteo, publicada por Avvenire, 21-04-2016. A tradução é de Ramiro Mincato.

"Fomos carregados em alguns ônibus. Agora estamos todos no centro de detenção de Moria", sussurra o telefone Bassem Draief, 27 anos, tunisino de Tebourba. Ele está preocupado. Junto com ele, há outros 345 imigrantes, despejados pelas autoridades gregas.

Principalmente provenientes do Paquistão, Bangladesh e de vários países do Norte da África. Migrantes "econômicos", segundo a denominação atual. "Não sabemos o que vão fazer conosco agora - suspira - se nos enviarão de volta à Turquia. Apenas nos disseram que naquela praia não podíamos mais ficar". Entre os presos, também 19 ativistas No Borders, que estavam naquele momento dentro do campo Tsamakia. "A polícia os levou para uma delegacia de polícia e os liberou três horas depois - atesta Patrick, um jovem voluntário alemão, um dos que preparavam e distribuíam refeições para os migrantes na No Borders Kitchen -, o acampamento foi completamente desmontado. Os rapazes, colados em fila, foram levados num ônibus superlotado".

É o segundo despejo, em apenas dois dias, feito pelas autoridades de Atenas. Terça-feira foi o Café Soli, estrutura semelhante, posta na ilha de Chios, a ser desocupado. Ontem, o campo Tsamakia, a poucos metros do cais, onde, no sábado, o Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu tinham rezado, em conjunto, para os migrantes que chegaram a Lesbos, e por aqueles que não conseguiram fazê-lo. A situação dentro do centro de Moria está cada vez mais explosiva. No último sábado, logo após a histórica visita dos dois Pontífices, alguns migrantes começam uma greve de fome. "Exigiam comida melhor, roupa de cama limpa e a possibilidade de sair do centro - resume Jamal al Haraki, refugiado sírio, que em Aleppo, era dentista. No mesmo dia a polícia bateu num homem e numa jovem. Esta situação é insustentável. Somos refugiados, temos direitos, e queremos ser tratados como seres humanos. Acima de tudo, queremos saber o que pretendem fazer conosco".

Ontem, a Comissão Europeia destinou novo pacote de ajuda para a Grécia. Cerca de 83 milhões de Euros, para ajudar Atenas a gerenciar o fluxo de migrantes que chegam ao País. Mas o centro de Moria, continua se enchendo. Também porque os barcos em Lesbos, mesmo que em número menor, continuam chegando. Desde a visita de Bergoglio, até ontem, foram pelo menos 400 migrantes que chegaram, 176 apenas entre terça e quarta-feira. "Nós chegamos na última quinta-feira, apenas dois dias antes da chegada do Papa", diz Pedro Peres, dominicano de Santo Domingos, um dos cerca de vinte centro-americanos no centro de Moria. Testemunho o seu de quanto imponderáveis são rotas migratórias internacionais. "Nós voamos para Istambul”, diz , “porque para a Turquia, não precisamos de visto. Esperamos dois meses numa casa na costa turca. Então, finalmente, chegou o momento. Partimos de Dikili, éramos 66 no barco. Muitos sírios e muitos paquistaneses. Pagamos 1500 euros cada um, para arriscar a vida e chegar aqui, na Europa. Esperávamos uma recepção diferente".

Mas o pesadelo de serem reconduzidos à Turquia, a bordo dos navios da agência Frontex, continua.

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