Como ressignificar as CEBs na atual realidade latino-americana

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13 Setembro 2016

Construir a Igreja a partir da realidade em que esta vive, seguindo um método indutivo, tem sido um desafio nos últimos cinquenta anos, a partir das reflexões nascidas do Vaticano II e contidas nos documentos conciliares. Esta atitude tornou-se especialmente relevante no continente latino-americano, onde a partir da Conferência de Medellín foi traduzido para a realidade local tudo o que tinha sido trabalhado no Concílio.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 12-09-2016. A tradução é de Evlyn Louise Zilch.

As CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) na América Latina, nascidas em torno do Vaticano II, tem sido desde seu início uma expressão concreta desta nova forma de ser Igreja nascida do Concílio. Depois de 50 anos, as CEBs latino-americanas veem a necessidade de entrar em uma dinâmica de ressignificação, que as levem a encontrar os pontos fundamentais para ajudar a planejar o futuro da caminhada.

Para entrar nesta reflexão reuniram-se de 09 a 11 de setembro, na cidade de Areguá, Paraguai, um grupo de assessores e articuladores das CEBs, de 14 países, tendo como objetivo encontrar pistas para uma ressignificação das comunidades eclesiais de base na América Latina, que permita encontrar o caminho que conduza as CEBs a estarem presentes nas bases. Este foi um momento anterior ao X Encontro Continental de CEBs, que será realizado na cidade vizinha de Luque, de 13 a 17 setembro.

A análise da realidade foi o ponto de partida das discussões. Foi constatada uma série de elementos que em diferentes níveis estão presentes na vida das CEBs da América Latina, como a Leitura Popular da Bíblia, a formação, a união entre fé e vida, o cuidado da Casa Comum, o ser uma igreja para fora, a luta pela transformação social, a tensão entre clérigos e leigos.

Depois de observar alguns dos elementos que hoje estão presentes na vida das CEBs do Continente foram aparecendo os pontos centrais para levar a cabo o processo de ressignificação. Esta dinâmica deve partir da centralidade de Jesus de Nazaré e seu segmento, bem como da Palavra de Deus e deve conduzir a tomar uma série de atitudes como o respeito às diferenças, o caminho comum com os movimentos sociais que conduzem a um maior compromisso sócio-político, o ser uma Igreja ministerial, testemunhando o amor de Deus a partir dos excluídos, sem esquecer a necessidade de que as CEBs se façam presentes entre os jovens.

Cabe destacar uma ideia que trouxe o teólogo brasileiro José Marins, que enfatizou a necessidade de partir da ideia de que todos os batizados são consagrados para a missão de Jesus, fazendo ver que os leigos não são menos do que os sacerdotes. Por isso Marins alega que a referência sempre deve ser o povo, que deve ser ouvido tal como fala.

O sociólogo Pedro Ribeiro de Oliveira ressaltava como uma característica das CEBs a dimensão religiosa de suas lutas sociais, superando a defesa de seus próprios interesses. A partir disso, insistia na urgência de uma espiritualidade política para construir o Reino, aspecto que, em sua opinião, em outros tempos esteve mais presente na vida das Comunidades Eclesiais de Base.

Tendo em conta a realidade em que se movem as CEBs latino-americanas e como objetivo final o de encontrar caminhos para sua ressignificação, o teólogo argentino Carlos Schickendantz ajudou a refletir sobre os passos a serem dados neste sentido. Em sua análise partiu das ideias sugeridas pelo Vaticano II, onde se deu um salto de qualidade que teve como conseqüência um novo modo de proceder a partir do discernimento mediador dos sinais dos tempos, sob a autoridade da Palavra de Deus.

Desde as ideias conciliares, Schickendantz insiste na necessidade de perceber a voz de Deus na realidade, pois somente assim entendemos o que acontece, entenderemos ao Deus que acontece. Em sua opinião, o Concílio leva a descobrir que não podemos continuar com uma doutrina intemporal que julga e sim apostar em uma fé que evolui a partir da realidade, que Deus se manifesta a cada pessoa pela graça.

O teólogo argentino apresentou o Concílio como um momento de despedidas para situações históricas que isolaram a Igreja da sociedade, de outras denominações cristãs, de métodos de análises equivocados, surgindo novas prioridades eclesiais que dão lugar à primazia das igrejas locais sobre a Igreja universal, da comunidade sobre os ministros, da estrutura colegial sobre a estrutura monárquica, dos carismas sobre os ministérios, da diversidade sobre a uniformidade.

A partir das diferentes reflexões, os assessores e articuladores continentais constataram que é possível encontrar o caminho a seguir no presente momento pelo que se passa na América Latina. Ninguém pode esquecer que, como reconheceu Carlos Schickendantz, o efeito das CEBs vai muito além do que se vê e que a realidade cultural atual não permite descobrir claramente a relevância das diferentes realidades, tampouco das Comunidades Eclesiais de Base.

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