Com invocação em convenção do Partido Democrata, padre jesuíta pede que Deus mantenha o país “livre do ódio, da violência”

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29 Julho 2016

Um dos que discursaram na Convenção Nacional Democrata não trouxe os delegados a seus pés em aplausos, mas evocou os presentes a uma oração silenciosa.

A reportagem é de Matthew Gambino, publicada por Catholic News Service, 28-07-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O padre jesuíta William Byron fez uma invocação e conduziu mais de 20 mil pessoas em oração na quarta-feira desta semana no Wells Fargo Center, ao sul da Filadélfia, naquela que era a penúltima noite da convenção nacional do Partido Democrata. Byron precedeu dois dos maiores nomes do partido – o presidente Barack Obama e o vice-presidente Joseph Biden –, que proferiram seus discursos sob forte aclamação.

Na invocação, Byron citou o nome de Micah Xavier Johnson, atirador que, no dia sete de 7 julho em Dallas, foi morto pela polícia naquilo que deveria ser mais um protesto pacífico na cidade.

O padre falou que, depois da violência e dos assassinatos recentes, em particular os ocorridos em Baton Rouge (Louisiana) e em Dallas, ele ficou “intrigado” com nome de nascença de Johnson, e assim “cito profeta Miqueias e o grande São Francisco Xavier ao fazer esta invocação”.

Pedindo que todos parassem silenciosamente em oração, ele ofertou uma invocação:

“Senhor Deus, criador e governante do universo, nós invocamos a sua bênção sobre esta assembleia nesta noite, cientes de que o senhor mantém o nosso destino em suas mãos. A própria vida é um presente seu a nós; o que fazemos com nossas vidas é o nosso presente a ti. Abençoai-nos, neste período em que olhamos para o futuro do nosso país. Mantende-nos livres do ódio e da violência. Protegei-nos de toda confusão; façamos nossas as palavras de Francisco Xavier: ‘Senhor, eu ponho em vós minha esperança; que eu não fique envergonhado eternamente’. Voltemo-nos ao seu profeta Miqueias para ouvi-lo falar as palavras que ele nos deixou: ‘Ó homem, já foi explicado o que é bom e o que Javé exige de você: praticar o direito, amar a misericórdia, caminhar humildemente com o seu Deus’ (Miqueias 6,8). Ajudai-nos, Senhor, a trabalhar incessantemente por justiça, para sabermos o que é bom e buscarmos a bondade sem fracassar, e para verdadeiramente sermos humildes enquanto caminhamos contigo em direção a um futuro desconhecido, porém cheio de esperança. Amém”.

Embora o religioso atualmente seja professor de administração na Universidade de St. Joseph, na Filadélfia, o convite para falar na convenção veio a partir de uma relação estabelecida 15 anos atrás em Washington.

De 2000 a 2003, Byron foi pastor da Paróquia Holy Trinity, na região de Georgetown. Um dos paroquianos era John Podesta, primeiramente funcionário da Casa Branca e, depois, chefe do departamento pessoal no segundo governo do presidente Bill Clinton.

Os dois travaram uma amizade que perdura ainda hoje, e foi Podesta quem convidou o seu ex-pastor para falar no evento. 

Na evocação, Byron relacionou o tema do olhar para o futuro – e trabalhar por sua construção – com a questão da esperança. Ele acredita que exista uma boa razão para ter esperança no futuro dos Estados Unidos.

“A esperança é uma virtude, e nós somos um povo de esperança”, disse ele, citando o escritor inglês do século XX G.K. Chesterton: “E esperança significa esperar quando já não há esperança, de contrário não seria virtude alguma”.

Byron se mostra esperançoso “pelo poder do Espírito Santo” atuante neste país. Os católicos geralmente rezam ao Espírito Santo com as seguintes palavras: “Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai, Senhor, o Vosso Espírito, e tudo será criado e renovareis a face da terra”.

“Nós rezamos por isso e acreditamos”, contou Byron ao sítio CatholicPhilly.com, endereço eletrônico oficial da Arquidiocese da Filadélfia.

Algo dos EUA que ele espera ver daqui a quatro anos, seja em um governo de Hillary Clinton, seja em um governo de Donald Trump, é “uma renovação do serviço comunitário nacional”. Como exemplo, Byron apontou o projeto de lei que permitiu que milhões de cidadãos que regressavam à vida civil após a Segunda Guerra Mundial, incluindo ele mesmo, fossem para a faculdade.

Esse programa produziu a maior onda de alunos universitários da história do país, principalmente entre os anos de 1946 e 1950, contribuindo para a expansão da prosperidade no pós-guerra. Byron considera esta lei como um divisor de águas para a sociedade americana, cujos benefícios reverberam ainda no momento presente.

“Creio que essa lei foi a peça mais criativa da legislação que alguma vez saiu de todo o processo político”, disse. “Foi uma peça de legislação revolucionária” e uma revolução “no pensamento a longo prazo”.

A ideia de formação universitária gratuita em troca por um período de serviço comunitário realizado pelos participantes do programa é um conceito que Byron tem insistido nos últimos anos em palestras e artigos publicados no Catholic News Service.

Com um novo programa parecido com aquele da minha época, os alunos de pós-graduação estariam livres das dívidas que esmagam a maioria dos universitários de hoje. O benefício social de uma população melhor formada, com rendas mais altas e com uma base fiscal mais robusta para a sociedade, torna o programa autossustentável em termos financeiros, defendeu o religioso.

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