Os primeiros seis meses do governo Macri: “À maneira de Berlusconi ou de Trump”. Entrevista com o teólogo e jornalista Aníbal Sicardi

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Por: André | 08 Junho 2016

Se se trata de avaliar a nova etapa política argentina, “devemos nos referir às medidas tomadas e aos atos assumidos pelo novo governo”, enfatiza o teólogo e jornalista Aníbal Sicardi. E não faltam os exemplos para sentenciar o balanço do pastor (aposentado) da Igreja Metodista Argentina. Ele é, além disso, o diretor da Agencia de Informaciones Ecuménicas, ECUPRES, com sede em Bahía Blanca, Província de Buenos Aires.

A entrevista é de Sergio Ferrari e publicada por Agencia de Noticias Prensa Ecuménica – Ecupres, 03-06-2016. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

Como avalia estes primeiros meses do Governo de Mauricio Macri?

Por seus atos e medidas. Dou três exemplos. O levantamento do chamado “cepo cambial” peso-dólar [restrições à compra de dólares] que representou uma transferência de fundos para o grande setor agroexportador em prejuízo da maioria da população. Tornou os ricos mais ricos e os pobres mais pobres. A indústria ficou desprotegida. Liberou-se a importação e reduziu-se drasticamente o papel das empresas que geram empregos.

Por outro lado, o pagamento dos fundos abutres colocou a Argentina na roda da dívida externa e eterna. São feitos novos empréstimos para pagar a dívida, multiplicando-a por anos. A nossa soberania foi vendida. Além disso, há o golpe contra os direitos humanos. Os organismos que defendem os direitos humanos relacionados à ditadura cívico-militar veem seu trabalho reduzido mediante medidas de desmantelamento de recursos fundamentais. Ao mesmo tempo, abriu-se a porta para organizações que defendem os repressores.

Como o definiria em poucas palavras...

Este Governo é uma continuação da ditadura cívico-militar de 1976 sem a violência militar.

Na recente Feira Internacional do Livro a presidência da Nação organizou uma mesa redonda com o título “Do nunca mais aos novos direitos”, moderada pelo secretário dos Direitos Humanos Claudio Avruj. Qual é a sua análise desta mesa redonda?

O luta ideológica/cultural é o debate central na Argentina. Foi o que propôs desde o seu início o ex-presidente Néstor Kirchner e que teve uma mensagem simbólico-prática quando fez retirar o retrato do general golpista Jorge Rafael Videla, no dia 24 de março de 2004, da Escola de Mecânica da Armada, um dos principais centros de detenção clandestina por onde passaram milhares de detentos-desaparecidos. Videla era a figura que representava a concepção de país dos piores momentos da nossa história.

Sobre o que chamam de “novos direitos”, na verdade não os conheço. Não tenho noção do que querem dizer com esse termo. O que há são palavras como a do presidente Macri no 40º aniversário do Golpe Militar de 1976 quando disse: “Convido-os a trabalhar juntos para fortalecer a convivência pacífica entre os argentinos. Digamos juntos nunca mais à divisão entre os argentinos, nunca mais à violência institucional e política, nunca mais à violação dos direitos humanos”, misturando conceitos e dando uma mensagem que não admite as diferenças.

São as propostas de um padrão de permanência ou, melhor dito, ideologicamente, uma repetição da estrutura da reorganização nacional proposta pela ditadura de 1976.

No entanto, no discurso do Governo a crise atual é pura e simplesmente a herança de 12 anos de kirchnerismo...

É clássico que a ascensão de um governo de orientação diferente do anterior use o passado para justificar as supostas ou reais dificuldades que enfrenta. No caso mencionado a maior parte das citações sobre a “herança” refere-se à suposta corrupção de funcionários do governo anterior. Este tema é comum ao falar de governos peronistas. Se fossem radicais se refeririam à sua “ineficácia”.

Depois da indevidamente chamada Revolução Libertadora de 1955, houve uma promoção similar sobre o “ditador deposto” (Perón) e Eva Perón, ao que se acrescentou a proibição de mencionar o nome de Perón, peronista e inclusive de cantar a Marcha Peronista. Nesta linha proibitiva encontra-se a apelação negativa ao kirchnerismo distinguindo-o do peronismo. Tenta-se erradicar o que constitui um movimento novo que se instala como o peronismo do século XXI.

A questão da corrupção encontra acolhida em boa parte da população. Há um preconceito incorporado que permite essa possibilidade. Dado o apoio dos meios de comunicação, a menção à corrupção pode durar anos. Seu efeito irá reduzir a aceitação, mas servirá como argumento de defesa daqueles que apóiam este governo.

O que mais o surpreendeu nestes meses?

A inesperada rapidez na tomada de decisões para favorecer uma minoria no poder. Rapidez facilitada por um plano de comunicação que mistura conceitos, palavras, propostas, similares a Silvio Berlusconi ou Donald Trump. Os grandes meios de comunicação constituem a cadeia de transmissão desta comunicação.

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