PM do DF usa helicópteros para atacar moradores sem teto

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06 Junho 2016

Na manhã de ontem (5), a Polícia Militar do Distrito Federal utilizou 200 homens e 2 helicópteros para invadir o Torre Palace Hotel, ocupado por integrantes do Movimento Resistência Popular (MRP), desde outubro do ano passado. No total, três homens, quatro mulheres, dois idosos e quatro crianças foram retiradas do local. As crianças, que passaram mal devido ao gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e spray de pimenta, receberam os primeiros socorros ainda no local e depois foram levadas para o Hospital Materno Infantil de Brasília.

A informação é publicada por Jornal GGN, 06-06-2016, ao reproduzir a informação da Agência Democratize.

Para os líderes do MRP, as famílias só deveriam deixar o prédio - que está abandonado desde 2013 - após o governo garantir um local para moradia destas pessoas.

O governo do Distrito Federal classificou a operação como um "sucesso". "O foco hoje foi na preservação de vidas e no salvamento e resgate dos que estavam lá dentro", disse a secretária de Segurança, Márcia Alencar. O vídeo abaixo mostra os helicópteros da PM atacando os sem teto:

 

Da Agência Democratize

Governo do Distrito Federal chama de “sucesso” operação de guerra contra sem-teto

O Torre Palace Hotel havia sido ocupado por cerca de 12 pessoas e 4 crianças, em Brasília. Ignorando o diálogo, o governo do Distrito Federal montou uma operação cinematográfica com mais de 200 policiais e 2 helicópteros, expulsando as famílias. A operação foi chamada de “sucesso” pelo governador do DF.

Parece cena de cinema, ou até mesmo o dia-a-dia em uma cidade dentro de um país em guerra civil, como a Síria.

Mas na verdade isso aconteceu na manhã deste domingo (5), em Brasília.

Com mais de 200 homens fortemente armados, tanques de guerra e 2 helicópteros, o governo do Distrito Federal conseguiu remover famílias que estavam ocupando um prédio na capital  —  o Torre Palace Hotel.

Durante a semana, a ocupação havia sido alvo de críticas por parte do deputado federal Laerte Bessa (PR), que sugeriu uma invasão violenta por parte da Polícia Militar “para bater e arrebentar” os ocupantes.

Em sua página no Facebook, o deputado havia dito que “a Polícia Militar está algemada e impedida de cumprir a sua missão de desocupar o referido Hotel situado no coração de Brasília”, criticando a secretária de Segurança, Márcia Alencar.

O ex-delegado ainda fez comentários machistas com a secretária:

“Secretária, deixe o Comandante da PM resolver este assunto…vai cuidar da sua família. Exemplo: Levar e buscar os filhos na escola na viatura da polícia”.

Depois das críticas do deputado, não faltou exageros na operação montada pelo governador Rodrigo Rollemberg (PSB) contra a ocupação.

Dentro do hotel ocupado, haviam poucas famílias. Pelo menos 12 eram homens e mulheres maiores de idade, incluindo idosos, e cerca de 4 crianças.

Durante a operação, um ocupante ficou ferido com um tiro de bala de borracha, e crianças passaram mal devido ao uso de gás lacrimogêneo, bomba de efeito moral e spray de pimenta por parte dos policiais, que atacavam os ocupantes no chão e nos 2 helicópteros.

Anteriormente, o governo já havia cortado a energia nos últimos dias dentro do prédio, além de proibir a entrada de alimentos e água — mesmo sabendo que havia crianças dentro do hotel.

Segundo os líderes do Movimento da Resistência Popular (MRP), Edson Francisco da Silva e Ylka Carvalho, as famílias só deveriam sair do prédio após o governo garantir um local para moradia para os ocupantes, ignorando tentativas do governo do PSB de “sair de forma espontânea” — o que o governador acabou usando como argumento para a invasão forçada.

O prédio do hotel se encontra abandonado desde 2013, sem qualquer uso. A vizinhança ainda alega que por conta do abandono, o local tem sido usado como ponto para venda de drogas, além de assaltos frequentes na região. Mesmo assim, a questão foi tratada como “caso de polícia” ao invés do que deveria realmente ser — moradia e direitos humanos.

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