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27 Abril 2016

"Tanto a vitória da extrema direita, na Aústria, quanto a construção do muro de Brennero entre esse país e a Itália mostram a dificuldade de compreender o momento presente. Não vale o pretexto do terrorismo! Não vale confundir migração e crime organizado", escreve Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs, assessor das Pastorais Sociais.

Eis o artigo.

Dois fatores, ambos tendo como epicentro a Aústria, fazem crescer a tensão no continente europeu quando à chamada “crise migratória”. O primeiro deles se refere à surpreendente vitória da extrema direita no primeiro turno das eleições presidenciais. O líder do FPO (Partido da Liberdade), Norber Hofer, obteve mais de 36% dos votos. Um verdadeiro “tsunami político”, como o classificam alguns meios de comunicação. Convém lembrar que, naquele país, trata-se do melhor resultado da extrema direita desde a Segunda Guerra Mundial.

O segundo fator tem a ver com o muro de Brennero. Brennero é um município da Província de Bolzano, ao norte da Itália, na fronteira com a Aústria. Há algum tempo a Aústria vem reforçando as bases para a construção de uma barreira anti-migração. A estratégia é bloquear o fluxo de prófugos, imigrantes e refugiados que, a partir do Mediterrâneo, desembarca na Itália, tentando posteriormente alcançar os demais países europeus. Ontem, 24 de abril, um grupo de jovens italianos foi reprimido pelas forças policiais ao protestar contra a obra em curso.

Do ponto de vista de alguns analistas, o cenário é no mínimo preocupante. Além do apoio aos grupos de extrema direita (apoio que vem crescendo igualmente em outros países), está em jogo um duplo risco. Por uma parte, um claro atentado aos direitos humanos, de maneira especial ao direito de ir e vir. Reforça-se o fechamento das fronteiras, coisa que já é patente em outros países confinantes do velho continente.

Por outra parte, o fechamento das fronteiras quebra as asas dos sonhos e aspirações de milhares de migrantes, evidentemente. Mas não só isso! Põe em risco também a própria economia da União Europeia, desde algumas décadas baseada na livre circulação de pessoas e mercadorias. A pergunta é “o que ocorreá se os demais países da Europa fizerem o mesmo”?

Tanto a vitória da extrema direita, na Aústria, quanto a construção do muro de Brennero entre esse país e a Itália mostram a dificuldade de compreender o momento presente. Não vale o pretexto do terrorismo! Não vale confundir migração e crime organizado. Existe hoje uma forma mais ou menos segura de identificar os possíveis terroristas e dar-lhes combate. Além disso, nenhum muro ou barreira poderá conter o direito e a teimosia de uma oportunidade de vida melhor por parte dos migrantes.

Como ponto final a estes parágrafos, podemos concluir com as palavras do Papa Francisco: “faz-se necessário uma passagem da cultura da indiferença à cultura da solidariedade”.

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