Dom Mark Coleridge: Francisco quer fazer da sinodalidade uma “característica permanente” na vida da Igreja

Revista ihu on-line

Renúncia suprema. O suicídio em debate

Edição: 515

Leia mais

Lutero e a Reforma – 500 anos depois. Um debate

Edição: 514

Leia mais

Bioética e o contexto hermenêutico da Biopolítica

Edição: 513

Leia mais

Mais Lidos

  • A quem interessa a onda de intolerância religiosa que sacode o Brasil?

    LER MAIS
  • Amplia-se a distância entre Francisco e a Igreja dos EUA: papa envia Parolin em missão

    LER MAIS
  • Por que 60% dos eleitores de Bolsonaro são jovens?

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

04 Novembro 2015

“O Papa Francisco é uma combinação fascinante de um homem apressado e um homem que tem o seu tempo”, contou-me nesta entrevista à revista America Dom Mark Coleridge.

A entrevista é de Gerard O’Connell, publicada por America, 29-10-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

No Sínodo, ele disse que ficou profundamente impressionado pela paz e tranquilidade interior do papa, mas também por sua determinação em fazer a sinodalidade se tornar uma “característica permanente da vida de toda a Igreja – e não somente uma característica ocasional da vida episcopal”. Ele considera isso e a forma como Francisco vê a “colegialidade episcopal dentro da sinodalidade de toda a Igreja” como de ulterior importância, e crê que tais coisas podem ter maiores implicações para a Igreja nos próximos anos.

Coleridge rejeita a abordagem doutrinal que não esteja ligada à vida real das pessoas, mas está convencido de haver espaço para a “criatividade pastoral”.

Insiste que a Igreja “precisa empregar uma linguagem que as pessoas compreendam”, sendo que hoje ela usa, frequentemente, “palavras e imagens” que têm levado a um lugar “onde, na melhor das hipóteses, somos considerados como irrelevantes nas culturas ocidentais e, na pior das hipóteses, em alguns segmentos, somos considerados quase demoníacos”.

Nascido em Melbourne, no ano de 1948, após a sua ordenação, Coleridge, poliglota, estudou em Roma e em Jerusalém, tendo conquistado o título de doutor em Escrituras. João Paulo II o chamou para trabalhar na Secretaria de Estado do Vaticano em 1997, e quatro anos depois o nomeou como bispo auxiliar de Melbourne. Em 2006, Bento XVI o nomeou como arcebispo da Arquidiocese de Canberra e Goulburn, e em 2012 o fez Arcebispo Metropolitano de Brisbane.

Coleridge se tornou uma das celebridades na imprensa durante o Sínodo de outubro por causa de seu blog diário informativo e de entretenimento, escrito de um jeito incisivo e humorístico, oferecendo insights valorosos para dentro dos acontecimentos no Sínodo, fossem hilários ou sérios. Mas nem todo mundo tem gostado do que ele escreveu, e alguns reagiram negativamente nas mídias sociais.

Estimado por muitos Padres Sinodais, eles o escolheram para o conselho pós-Sínodo como um dos três representantes da Ásia e Oceania. Porém, dado que as regras só permitem que uma só pessoa por país seja eleita, ele foi eliminado porque um outro australiano, o Cardeal Pell, fora escolhido antes dele.

Conversei com Dom Mark Coleridge no dia 21 de outubro, três dias antes de o Sínodo concluir os seus trabalhos de votação dos parágrafos presentes no documento final. Se você quer saber o que o arcebispo blogueiro de Brisbane pensa sobre o “grand finale” do Sínodo, então clique aqui para acessar a versão em inglês.

Eis a entrevista.

Uma semana antes do final do Sínodo, na celebração do 50º aniversário de instituição do Sínodo dos Bispos, o Papa Francisco falou sobre a sinodalidade e declarou que este é “o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milênio”. Como o senhor interpreta este dizer?

O Papa Francisco não quer dar a impressão de existir um final para esta caminhada sinodal. Naquele discurso extraordinário em 17 de outubro, ele deixou bem claro que considera a sinodalidade como uma característica permanente da vida de toda a Igreja – e não somente uma característica ocasional da vida episcopal. Isso é significativo, assim como o é a forma como ele falou sobre a colegialidade episcopal dentro da sinodalidade de toda a Igreja. Penso que as implicações disso tudo são, de fato, muito significativas.

Não acho que o papa queira produzir uma exortação apostólica, algo que daria a impressão de que esta caminhada sinodal está agora terminada. Ele está interessado em gerar uma sinodalidade permanente para toda a Igreja, e isso é algo muito mais profundo.

A tarefa do novo Conselho Sinodal pode ser projetar a próxima fase desta caminhada. Alguns estão ansiosos de que este Sínodo podea acabar com muito menos do que se tinha esperado; outros se preocupam com o que dele pode resultar. Mas eu não acho que estas coisas incomodam o papa. Acho que ele disse bem claro, quando escreveu na “Evangelii Gaudium” (“A Alegria do Evangelho”), que “o tempo é superior ao espaço”. Talvez tenhamos de dar mais tempo para estas questões.

Ele também disse, nesse documento programático, que “a realidade é mais importante do que a ideia”.

É isso mesmo e este tem sido um elemento fundamental no Sínodo deste ano. Às vezes, escutar a certas vozes no Sínodo é como se as pessoas estivessem falando sobre alguma noosfera (a esfera do pensamento humano), onde tudo é verdadeiro e belo, e, de alguma forma, o que falam é coerente em si. Mas quando se ouvem estas coisas, pergunta-se onde elas tocam o solo da realidade, quero dizer: as vidas humanas concretas daquelas pessoas sobre as quais se fala. E é isso o que ocorre quando começamos a falar de doutrina de uma forma que esteja autocontida e imóvel. Tem havido um pouco disso, e uma das coisas que eu me vi pensando e, ocasionalmente, dizendo no pequeno grupo é que temos de lembrar que o propósito deste Sínodo é pastoral e, portanto, qualquer parte do processo que seja genuíno precisa lidar com os fatos concretos, não os fatos como nós gostaríamos que eles fossem. Em outras palavras, [precisa lidar com] a realidade da vida das pessoas.

De início, alguns quiseram falar sobre a paternidade responsável, que é, obviamente, uma questão importante, e dizer que nós devemos descobrir mais uma vez o rico ensino de “Humanae Vitae” – documento absolutamente verdadeiro e que tem uma visão magnificente do matrimônio cristão. Mas, ao dizer isso e em tentar redescobrir este ensino, precisamos ter em mente o fato desagradável de que a ampla maioria dos fiéis católicos não aceitaram ou não receberam o ensinamento de “Humanae Vitae”.

Concordo que precisamos redescobrir os tesouros da “Humanae Vitae”, mas também aplicarmos ele no mundo real onde sabemos que este ensinamento não foi recebido pela grande maioria dos fiéis.

Nesse contexto, acho muito significativo que o papa, em sua alocução no dia 17 de outubro, falava sobre a “Igreja docente” (ecclesia docens) e da “Igreja discente” (ecclesia discens), lembrando os Padres Sinodais de que a “Igreja discente” também possui um senso de fé e tem algo a dizer.

Penso que toda essa coisa de Igreja docente e Igreja discente é bem importante, e Francisco está dizendo que esta relação precisa ser revisitada, e isso é verdade.

Não é apenas uma direção, uma via de mão única.

Não é uma via de mão única apenas, e qualquer pastor sabe disso; qualquer um que já lecionou – e eu leciono há anos as Escrituras – sabe que há uma mutualidade nessa troca também; não é uma via de mão única. De modo parecido, se você é um pastor, há uma mutualidade profunda em tudo. Então, o que o papa está articulando é simplesmente o que acontece vida real.

Eu temo uma espécie de abordagem doutrinal em que se decola para a noosfera (o mundo do pensamento), onde não se está tocando o solo naquilo que eu consideraria como sendo o genuinamente pastoral. Foi isso o que levou o Papa Francisco a dizer bem claramente nesta caminhada sinodal, que ele não apenas queria que o processo sinodal continuasse enunciando a doutrina da mesma forma.

Eu tenho dito uma série de coisas em entrevistas e em postagens no blog durante este Sínodo a esse respeito, coisas que provocaram algumas reações fortes de certos grupos, muito embora eu tenha sido bem claro ao dizer que não sou a favor de mudanças fundamentais nos grandes ensinamentos da Igreja.

Na verdade, creio que existe um enorme escopo para aquilo que chamo “criatividade pastoral”, e parte dessa ideia tem a ver com a questão da linguagem. Mas a impressão que se tem de alguns representantes, tanto dentro como fora do Sínodo, é que, se mudarmos um pontinho ou um til não só daquilo que ensinamos como também a forma em que o ensinamos, e o que fazemos com base nesse ensino, então todo o edifício se desfaz.

O Papa Francisco tocou nesse tema na entrevista concedida ao padre jesuíta Antonio Spadaro, em setembro de 2013, intitulada “A Big Heart Open to God”, e em seu documento programático, “A Alegria do Evangelho”, em novembro de 2013.

Exatamente! Aliás, no Sínodo eu fiquei bastante surpreso com o quão poderoso é este sentido das coisas, e o que ele faz é criar uma ansiedade que se aproxima da paranoia.

A outra coisa que tenho a dizer – e falo aqui a partir de um contexto ocidental – é que não estamos como se estivéssemos em pé de guarda diante de um triunfo. Se aquilo que estamos fazendo e a forma como estamos comunicando fosse brilhantemente bem-sucedido, então poderíamos compreender o desejo de montar guarda aqui. Mas, de novo, a realidade sugere que elementos fundamentais do que estamos fazendo e dizendo não apenas não estão sendo bem-sucedidos, mas são também fracassos patentes.

De novo, a partir de minha experiência docente, sei que se estou ali, diante de uma turma, e estou tentando comunicar algo importante a ela, e sei que simplesmente eu não estou tendo sucesso, então sei que se eu me mantiver dizendo a mesma coisa, na mesma forma, pensando que se eu disser o suficiente eles vão entender, eles não entendem. Os alunos simplesmente vão parar de ouvir e vão dormir. Tenho de encontrar um outro conjunto de palavras, uma outra imagem, uma outra forma de chegar a eles, para me comunicar. O mesmo é verdade para a Igreja em sua comunicação.

Assim, muito do que tenho dito publicamente é, precisamente, este ponto de natureza pedagógica, que as palavras e imagens que frequentemente usamos têm levado a um lugar onde, na melhor das hipóteses, somos considerados como irrelevantes nas culturas ocidentais e, na pior das hipóteses, em alguns segmentos, somos considerados quase demoníacos. Podemos, nesse momento, não gostar destas mudanças, e podemos dizer que não é verdade e que é injusto. Mas temos que encarar a realidade: temos de empregar uma linguagem que as pessoas compreendam.

O senhor falou sobre isso na coletiva de imprensa, ao responder a uma pergunta sobre o uso da expressão “intrinsecamente desordenado” em relação aos homossexuais.

Sei o que significa a linguagem do “intrinsecamente desordenado”, e se você vem de um certo contexto filosófico, teológico e bíblico, então este significado é bem profundo e incisivo. Mas o fato é que, para a maioria das pessoas, esta linguagem está complicando a situação.

Muitos também a consideram ofensiva.

Sim, ofensiva. E não obstante o quão maravilhosa e verdadeira que ela possa ser, penso que como mestres temos de dizer que se trata de uma contracomunicação. Portanto, precisamos encontrar um outro jeito de dizer algo semelhante de uma forma que possa ser não apenas compreendido pelas pessoas, mas também que possa, realmente, conduzi-las ao longo do caminho.

Como disse acima, posso entender a tendência defensiva de alguns que querem manter esta linguagem. Sei que temos de defender a verdade, e o bispo precisa salvaguardar o depósito da fé, sei de tudo isso. Mas sei também que precisamos nos comunicar, e se estamos falando sério quanto a evangelizar, então temos de comunicar a verdade que consideramos valiosa.

O Papa Francisco gosta de iniciar processos, mas os processos não dão resultados imediatos nem produzem soluções instantâneas. O senhor concorda que o Sínodo é um desses casos?

Eu acho que esta afirmação está absolutamente certa e tal caminhada sinodal, para mim, vem sendo uma jornada para dentro de uma compreensão mais profunda daquilo que o papa quer. O simples conversar com as pessoas no Sínodo e vê-lo ali não deixa dúvidas. Temos aí uma comunicação direta, embora possamos não ser tão pacientes quanto ele. O papa é uma combinação fascinante de um homem apressado e um homem que tem o seu tempo.

Assistir o Sínodo se desdobrar e ouvir opiniões diferentes – e, por vezes, totalmente opostas – sendo expressas faz-me lembrar da Arca de Noé: parece que há de tudo aí dentro.

É como a Arca de Noé, exatamente, e enquadrar o Sínodo em termos de dois campos é totalmente enganador. Devo dizer, no entanto, que uma das coisas que têm me tirado do sério ao longo do Sínodo são estas leituras apocalípticas ocasionais da realidade. Na medida em que envelheço, torno-me cada vez menos apocalíptico e, em termos bíblicos, torno-me mais sapiencial. Alguns daqueles mais ansiosos deste Sínodo favorecem uma leitura mais apocalíptica da realidade, e eu simplesmente não compartilho dessa visão.

Está claro que existe uma minoria tanto dentro quanto fora do Sínodo que compartilha dessa visão apocalíptica do Sínodo. Um bispo, em sua fala (que foi publicada), afirmou que a fumaça de Satanás havia adentrado o Sínodo de 2014 e que estava abrindo caminho neste sínodo também. O que o senhor diz sobre isso?

Penso apenas que uma fala dessas está profundamente equivocada e que não pode levar a nada senão àquele tipo de fumaça de Satanás sobre o qual o Cardeal Schönborn falou logo em seguida. Ele disse que esta fumaça vem quando existe um espírito partidário lá fora, onde o mundo é visto em termos de luzes e trevas, bem e mal, verdade e erro – sem nenhum meio termo entre os dois extremos. Quando um espírito partidário toma conta do Sínodo, é aí que a fumaça de Satanás adentra o salão.

No entanto, devo ressaltar que, embora esta visão apocalíptica do mundo não tenha predominado, ela foi um elemento que, talvez, se mostrou mais extrema do que eu esperava.

Ao mesmo tempo, muitos Padres Sinodais me disseram que ficaram tão impressionados pelo fato de que, durante todas as sessões e dos vários momentos de turbulência, o Papa Francisco esteve sempre tranquilo, em paz.

É verdade. Quando eu o assisti visitar os Estados Unidos, fui surpreendido com o seu sentido extraordinário de calmaria sob os holofotes da publicidade; todo mundo estava olhando para ele, todos estavam fotografando-o, mas isso não o distraía, de maneira alguma. Conforme certa vez me disse o Cardeal Pell: “Ele é um homem que está muito confortável em sua própria pele”.

Essa é a impressão que Francisco deixa no Sínodo quando ele entra no salão. No passado, com os outros papas, era algo cerimonial quando eles entravam. Mas, com Bergoglio, não é assim. Ele simplesmente passeia carregando a sua própria bolsa ou pasta, como qualquer outro bispo. Ele chega cedo e se põe no pódio. Aperta a mão de todo mundo e fala com quem ali está. É um outro jeito em que ele subverte a cortesia papal.

Eu não preciso lhe dizer como são as coisas aqui, mas trabalhei nesse lugar por anos e as duas coisas que me fascinam no Papa Francisco são quando ele diz que o papa não é um monarca e que o papa não é um oráculo. Acho que essas duas coisas são providenciais.

A história sublinha as formas nas quais os papas se tornaram monárquicos e que houve uma corte papal – ainda existem traços disso. É difícil se livrar de algo que fincou raízes profundas; leva-se tempo... O papa se tornou um oráculo; Pio XII se pronunciava sobre todas as coisas. João Paulo II criou um ar de onisciência também, mas este atual papa não. E é aí onde ele assume a sua modéstia e humildade, não só em se tratando de si mesmo como também sobre o Sínodo. Ele diz para não esperarmos muito do Sínodo ou, pelo menos, não esperar demais dele em um curto espaço de tempo.

Ele falou que o Sínodo é um caminho. É assim que o senhor o tem vivido?

Sim, é um caminho e a minha própria vivência dele tem sido um caminho para dentro do que realmente quer dizer sinodalidade. Quando os jornalistas me perguntaram que momento do Sínodo eu achei mais eletrizante ou iluminador, eu disse – e repito – que foi aquele discurso que o pontífice proferiu no dia 17 de outubro no 50º aniversário de instituição do Sínodo dos Bispos. Ele falou ao final do evento, e foi grandemente marcante porque ninguém esperava algo assim. Mas quando começou a falar, de repente todos começaram a ouvir o que ele estava dizendo, porque não era outra coisa senão algo programático.

Então, para mim, estes dias em que aqui estou têm sido uma caminhada pessoal para dentro de uma compreensão mais profunda de sinodalidade, e não somente quanto ao que o papa quer dizer com este termo, mas também quanto ao que o Espírito está dizendo à Igreja neste momento.

E, talvez, o que é verdadeiro para mim pessoalmente pode ser também verdadeiro para o Sínodo de forma geral, a saber: que Francisco quis mesmo que aquela alocução fosse uma chave interpretativa para todo o processo sinodal, e a ocasião para ela foi extremamente bem pensada, vindo ao fim das duas primeiras semanas.

Na verdade, o Sínodo acontece em muitos e diferentes níveis, e é aí onde relatos unidimensionais simplesmente não funcionam. Eles o transformam este encontro em uma convenção política, ou numa luta apocalíptica que, no final, é unidimensional.

Conforme o Sínodo mostrou, a Igreja é universal, mas não monolítica. Vemos que algumas destas oposições que se apresentam não são reais, o local e o universal sempre existiram na mutualidade complexa e profunda, e esta é a realidade da Igreja Católica. Qualquer pessoa que pense que a Igreja é monolítica não está falando sobre a Igreja Católica.

Então, eu acho que estamos numa altura em que temos de renegociar o que queremos dizer com coisas como “a Igreja docente” e a “Igreja discente”; temos de renegociar ou revisitar o que queremos dizer por “local” e “universal”. E temos de aceitar que algumas de nossas distinções antigas e úteis simplesmente não comunicam mais e, por exemplo, falar sobre “a verdade pública” e “a misericórdia privada” não funciona. A distinção entre “o pecado” e “o pecador” não mais funciona para as pessoas.

Aqui, evidentemente, é onde o Papa Francisco se mostra bastante forte. Ele está preparado para descartar o que não mais funciona quando se trata de comunicar a mensagem evangélica.

Este papa é realista e eu agradeço a Deus por ele estar preparado a dizer que algumas coisas simplesmente não funcionam; o imperador não tem roupas, não habitemos um mundo ilusório – o mundo do faz de conta –, onde você diz que as coisas são, quando na verdade está dizendo que aquilo que diz é o que você gostaria que elas fossem.

Temos apenas de aceitar que algumas coisas estão dando certo, e que algumas outras não estão. Eu simplesmente não acho que, se estamos falando sério sobre evangelizar – o que, em grande parte, resume-se em comunicar –, então não podemos fazer outra coisa senão denunciar aqueles que negam estes fatos ou a fantasia que as suas negações contêm. E eu penso que esta é uma das ciosas mais poderosas e refrescantes a respeito do Papa Francisco.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Dom Mark Coleridge: Francisco quer fazer da sinodalidade uma “característica permanente” na vida da Igreja - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV