Vaticano e ONU. Ícones da autoridade moral, frente a frente

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Por: Jonas | 07 Fevereiro 2014

No Vaticano, pesa tanto a acusação da ONU em relação às “maçãs podres do clero”, que a primeira reação dos altos eclesiásticos católicos é a de se justificar. A Santa Sé tem ainda aberta a ferida da “praga da pedofilia” (Bento XVI ‘dixit’) e toda vez que alguém, de fora ou de dentro, tenta mexer nela, para curá-la ou para infectá-la ainda mais, pula como uma mola e enrola como uma ostra. E essa reação instintiva e defensiva prejudica a recuperação de sua credibilidade e de sua autoridade moral.

 
Fonte: http://goo.gl/uFhOMc  

A reportagem é de José Manuel Vidal, publicada por Religión Digital, 06-02-2014. A tradução é do Cepat.

A Igreja católica se alimenta da credibilidade social que irradia sua mensagem e que seus representantes procuram viver. Como instituição normativa, não apenas é regida por uma doutrina e algumas leis especiais (seu próprio Direito Canônico), mas, além disso, diz a seus fiéis e, por extensão, à sociedade de um modo geral, como se deve comportar em temas ético-morais. Faz isso de seu lugar assegurado ou como principal intérprete da chamada lei natural. Um lugar inquestionável até agora e que, na atualidade, a ONU quer compartilhar.

A autoridade moral da Igreja é baseada em sua credibilidade. Caso fique sem esta, acaba com aquela. O ‘tsunami’ dos abusos deixou no chão as duas. Tanto, que Bento XVI decidiu se tornar primeiro no “varredor de Deus” e, depois, no bode expiatório das imundícies do clero. Para isso, colocou em andamento uma mudança radical de estratégia e mandou passar do silêncio e do acobertamento à “tolerância zero”.

Uma revolução copernicana

Toda uma revolução copernicana na Igreja, que alguns altos dignitários não viram com bons olhos. Entre outras coisas, porque lhes obrigava a denunciar os padres abusadores, não apenas diante dos tribunais eclesiásticos, mas inclusive para os civis. E, como disse o cardeal colombiano, Darío Castrillón, “ninguém pode obrigar a um pai denunciar seu filho”.

Diante das resistências internas frente a este e outros temas (reforma da Cúria e do Banco Vaticano), Bento XVI decidiu apresentar sua renúncia. Porque não se sentia com as suficientes “forças físicas, nem espirituais”, para terminar essa limpeza. E, com o gesto histórico de sua renúncia, colocou em andamento o processo da metanoia ou da mudança eclesial em profundidade. Foi a parteira da primavera de Francisco.

O Papa “do fim do mundo” chegou ao sólio pontifício com uma missão clara e contundente: reformar a Igreja. Por isso, o nome Francisco, o santo do “repara minha Igreja”. Reformá-la por dentro e por fora. Em poucos meses, conseguiu contornar a situação. A Igreja que com o vatileaks e os abusos sexuais havia atingido o fundo do poço, voltou a reconquistar sua credibilidade. E, portanto, sua autoridade moral.

Porque, no fundo, isso é o que está em jogo: Quem é o ícone da autoridade moral no mundo globalizado do século XXI? Tanto a ONU como a Igreja católica aspiram esse papel. Uma na perspectiva laica; a outra, a partir do religioso. Até agora, sempre houve uma espécie de coexistência pacífica entre as duas instituições. De fato, a Igreja católica tem um representante ante as Nações Unidas.

Uma coexistência pacífica que, em Roma, começa a se colocar em xeque. No Vaticano, acredita-se que o relatório das Nações Unidas sobre os abusos do clero é um peso de profundidade contra a Igreja. E não tanto pelas denúncias do acobertamento aos abusos (algo assumido na própria Igreja), mas pelo questionamento que faz das leis eclesiásticas e de seus princípios doutrinais inegociáveis e, inclusive, do segredo de confissão. Uma questão na qual a Igreja não cederá. Nem nos princípios, nem na tentativa da ONU em retirar dela o cetro da autoridade moral mundial.

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