Clodovis Boff celebra 70 anos! Uma singela e sincera homenagem

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23 Janeiro 2014

"É certo dizer que ninguém pode ousar falar de Teologia da Libertação, ou de Pastoral na América Latina, ou de CEBs sem mencionar os escritos de Clodovis Boff e as suas inúmeras contribuições", assinala Cesar Kuzma, teológo leigo, doutor em Teologia pela PUC-Rio, professor e pesquisador do Departamento de Teologia da PUC-Rio e assessor de grupos, pastorais e comunidades eclesiais.

Segundo ele, "fazer 70 anos é celebrar uma vida bem vivida, uma vida dedicada ao serviço e aos outros. Vemos isso em Clodovis e agradecemos a sua presença em vários momentos de nossa caminhada teológica e pastoral; ao mesmo tempo em que lamentamos o fato de não tê-lo mais sempre conosco em nossos eventos e discussões... É bem verdade que sua presença faz falta e o seu nome sempre é lembrado".

Eis o artigo.

O motivo pelo qual escrevo este texto é para homenagear uma grande pessoa, um grande amigo, companheiro, colega e professor, alguém de quem tenho belas lembranças e de que devo muito do que sou e aprendi a ser como teólogo. Tenho certeza que estas palavras não se restringem apenas a minha pessoa, que ainda é um jovem inquieto, mas somam-se a muitas vozes do Brasil e da América Latina que foram influenciadas (e muito!) pelos seus pensamentos.

Falo aqui, com bastante carinho, de Clodovis Boff, que no dia de hoje, 23 de janeiro de 2014, celebra 70 anos de vida. Isso mesmo, 70 anos! É o tempo de uma vida!...

Eis uma data para se celebrar e reviver bons momentos, e quem sabe, impulsionar novos e desafiadores pensamentos de quem atinge a maturidade da vida ainda em plena atividade, tanto pastoral quanto acadêmica. Podemos afirmar que é uma vida dedicada à Igreja e, na Igreja, à teologia, com a qual se debruçou por longos anos e produziu um discurso libertador capaz de atingir a grande maioria das pessoas, sobretudo, os pobres, que no seu teologizar e sentir-se como Igreja tornaram-se sujeitos de sua própria história de fé e vida e começaram a discernir a sua experiência de Deus, na mística e no seguimento profético do dia a dia.

Clodovis Boff é um nome que sempre é e sempre será lembrado quando se falar de Teologia Latino-Americana, principalmente quando esta se dá em tom “da Libertação”, maneira como é mais conhecida e da qual Clodovis é um de seus grandes mentores. Ele foi o teólogo que mais se debruçou sobre o método desta teologia, levando as reflexões que se produziram na América Latina a um patamar alto, de respeito, com forte fundamentação e com bom enraizamento pastoral; ou seja, uma teologia firmada em Cristo e comprometida com o mundo que Cristo assumiu e quis libertar, libertar para a vida e vida plena. Uma teologia que se queria profunda e bem fundamentada, mas, ao mesmo tempo, próxima da realidade e pertinente às lutas e anseios do povo; de um povo que canta, reza e luta; canta, reza e luta na esperança que vem de Cristo, seu salvador.

É certo dizer que ninguém pode ousar falar de Teologia da Libertação, ou de Pastoral na América Latina, ou de CEBs sem mencionar os seus escritos e as suas inúmeras contribuições. Foram anos de pesquisas e de engajamentos, vários livros, artigos, debates, textos pastorais e subsídios. Clodovis foi formador de uma geração de teólogos e teólogas que aprenderam um novo jeito de se fazer teologia e desta forma um novo jeito de ser Igreja, procurando sempre o equilíbrio da vida e da fé, da mística e da militância, do serviço ao mundo como um trabalho pastoral de forma ordenada e coesa; pontos estes que ele tem defendido ultimamente. Ele teve a graça de conviver no momento auge da Teologia da Libertação, mas também passou por inúmeros sofrimentos por defender a sua causa e dentro dela a causa dos pobres, a quem a Igreja e a teologia devem estar a serviço, pois para ele, a opção pelos pobres decorre da opção primeira que foi feita por Cristo, que por amor se fez pobre e nos deu a sua libertação. Assim, Clodovis dirá, já em tempos mais recentes, que o que se tem é uma teologia que parte do Cristo, que é o seu fundamento, e, a partir dele, abrem-se novas perspectivas que se relacionam com as questões emergentes da sociedade. É o que ele tem apresentado a partir da publicação do livro “Teoria do Método Teológico”, em 1998.

O passar dos anos fez com que Clodovis mudasse um pouco o seu tom, passando a ser também um crítico desta teologia, sem, contudo, abandonar a sua causa, fato um tanto difícil de se compreender, mas bem alicerçado por seu pensamento e com o que se projetou com esta teologia, já com G. Gutiérrez que diz que “a teologia é uma reflexão crítica da fé”, por esta razão, torna-se também crítica dela mesma, alinhando-a no tempo a fim de que encontre o seu caminho e se enverede pela verdade. Hoje, Clodovis dedica-se ao estudo da mística, ponto que ele sente que a teologia deve se voltar, uma nova e desafiadora perspectiva, na qual se incluem também os pobres e a visão eclesiológica que com eles provém.

Fazer 70 anos é celebrar uma vida bem vivida, uma vida dedicada ao serviço e aos outros. Vemos isso em Clodovis e agradecemos a sua presença em vários momentos de nossa caminhada teológica e pastoral; ao mesmo tempo em que lamentamos o fato de não tê-lo mais sempre conosco em nossos eventos e discussões... É bem verdade que sua presença faz falta e o seu nome sempre é lembrado. Contudo, celebrar a sua vida e seus 70 anos é também respeitar o seu tempo e o seu espaço. Por tudo o que nos deu, digo que merece de nós este respeito. Apenas o seu íntimo, apenas o seu coração diz o que sente, faz discernir o que passou, viveu e sofreu, fazendo-o compreender o seu momento; um momento que ele mesmo nos diz que é mais de oração e de menor ação. Para este tempo, que é dele e que ele próprio sente, é nosso dever respeitar. O que esperamos e torcemos é que toda esta primavera eclesial que avança com o Papa Francisco também encontre eco no seu coração e que este se revigore ainda mais e lance à teologia novas provocações e novos questionamentos.

Caro professor, amigo, colega e companheiro Clodovis, que sua teologia continue ainda a nos inquietar e que ela ainda seja capaz de oferecer luzes para um mundo com muitas sombras e de sentido confuso (é o que pesquisa agora!). Que o Espírito de Deus o ilumine e dê forças e que toda a libertação que projetou em sua teologia encontre o seu desfecho no advento de Deus que nos convida à ação na esperança! Que possamos celebrar o seu momento e respeitar a sua vida, com suas escolhas e decisões.

Pelos seus 70 anos, e muitos deles dedicados à teologia, nós agradecemos de coração sincero!

Estendo as minhas palavras a todos aqueles e aquelas que beberam de seu ensinamento e que conviveram na sua amizade. Um forte abraço!

Nota de IHU On-Line: A fonte da imagem que ilustra o artigo é www.pmmi.com.br

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