Ressuscitado e vivo para sempre

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06 Abril 2018

Publicamos aqui o comentário do monge italiano Enzo Bianchi, fundador da Comunidade de Bose, sobre o Evangelho deste 2º Domingo da Páscoa, 8 de abril (Jo 20, 19-31). A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Estamos no último capítulo do Evangelho escrito pelo discípulo amado, onde nos é dado o testemunho da ressurreição de Jesus por parte de Maria Madalena, do próprio discípulo amado e dos outros discípulos, incluindo Tomé (o capítulo 21 foi adicionado pela comunidade do discípulo amado, tanto que os versículos 30-31 do capítulo 20 constituem a conclusão do Evangelho).

Sempre naquele “primeiro dia da semana”, o dia da ressurreição e, portanto, o dia do Senhor (Dominus, daí dies dominicus, domingo), à noite, os discípulos de Jesus ainda estão com medo, trancados em casa, apesar de Maria de Magdala ter lhes anunciado: “Vi o Senhor!” (Jo 20,18).

Onde estavam os discípulos? Em qual casa? Não nos é dito, mas o evangelista parece nos sugerir que, onde estão os discípulos, lá vem Jesus. Assim, o leitor compreende que, todos os primeiros dias da semana, no lugar em que ele se encontra com outros cristãos, lá vem Jesus ressuscitado e vivo.

Naquele dia da ressurreição, Jesus inaugurou outro modo de presença: ele está no meio dos seus não mais como antes, homem entre os homens, mas como Ressuscitado vivo para sempre. É sempre ele, Jesus, o filho de Maria, o enviado por Deus ao mundo, mas já não mais em uma carne mortal, mas sim em uma vida eterna no Espírito de Deus. Essa nova presença é mais forte e mais poderosa do que a presença física, porque vence todas as portas fechadas e todos os muros, e se torna credível, experimentada, vivida no marco de uma vida fraterna, de uma vida de comunhão: a Igreja.

Jesus, portanto, tendo vindo entre os seus na posição central (“pondo-se no meio deles”) de quem preside a assembleia, saúda os seus com a bênção messiânica: “A paz esteja convosco!”, e, ao entregar a paz, mostra-lhes seu corpo chagado, as mãos que trazem as marcas da crucificação (cf. Jo 19, 17) e o lado que recebera o golpe de lança (cf. Jo 19, 34).

Jesus está vivo, ressuscitou da morte, mas não deixa de ser o Crucificado: aquela morte, destino de todo ser humano, mas também a morte violenta dada a Jesus pela injustiça deste mundo, foi vivida e assumida por ele, faz parte da sua humanidade agora transfigurada em Deus, mas sempre presente, não apagada nem esquecida.

Sim, Jesus ressuscitado é vida eterna, divina, mas também vida humana transfigurada, de modo que agora não é mais possível pensar em Deus, dizer Deus sem pensar também no ser humano.

A essa percepção, os discípulos se alegram, realizando as palavras ditas a eles por Jesus antes da paixão: “Mais um pouco, e o mundo não me verá, mas vocês me verão, porque eu vivo, e também vocês viverão... Daqui a pouco vocês não me verão mais, porém, mais um pouco, e vocês me tornarão a ver... Quando vocês tornarem a me ver, vocês ficarão alegres, e essa alegria ninguém tirará de vocês” (Jo 14, 19; 16, 16.22).

Jesus, então, como Ressuscitado, sopra sobre aquela comunidade, alegre por crer nele, e os torna todos enviados, apóstolos. Enviados para quê? No quarto Evangelho, esses discípulos tornados apóstolos são enviados para dar às pessoas a possibilidade de experimentar a salvação na remissão dos pecados: perdoar os pecados, perdoar as dívidas, perdoar, esse é o mandato missionário. Nada mais, nada mais! Porque é disso que as pessoas precisam: o perdão, a remissão dos pecados, o apagamento dos pecados por parte de Deus e por parte dos seres humanos, seus irmãos.

A essa experiência da presença do Ressuscitado por parte dos discípulos, João acrescenta a experiência de um dos Doze: Tomé, aquele discípulo que dissera que queria ir a Jerusalém para morrer com Jesus (cf. Jo 11, 16), mas que, depois, na realidade, fugiu como todos os outros.

Tomé não quer crer, com base na palavra dos seus irmãos, na presença do Jesus ressuscitado e vivo, mas, oito dias depois, quando a comunidade está novamente reunida no primeiro dia da semana, ele está presente. E eis que, de novo, vem Jesus, está no meio e dá paz aos discípulos; depois, dirige-se a Tomé, mostrando-lhe as mãos furadas e o lado transpassado, os sinais da paixão em um corpo transfigurado. Tomé, então, não pode deixar de invocar: “Meu Senhor e meu Deus!”, pronunciando a confissão de fé mais alta de todo o quarto Evangelho.

Aquele Ressuscitado é Kýrios e Deus para a Igreja! É preciso crer nisso sem ter visto nada, mas acolhendo o anúncio da comunidade do Senhor e o dom de Deus que revela a verdadeira identidade do Jesus ressuscitado para sempre. Para Tomé, tocar o corpo de Jesus já se tornou inútil, e ele não o faz, porque a contemplação e o encontro com os sinais da paixão transfigurados lhe bastam.

Mas a operação mais difícil, tanto para Tomé quanto para nós, está precisamente no fato de ver nos corpos chagados o poder de uma transfiguração que faz das chagas cicatrizes luminosas e cheias de sentido: não mais sinal de morte ou de pecado, mas sinal de cura e de vida para sempre.

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