Cardeal Kasper não vê 'diferença substancial' entre Bento XVI e Francisco

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20 Outubro 2018

Como um dos principais protagonistas do papado de Francisco, e possivelmente da Igreja Católica desde o Concílio Vaticano II, o cardeal alemão Walter Kasper argumenta: “não existe uma diferença substancial real entre o Papa Bento XVI e o Papa Francisco”.

A reportagem é de Christopher White, publicada por Crux, 19-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

"Eles têm personalidades diferentes, é claro, e diferentes origens", disse Kasper. “Um é europeu, o outro vem da América Latina. [Mas] se você ler exatamente o que eles escrevem, tem a mesma linha”.

Os comentários de Kasper foram feitos numa entrevista ao Crux após a cerimônia de premiação na qual ele recebeu a medalha "Civitas Dei" da Villanova University na quinta-feira. O ex-chefe do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade Cristã recebeu o prêmio da Dra. Barbara Wall, vice-presidente de Missão e Ministério da Villanova.

Ele é o sétimo premiado a receber a honra, que é concedida “aos católicos que, através de seu trabalho, deram contribuições exemplares à tradição intelectual católica e especialmente à busca da verdade, da beleza e da bondade”, inspirando-se na obra fundamental de Santo Agostinho, A Cidade de Deus (De Civitate Dei).

Kasper, que chefiou o escritório do Vaticano da Unidade Cristã de 2001 a 2010, foi homenageado, nas palavras de Massimo Faggioli, professor da Villanova, como um “exemplo notável do ethos de um teólogo católico, como acadêmico e homem da Igreja", e enaltecido por Suzanne Wentzel, diretora de pesquisa e publicações da Universidade, como um teólogo que “tira os fiéis da beira do abismo”, pregando estritamente as boas novas, sejam da “esquerda, direita ou exatamente no meio”.

Ele usou seu discurso de aceitação para destacar o legado de Agostinho, a quem ele alcunhou como "mestre intelectual da Europa", por seu trabalho na promoção da "paz pela justiça".

No centro dos ensinamentos de Agostinho, insistiu Kasper, está a crença de que a paz não pode ser possível sem fundamentos religiosos.

"Precisamos disso especialmente nas nossas próprias sociedades secularizadas", continuou ele, argumentando que a mesma divisão que Agostinho explorou em sua obra clássica - entre o amor a Deus e o amor a si mesmo - está subjacente aos perigos atualmente presentes nos países que são autorreferentes demais, os levando a impulsos nacionalistas.

O cardeal alemão de 85 anos acrescentou que soube disso em primeira mão por sua própria experiência crescendo na Alemanha, onde "o nacionalismo levou à Segunda Guerra Mundial".

A superação desse amor-próprio, seja ele individualista ou nacionalista, ele afirma, é essencial tanto para a paz quanto para a justiça, e deve ser encontrada em Deus.

"O respeito por Deus é um fundamento para o respeito pelo outro e pela criação", disse ele.

O evento de quinta-feira ocorreu em meio ao Sínodo dos Bispos do Vaticano sobre "os Jovens, a Fé e o Discernimento Vocacional" de um mês de duração.

Kasper se tornou uma figura de liderança durante os Sínodos da Família em 2014 e 2015, e é amplamente visto como o ‘arquiteto’ da abertura cautelosa à comunhão para católicos divorciados e recasados do documento final.

Francisco elogiou publicamente seu livro, Barmherzigkeit (Misericórdia, em português), no qual ele esboçou a proposta pela primeira vez, logo após sua eleição em 2013.

Kasper disse ao Crux que lamentava que certas controvérsias dos dois sínodos anteriores tenham ofuscado tanto a intenção do Papa quanto a sua.

“Acho que a misericórdia não significa que você desistiu de tudo. Não é contra a justiça. A misericórdia é para a justiça, a forma cristã da justiça de Deus, que nos perdoa e nos faz justos”, afirmou. "Não entendo os problemas que se tem com isso".

Cinco anos depois de Francisco elogiar Kasper pela primeira vez, ele retribuiu dizendo que Francisco ensinou ao mundo uma nova maneira de ser Papa.

"Não se pode mais ser uma Igreja Europeia ou uma Igreja Ocidental", disse Kasper, "mas uma Igreja para o mundo inteiro". “Não há uma única maneira de ser Papa”, sustentou. “O ministério Petrino teve muitas mudanças durante a história”. "Aprovo muitíssimo esse Papa", acrescentou.

Quanto às suas esperanças para o sínodo atual, ele acredita que o melhor resultado é uma Igreja que esteja melhor preparada para ouvir os jovens, para melhor entendê-los. “O importante é ouvir a geração mais jovem entre os jovens”, disse ele ao Crux. "Não podemos concordar com tudo, não é possível, mas temos que ouvir seus desejos".

Embora seu discurso se baseava em Agostinho, ele apontou para outro santo popular ao falar sobre a resposta da Igreja aos jovens. “São Bento, em sua Regra, disse que o abade deve ouvir o mais jovem dos monges”, lembrou ele. "É um lembrete de que o Espírito Santo pode falar com toda a Igreja".

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