Países ricos emitem mais CO2, mas as emissões crescem mais nos países emergentes

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27 Setembro 2018

"A humanidade poderá cruzar um ponto de não retorno, e a liberação de CO2 e metano aprisionado no permafrost, nas geleiras e outros sítios ecológicos elevaria a temperatura do Planeta e levaria o mundo a um colapso ambiental, que, também, poderá significar um colapso civilizacional", escreve  José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE, em artigo publicado por EcoDebate, 26-09-2018.

Eis o artigo.

As emissões globais de dióxido de carbono (CO2) procedentes, principalmente, da queima de combustíveis fósseis aumentaram de 9,4 bilhões de toneladas em 1960 para 36,2 bilhões de toneladas em 2016. Foi um aumento de 3,8 vezes em 56 anos. Neste mesmo período a população mundial aumentou de 3 bilhões de habitantes para 7,5 bilhões, um aumento de 2,5 vezes. Portanto, houve aumento das emissões per capita, pois a poluição cresceu mais rápido do que a população.

Mas as emissões são muito desiguais em termos regionais e possuem ritmos diferentes de crescimento entre os países e os grupos de países. Os países ricos que fazem parte do G7 (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) emitiram 5,1 bilhões de toneladas de CO2 em 1960, representando 54% das emissões globais e passaram a emitir 10,3 bilhões de toneladas de CO2, em 2007. Porém, a partir da crise de 2008, as emissões no G7 diminuíram e chegaram a 8,97 bilhões de toneladas em 2016, representando 24,8% das emissões globais. Ou seja, o peso das emissões do G7 caiu mais da metade em termos relativos nos 56 anos em consideração.

Por outro lado, a China que emitia 780 milhões de toneladas de CO2 em 1960, deu um grande salto em 2016, quando emitiu 10,1 bilhões de toneladas de CO2. Isto quer dizer que a China emitia 8,3% das emissões globais em 1960 e passou a emitir 28,1% em 2016 (mais do que todos os países do G7 agrupados).

A Índia que emitia 120 milhões de toneladas de CO2 em 1960 (representando apenas 1,3% do total global) passou a emitir 2,4 bilhões de toneladas (representado 6,7% das emissões globais), em 2016. Os três países mais populosos do mundo, também são os que mais emitem CO2. Em 2016, os três gigantes demográficos juntos emitiram 17,9 bilhões de toneladas, representando 49,5% das emissões globais de CO2.

O gráfico abaixo mostra as emissões dos países do G7 (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) e da China, Índia e Rússia. Nota-se que nos últimos 10 a 12 anos, as emissões de CO2 diminuíram em todos os países do G7 e na Rússia e só aumentaram na China e na Índia, sendo que na China as emissões ficaram estagnadas entre 2013 e 2016. Entre os grandes emissores do mundo, somente a Índia continua aumentando consistentemente suas emissões de CO2. Como é um país em desenvolvimento com um nível muito elevado de pobreza, o crescimento econômico da Índia pode contribuir para reduzir a pobreza, mas vai elevar ainda mais as emissões de CO2. A Índia dobrou suas emissões entre 2005 e 2016 e neste ritmo pode ultrapassar a União Europeia antes de 2025 e os EUA antes de 2030.

O gráfico abaixo mostra as emissões de CO2 de alguns países em desenvolvimento selecionados. Embora as emissões destes 10 países representem um volume muito menor do que dos 10 países do gráfico anterior, a diferença é que todos eles apresentam crescimento significativo das emissões nos 56 anos em questão. Em 1960, estes 10 países emitiam 46,2 milhões de toneladas de CO2 (representando apenas 0,5% do total) e, em 2016, passaram a emitir 2,3 bilhões de toneladas (representando 6,3% das emissões totais). Os países que mais aumentaram as emissões entre 1960 e 2016 foram Qatar (699 vezes) Arábia Saudita (237 vezes), Tailândia (88 vezes) e Angola (65 vezes).

O Brasil emitia 46,9 milhões de toneladas em 1960 (representando 0,5% do total) e passou a emitir 487,4 milhões de toneladas de CO2 em 2016 (representando 1,3% do total). O aumento foi de 10,4 vezes em 56 anos. As emissões per capitas do Brasil estão aumentando.

A generalização do modelo “Extrai-Produz-Descarta” (modelo metabólico entrópico) faz com que os países em desenvolvimento sejam aqueles que, no século XXI, mais aumentam as suas emissões de gases de efeito estufa. Mais da metade das emissões globais já são provenientes dos países em desenvolvimento, sendo que a China e a Índia respondem por 35% das emissões totais em 2016. Segundo o Global Carbon Project (GCP) as emissões de CO2 aumentaram de 36,2 bilhões de toneladas em 2016 para 36,8 bilhões de toneladas em 2017, com aumento, tanto na China quanto na Índia. A Índia se aproxima muito do nível da União Europeia e mantém o ritmo de crescimento acelerado das emissões.

Nota-se que as emissões da China são maiores do que a soma das emissões dos EUA e da União Europeia (EU), em conjunto. Segundo análise do site Unearthed (30/05/2018) as emissões de CO2 da China subiram cerca de 4% nos primeiros três meses de 2018 e podem subir 5% em 2018, interrompendo o período de estagnação das emissões e acendendo um sinal de alerta para o mundo e para o agravamento da liberação de gases de efeito estufa.

O quadro acima é preocupante, pois a redução das emissões dos países desenvolvidos está se dando em um ritmo lento e os países emergentes ou em desenvolvimento estão aumentando as emissões de CO2 em ritmo rápido, o que só agrava o efeito estufa e torna distante o sonho de atingir as metas do Acordo de Paris. Os países ricos precisam reduzir drasticamente suas emissões (ou de preferência zerar as emissões) num prazo curto e os países pobres não podem aumentar as suas emissões. Caso contrário, as consequências podem ser catastróficas.

Pesquisa publicada na revista European Geosciences Union Earth System Dynamics, mostra que nos níveis atuais de emissões de CO2, o prazo para limitar o aquecimento até 1,5° C já foi ultrapassado e resta muito pouco tempo antes que as metas de Paris, de limitar o aquecimento global a 2°C, se tornem inviáveis, mesmo com estratégias drásticas de redução global de emissões. O prazo é curto para reverter o quadro de degradação ambiental global.

O estudo considera que se não forem tomadas ações decisivas até 2035 para combater a mudança climática, a humanidade poderá cruzar um ponto de não retorno, e a liberação de CO2 e metano aprisionado no permafrost, nas geleiras e outros sítios ecológicos elevaria a temperatura do Planeta e levaria o mundo a um colapso ambiental, que, também, poderá significar um colapso civilizacional.

Referências:

Zach Boren, Harri Lammi. Dramatic surge in China carbon emissions signals climate danger, Unearthed, 30.05.2018

Corinne Le Quéré et al. Global Carbon Budget 2017, Earth Syst. Sci. Data, 10, 405–448, 2018

Global Carbon Project

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