O capitalismo corrói a saúde mental

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22 Agosto 2018

Ao examinar nosso passado evolutivo e nossa história como caçadores-coletores igualitários, cooperativos e solidários na comunidade primitiva, dissipamos a falsa ideia de que os seres humanos, por sua própria natureza, são competitivos, agressivos e individualistas. Nós, seres humanos, temos todas as aptidões psicológicas e sociais para viver de maneira diferente e a desigualdade não é inevitável.

A reportagem é de Manuel E. Yepe, publicada por America Latina en MovimientoALAI, 20-08-2018. A tradução é de Cepat.

É o que o manifestam os professores de epidemiologia Kate Pickett e Richard Wilkinson, nos Estados Unidos, em seu novo livro intitulado The Inner Level [O Nível Íntimo], apoiando-se em um sólido conjunto de argumentos para demonstrar que “a desigualdade devora o coração do mundo íntimo e as ansiedades sociais da grande maioria da população”.

Em The Inner Level, os autores demonstram a evidência de que o impacto da desigualdade no bem-estar mental é apenas uma parte da nova situação. Os professores Pickett e Wilkinson questionam dois mitos centrais que alguns utilizam para justificar a perpetuação e tolerância da desigualdade.

Quando abordamos a falsa ideia de que os níveis atuais de desigualdade refletem a existência de uma justificável meritocracia na qual ascendem os de maior capacidade natural e definham ao fundo os incapazes, compreendemos que, ao contrário, são as desigualdades nos resultados as que  limitam a igualdade de oportunidades; as diferenças nas conquistas e as próprias conquistas são impulsionadas pela desigualdade, não suas consequências.

Pickett e Wilkinson sustentam que a desigualdade é um obstáculo importante para a criação de economias sustentáveis que sirvam para otimizar a saúde e o bem-estar tanto das pessoas como do planeta, pois o consumismo tem a ver com a melhora de si mesmo e a concorrência pelo status se intensifica com a desigualdade.

Uma pesquisa recente da Mental Health Foundation descobriu que em dado momento do ano passado 74% dos adultos no Reino Unido estavam tão estressados que se sentiam esmagados e incapazes de superar a situação. Um terço tinha inclinações suicidas e 16% haviam se automutilado em algum momento de sua vida. Estes números eram muito mais altos entre os jovens.

Nos Estados Unidos, as taxas de mortalidade crescem sem cessar, sobretudo para homens e mulheres brancos de meia idade, em razão do “desespero”, que incluem as mortes por dependência de drogas e álcool, assim como os suicídios e muitos acidentes de carros. Uma epidemia de angústia parece estar afetando algumas das nações mais ricas do mundo.

Estudos realizados em 28 países europeus mostram que a desigualdade aumenta a ansiedade pelo status em todos os grupos de ingressos, desde os 10% mais pobres até o segmento mais rico.

Outro estudo sobre como as pessoas experimentam um baixo status social, tanto nos países ricos como nos pobres, descobriu que apesar das enormes diferenças em seus níveis materiais de vida, em todo o mundo as pessoas que vivem na pobreza relativa possuem um forte sentimento de vergonha e auto-ódio. Estar na parte inferior da escala social é sentido da mesma forma tanto vivendo em um país rico, como vivendo em um muito pobre.

Embora pareça que a grande maioria da população é atingida pela desigualdade, respondemos de diferentes maneiras às preocupações que é gerada pela forma como os outros nos veem e nos julgam. Uma dessas maneiras é nos sentir agoniados e oprimidos pela desconfiança, os sentimentos de inferioridade e a autoestima deprimida, e isso conduz a altos níveis de depressão e ansiedade em sociedades mais desiguais, afirmam os autores de The Inner Level.

Os sintomas psicóticos, como os delírios de grandeza, são mais comuns nos países mais desiguais, assim como a esquizofrenia.

O narcisismo aumenta na medida em que aumenta a desigualdade de renda, segundo medições de Narcissistic Personality Inventory (NPI), a partir de amostras sucessivas na população estadunidense.

Outra muito ampla resposta à necessidade de superar o que os psicólogos chamam de “ameaça avaliativa social” é através das drogas, o álcool e o jogo, mediante a alimentação como reconfortante, ou por meio do consumo de status e o consumismo conspícuo. Aqueles que vivem em lugares mais desiguais são mais propensos a gastar dinheiro em automóveis caros e a comprar bens de status; e são mais propensos a ter altos níveis de dívida pessoal porque buscam demonstrar que não são “gente de segunda classe” ao possuir “coisas de primeira classe”.

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