Pastoral da Saúde na América Latina e Caribe: Novas diretrizes pastorais (2018)

Revista ihu on-line

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Mais Lidos

  • Cardeal Luis Antonio Tagle: a melhor nomeação do papa

    LER MAIS
  • Argentina: empossado o presidente Fernández, “superar o ódio, o Papa Francisco é uma referência”

    LER MAIS
  • Novo bispo austríaco se opõe ao celibato sacerdotal obrigatório

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

05 Junho 2018

"Como duas faces de uma mesma moeda, a pastoral da Saúde consiste em cuidar dos doentes e agir para que ninguém adoeça! Esta visão pode servir de inspiração para a ação da Igreja em outros continentes que se defrontam com os mesmos problemas e desafios da pobreza, subdesenvolvimento no âmbito da saúde, tais como África e muitos países da Ásia, que tem problemas similares aos de América Latina e Caribe", escreve Leo Pessini, filósofo, mestre em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP e doutor em Teologia Moral pela mesma universidade. Realizou, ainda, pesquisa pós-doutoral em bioética pelo Centro de Bioética James Drane, da Edinboro University of Pennsylvania, nos EUA.  Atualmente é o Superior Geral dos Religiosos Camilianos (2014-2020) e membro da equipe de apoio da Pastoral da Saúde do CELAM - Conselho Episcopal Latino-Americano e do Caribe (1994-2018).

Eis o artigo.

Introduzindo

O CELAM, Conselho Episcopal Latino-Americano e do Caribe, através de sua Presidência, o Cardeal Ruben Salazar Gomez, Arcebispo de Bogotá e Secretário Geral, Dom Juan Espinosa Jimenez, aprovaram, no final de maio de 2018, a nova edição atualizada do Guia da Pastoral da Saúde para América Latina e Caribe. Nesta nova versão foram inseridos os ensinamentos do Pontificado de Papa Francisco, sendo que a última revisão tinha ocorrido no V Encontro Latino-americano e do Caribe de Pastoral da Saúde, na Cidade do Panamá, em 2009, à luz do Documento de Aparecida (2007).

Esta última revisão de 2018, realizada à luz do ensinamento de papa Francisco, demandou mais de um ano de trabalho e dedicação. Foram muitos encontros e reuniões específicas, da equipe de apoio da Pastoral da Saúde e especialistas em saúde e pastoral, liderada pelo Centro Camiliano de Humanização e Pastoral da Saúde de Bogotá, na pessoa de seu Diretor, Camiliano, Pe. Adriano Tararan.

1. Igreja de América Latina e Caribe: 50 anos de Medellín (1968-2018) e a Pastoral da Saúde

Neste ano de 2018, comemoram-se os 50 anos da célebre Conferência de Medellín (“II Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe”), que teve como tema “A igreja na atual transformação da América Latina à luz do Concílio Vaticano II”, realizada na cidade de Medellín de 26 de agosto a 7 de setembro de 1968, que basicamente tratou da atualização e aplicação do Concílio Vaticano II para toda a região. Na ocasião pela primeira vez na história da Igreja um Papa (Paulo VI) cruza o Atlântico para visitar estas terras americanas, também denominadas como sendo “o continente da esperança”, com uma população católica hoje de aproximadamente 500 milhões de cristãos católicos.

A Pastoral da Saúde na Igreja da América Latina e Caribe é coordenada a partir do Departamento de Justiça e solidariedade (JUSOL) do CELAM – Conselho Episcopal Latino-Americano e do Caribe, com sede em Bogotá (Colômbia). Participam do CELAM vinte e três Conferências Episcopais da região latino-americana e caribenha. O JUSOL tem como objetivo específico para a Pastoral da Saúde: “animar as Conferências Episcopais a impulsionar as diversas dimensões da pastoral da saúde, assumindo o acompanhamento dos enfermos, a prevenção das enfermidades e um compromisso mais profundo e incidência com os direitos das pessoas ao acesso a medicamentos e a uma vida digna”.

Para se alcançar este objetivo são propostos os seguintes passos:

1) Criar redes solidárias com associações e profissionais da saúde, para favorecer o serviço dos mais pobres e impulsionar uma maior incidência nas políticas de saúde.

2) articular o trabalho das organizações eclesiais que oferecem acompanhamento espiritual e solidário às pessoas enfermas e as ajudar a experimentar a misericórdia de Deus que cura.

3) Intensificar a divulgação e conhecimento da Guia da Pastoral da Saúde para América Latina e Caribe, sua aplicação e difusão junto às Conferências Episcopais da região.

4) Denunciar ante instâncias nacionais e internacionais a atuação de monopólios das indústrias farmacêuticas e a falta de acesso aos medicamentos aos mais pobres, em colaboração com Missão e Saúde.

5) Promover um maior engajamento da Igreja e da sociedade no enfrentamento do HIV/aids no Continente e outras enfermidades emergentes, especialmente as que têm origem por dependência da droga e do álcool.

6) Desenvolver através das equipes nacionais de Pastoral da Saúde, programas de capacitação e apoio na área da Saúde comunitária, medicina alternativa e cuidados paliativos, que promovam a prevenção e a atenção primária de enfermidades prevalentes nos meios populares.

2. Sobre a nova Guia da Pastoral de Saúde para a América Latina e Caribe

Estamos diante de um documento eclesial cuidadosa e artisticamente redigido, em linguagem simples e acessível ao povo simples das comunidades latino-americanas e do Caribe, apresentando as verdades e valores fundamentais da ação pastoral da Igreja no mundo da saúde.

2.1. A palavra da Presidência do CELAM

Na apresentação deste documento, os bispos do CELAM afirmam que: “Aprender a viver e comunicar a vida plena (João 10,10) de Jesus Cristo a nossos povos é a missão que corresponde realizar a todos os cristãos, mas em particular aos discípulos missionários que servem no mundo da saúde. Neste contexto a Pastoral da Saúde é apresentada como sendo a ‘resposta aos grandes interrogativos da vida, como são o sofrimento e a morte, a luz da morte e ressurreição do Senhor’. Nossa tarefa é portanto, promover, cuidar, defender e celebrar a vida, tornando presente na história o dom libertador e salvífico de Jesus”.

A partir deste horizonte de visão e espírito, os pastores do CELAM desejam “oferecer às Conferências Episcopais da América Latina e Caribe algumas orientações gerais para inculturar a Boa Nova no mundo da saúde”. Esperam que este documento “seja uma ferramenta útil para compreensão da Pastoral da Saúde e para a formação e missão dos discípulos missionários que vão prestar este serviço misericordioso no complexo mundo da atenção à saúde integral de nossos povos”.

2.2. A respeito da estrutura e conteúdo do documento

Estamos diante de um itinerário de formação e ação pastoral para quem deseja se comprometer como discípulo missionário de Jesus Cristo no complexo mundo da saúde. Estas diretrizes se apresentam em sete capítulos, assim distribuídos: Em busca de mais vida plena e o conceito de saúde (Cap. 1). A realidade de Saúde na América Latina e Caribe: luta contra a pobreza e a melhora dos índices de saúde dos povos, enfermidades de fácil prevenção e patologias recorrentes, nutrição médio-ambiente e desastres naturais, precariedade dos serviços de saúde e alguns sinais de esperança (Cap. 2); Fundamentação Bíblico-teológica: Deus Pai, fonte da vida, ação salvadora de Jesus, Igreja Comunidade de vida plena em Jesus Cristo, Igreja comunidade curadora (Cap. 3); Bioética: um grito pela dignidade humana (Cap. 4); Pastoral da Saúde, pastoral da vida: Características, dimensões, espaços de ação e estrutura (Cap. 5); Os discípulos missionários no Mundo da Saúde: perfil, formação, eixos temáticos, Magistério e documentos da Igreja (Cap. 6); A espiritualidade dos discípulos missionários no mundo da saúde (Cap. 7).

3. Alguns destaques e agradecimentos finais

Acredito que a Igreja na América Latina e Caribe seja um caso único na geografia mundial da Igreja Católica, que tenha elaborado um documento especial, com diretrizes específicas comuns para sua atuação pastoral, no complexo mundo da saúde, para todas as vinte e três (23) Conferências Episcopais do continente. Se olharmos no Mapa Mundi, este universo vai do México até a Argentina, uma população de aproximadamente 500 milhões de católicos.

A visão inovadora de Pastoral de Saúde que este documento apresenta. A pastoral da Saúde tem três dimensões, a saber: dimensão solidária (samaritana, cuidado dos caídos por terra, os doentes); a comunitária (promoção e educação em saúde pública, saneamento básico, estilos saudáveis de vida, etc.) e político-institucional (políticas públicas de saúde, humanização das estruturas e serviços de saúde, formação de profissionais da saúde humanizados, etc). Não se trata somente de agir solidariamente cuidando dos doentes e daqueles que estão no final da vida, mas também agir para prevenir doenças, educar para a saúde e promover hábitos de vida saudáveis. Como duas faces de uma mesma moeda, a pastoral da Saúde consiste em cuidar dos doentes e agir para que ninguém adoeça! Esta visão pode servir de inspiração para a ação da Igreja em outros continentes que se defrontam com os mesmos problemas e desafios da pobreza, subdesenvolvimento no âmbito da saúde, tais como África e muitos países da Ásia, que tem problemas similares aos de América Latina e Caribe.

Em nome do Governo geral da Camiliana, gostaria de registrar um sincero agradecimento à equipe de apoio da Pastoral da Saúde do CELAM, coordenada pelo Centro Camiliano de Humanização e Pastoral da Saúde de Bogotá (Colômbia) nas pessoas de Pe. Adriano Tararan e Izabel Calderón e dos seguintes membros: Dra Imelda Moreno (Bogotá), Pe. Marlo Verar (Panamá) e Dr. André de Oliveira (Brasil, Uberlandia). Um agradecimento todo especial pela assessoria teológico-Pastoral, na elaboração final deste documento, de um amigo querido de todos nós, desde a primeira hora desta jornada histórica (Quito, 1994), Pe. Leônidas Ortiz Louzada, ex-secretário executivo do CELAM.

Ainda como jovem camiliano, atuante na área da Pastoral da Saúde e ensino da bioética no Brasil, tive o privilégio, a alegria de fazer parte desta equipe de apoio da Pastoral da Saúde do CELAM. Estávamos então no início dos anos 90, mais precisamente em 1994 e juntamente com Adriano e Izabel, quando participávamos do inesquecível Encontro de Quito (Equador). Desde então, até hoje estamos juntos, cresceu em nossos corações uma amizade sincera e perseveramos com muita determinação nesta causa, eminentemente camiliana. Passou-se quase um quarto de século, ou seja, precisamente vinte e quatro anos!

É bem provável que após tanto tempo juntos, esta nossa missão junto ao CELAM esteja se concluindo e, em breve, novas pessoas estarão levando adiante esta nobre causa. Sabemos que ninguém é eterno e insubstituível. Mudanças são saudáveis e fazem parte de nosso crescimento na vida, embora por vezes sofridas! Sem sombra de dúvida, estas novas diretrizes para a Pastoral da Saúde na América Latina e Caribe se constituem num legado precioso, para a Igreja da América Latina e Caribe, no cuidado da humanidade ferida e na promoção da saúde do povo.

Esperamos que este documento, que em breve certamente estará à disposição pelos meios eletrônicos usuais e também em versão impressa, possa ter ampla divulgação e conhecimento junto a todas as equipes de Pastorais de Saúde das Conferências Episcopais da América Latina e Caribe, bem como das dioceses e paróquias!

Deus seja Louvado!

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Pastoral da Saúde na América Latina e Caribe: Novas diretrizes pastorais (2018) - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV